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Super Bock Super Rock: reportagem do 2º dia (6/7), com Lana Del Rey, M.I.A. e The Horrors [texto + fotos]

Lana Del Rey beijou os fãs, fumou cigarros e deu um belo concerto. M.I.A., The Rapture e Friendly Fires puseram os festivaleiros a dançar. Estiveram 21 mil pessoas no recinto, avança a organização. Leia aqui a reportagem BLITZ.

Depois de 18 mil pessoas (números da organização) terem passado pelo primeiro dia do Super Bock Super Rock, o festival recebe hoje atuações de nomes como Lana Del Rey, M.I.A., The Rapture ou The Horrors. Acompanhe aqui, em permanência, a reportagem BLITZ e recorde neste link a reportagem de ontem.

Palco Super Bock  19h00 - Supernada  20h35 - The Rapture  22h05 - Lana Del Rey 23h20 - Friendly Fires  00h50 - M.I.A.  Palco EDP  19h50 - Tono  21h20 - Hanni El Khatib  22h40 - Oh Land  23h55 - Wraygunn  01h40 - The Horrors  Palco @Meco  21h00 - Trikk  22h00 - Freshkitos  23h30 - Linkwood  01h00 - Cosmin TRG  02h30 - Rui Vargas e André Cascais  04h30 - Kenny Larkin  ____________________________________________________ 19h00 - Os Supernada são um espaço de liberdade para os cinco músicos do Grande Porto que compõem esta banda e estão, simultaneamente, envolvidos noutros projetos. Esta tarde, os donos de Nada É Possível abriram o palco principal do Super Bock Super Rock ainda o sol ia alto e poucas pessoas se juntavam frente ao espaço nobre do festival. "É bonito", diz, ainda assim, Manel Cruz, visivelmente satisfeito com mais este começo. Se há coisa que não se pode dizer do homem dos Ornatos, Pluto e Foge Foge Bandido, é que gosta de dormir à sombra dos louros. Com os Supernada, banda que começou a criar há cerca de 10 anos, volta à estaca zero (que, com a notoriedade que ganhou, nunca é um zero absoluto) e retira evidente prazer das pequenas conquistas amealhadas. As canções dos Supernada - mais as que se alojam no primeiro álbum do que as mais antigas, como "Nova Estrela", que hoje apareceu em palco - são, regra geral, pouco imediatas e escondem-se (às vezes de si mesmas) em jogos psicadélicos, hard rock e de um quasi-stoner lamacento. Com auxiliares de ruído como megafones e gravadores, Manel Cruz vai encabeçando com discrição um trabalho de equipa para o qual Ruca Lacerca, Eurico Amorim, Miguel Ramos e Francisco Fonseca participam com entusiasmo. É uma viagem muito própria, ancorada nas letras que qualquer fã reconhece como sendo de Manel Cruz ("estou mais perto da demência" é uma das tiradas que nos dizem mais), e na qual os espectadores, pouco numerosos mas atentos, embarcam com gosto. "Arte Quis Ser Vida", o ótimo single, "O Meu Livro" e "Anedota" foram três bons momentos do primeiro concerto do dia. À mesma hora, os brasileiros Tono tocavam para pouquíssimas dezenas de espectadores no Palco EDP. O verso "Me trocaram por um Blackberry/De manhã ainda penso em acordar e ela já está a dedilhar", embrulhado numa pop bem tropical, merecia melhor sorte.
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21h34 - Os nova-iorquinos Rapture conseguiram fazer aquilo que os Hot Chip ontem não conseguiram: deixar o público do Super Bock Super Rock com vontade de dançar. Visivelmente mais bem composto, o recinto encolhe-se com frio (está mais vento) mas rapidamente aquece ao som de temas como "How Deep Is Your Love?", estrondoso single de apresentação do novo álbum (que esteve em vias de não se ouvir devido a problemas com as teclas), "Get Myself into It" ou o irrequieto "Echoes". Escondido atrás da guitarra, Luke Jenner foi espantando uma certa timidez ao longo da atuação e quanto mais solto foi ficando mais conseguiu entregar-se ao público, que respondeu especialmente bem ao velhinho "House of Jealous Lovers" (loucura de cowbell) e ao tema-título do novo registo, "In the Grace of Your Love", servido logo a abrir. A saída de palco foi repentina (os problemas técnicos, supomos, deixaram-nos sem tempo para despedidas mais alongadas), mas Jenner ainda teve tempo de gritar "you're beautiful".
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23h00 - Lana Del Rey acaba de atrair para frente do palco principal a maior enchente que vimos nesta edição. E esteve à altura? Esteve. Com um alinhamento curto, mas certeiro, a norte-americana mostrou que a fragilidade aparente se torna força em palco (e as garras são bem longas). Acompanhada por um quarteto de cordas, abriu o concerto com "Blue Jeans" e viu a voz ser quase engolida pelo coro. Envergando um vestido branco, curto, com ar de matadora e uma postura a fazer lembrar uma Amy Winehouse contida, Lana mostrou-se mais sorridente e comunicativa do que estávamos à espera. Simpática com o público, desceu duas vezes ao fosso para cumprimentos longos (beijos e abraços para todos), chegando a exclamar: "Não costumo falar muito nos concertos, mas tenho de dizer que vocês são, de longe, o melhor público...". E recebeu prendas e mais prendas (livros, t-shirts e até um lenço de um dos patrocinadores do festival, que amarrou à volta do pulso). Depois de pedir permissão para apresentar um tema novo, o dramático "Body Electric", partiu para "Born to Die" de cigarro na mão e seguiu pelo suave "Summertime Sadness", sempre sem perder a compostura. "Without You", um dos temas extra do álbum, foi cantado no fosso, entre autógrafos e mais beijos, e o regresso ao palco ficou marcado por uma versão jazzy de "Million Dollar Man" ("estou a ouvir-vos, soam bem", exclamou enquanto o público a ajudava a cantar). "Oh, my beautiful people", dito de forma melosa, deu o mote para "Carmen" (e vai mais um cigarro), que precipitaria o final da atuação. Faltava, obviamente, "Video Games" (e medimos a eficácia do concerto pelo facto de não termos dado pelo tempo passar) - que mais uma vez a leva para junto dos fãs - e o novo single, "National Anthem", servido em dueto com o teclista. Depois de atirar um "Adoro-vos, vocês são os melhores", abandona o palco da mesma forma calma como entrou, escoltada por um segurança.
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23h00 - Nanna Øland Fabricius, mais conhecida como Oh Land, tem uma veia pop mais acentuada que a de Natasha Khan, mas há qualquer coisa na sua música, divertida mas com laivos de algum misticismo, e na sua bonita presença feminina que nos lembra o (belo) espetáculo de Bat For Lashes no mesmo palco, o EDP, ontem à noite. Comunicando com o público num inglês pouco ginasticado para quem está radicada em Nova Iorque, a dinamarquesa protagonizou uma atuação leve, bem disposta e muito dançante. Elogiando o cenário natural de pinheiros e luar bem "aceso" ("as pessoas parece que vêm para aqui saídas da floresta", comentou), a esbelta escandinava fez desfilar canções como "Lean", "Speak Out Now" e "White Nights" - com esta última prometeu mesmo manter os espectadores "acordados até de manhã". Com um fato coleante bem provocador e acompanhada por uma banda de dois músicos, Nanna "Oh Land" fez ainda lembrar a "vizinha" sueca Lykke Li, sobretudo quando se entretinha com a brandir baquetas - mas o que a Li sobra numa certa malícia, Oh Land ganha em doçura benigna.
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00h32 - "Obrigado por nos receberem", disse Ed Macfarlane no final do concerto suado dos Friendly Fires. "De nada", terão respondido os milhares que vibraram ao som das canções solarengas da banda britânica. O irresistível "Kiss of Life" foi o tema escolhido para encerrar, mas já antes "Live Those Days Tonight" e "Skeleton Boy" tinham deixado a plateia em polvorosa. Macfarlane, como é seu hábito, dançou como se tivesse menos ossos no corpo que os comuns mortais: ao quarto tema já tinha a camisa azul completamente ensopada, no final do concerto o cabelo escorria suor. O segundo e mais recente álbum ocupou grande parte do alinhamento, entre "Blue Cassette", o pegadiço "Hawaiian Air", a guitarra saltitante de "Pull Me Back to Earth", a mais contida "Hurting" e o momento íntimo de "Pala" (com Macfarlane na sua melhor personificação de George Michael). Correu bem, como já prevíamos, esta subida à primeira divisão (leia-se: a um palco principal) dos Friendly Fires.
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23h50 - No ano passado foi Legendary Tigerman a agitar as "águas" do Palco EDP. Este ano, Paulo Furtado trouxe ao Meco a sua orquestra soul-rock-and-roll: os Wraygunn, pois então, que com a precisão habitual instalaram um pandemónio de diversão no segundo palco do Super Bock Super Rock. E se falamos de Furtado, não podemos deixar de destacar, sem qualquer demérito para os demais músicos, a importância essencial de Raquel Ralha e Selma Uamusse para a alquimia dos Wraygunn: "Kerosene Honey", canção do mais recente L'Art Brut dedicada por Selma às "miúdas giras do festival", é apenas uma das muitas provas de que, sem estas senhoras, a banda de Coimbra não seria muito do que é. Além da voz, cheia de corpo e de cor, de Raquel e Selma, as duas cantoras enchem o palco de sensualidade e balanço, completando a receita já pouco secreta do sucesso dos Wraygunn em palco. "My Secret Love", "Don't You Wanna Dance", "Go Go Dancer" e "Drunk Or Stoned", com o seu irresistível chamamento tribal, levaram a atuação a bom porto - isto enquanto o acréscimo de público se traduz no modo "colónia de férias" de que não tínhamos saudades. "Os ingleses aguentam muito! Eu bebo dois copos e fico logo bêbeda!", comenta uma rapariga para a amiga, antes de comentar um riff dos conimbricenses com a tirada "Isto é muito Jack White!".
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01h10 - É relativamente fácil circular até frente do palco, nos minutos que antecedem o concerto de M.I.A.. E que longos minutos são esses: depois de um set a cabo da DJ da artista, seguiu-se a projeção de uma história protagonizada por divindades indianas. Só então, ao cabo de não menos de 15 minutos, a MC cingalesa entrou em palco, acompanhada de uma cantora de apoio (que muitas vezes se lhe substituiu), da mesma DJ da primeira parte e de um bailarino branco de quem fez gato-sapato (numa tentativa, supomos, de subverter o papel habitualmente reservado às mulheres negras). Com disco novo em breve, M.I.A. cresceu muito desde o primeiro concerto em Portugal, mais precisamente em Paredes de Coura, há cinco anos. Já o percebêramos em 2010, no Sudoeste, e esta noite a mulher de Arular confirmou que a sua ambição não é facilmente domável. "Há quem diga que eu dou lições, mas eu estou aqui para comunicar", esclareceu, já no encore. A comunicação é feita de forma caótica, com os decibéis e os kilowats no máximo: há ruído de helicópteros, sirenes estridentes e o som de carros de corrida que, cruzados com o jogo de luzes relampejante, configuram um ataque aos sentidos capaz de causar impacto, mas não necessariamente de passar uma mensagem. "Galang", resgatada ao óptimo primeiro disco, tal como "Bucky Done Gun"; "Boyz", o single do também recomendável segundo álbum, ou a inevitável "Paper Planes", com que Mathangi se tornou uma estrela nos Estados Unidos, via banda sonora do filme Quem Quer Ser Milionário, são exemplos da relativa diversidade na obra da londrina. Mas, ao vivo, tudo é submetido à mesma batida e aos mesmos efeitos na voz, dificultando a tarefa de entender o que é cantado ou discernir as diferenças entre temas. O colorido dos trajes e do palco - engalanado com fitas de papel, quase como nos santos populares - e a interação de M.I.A. com o público (em "Boyz", convidou uma data de fãs para o palco) são dois dos aspetos mais positivos de um espetáculo que, depois do glamour e da falsa fragilidade de Lana Del Rey, ofereceu um outro modelo de poder no feminino: a militância extravagante e cosmopolita da filha de um Tigre de Tamil. 02h47 - Num momento em que praticamente todos os olhos estavam concentrados em M.I.A., os urbano-deprimidos Horrors ofereciam as suas canções negras aos que se concentravam frente ao palco secundário. A banda do aquilino Faris Badwan, tal como a artista com origens no Sri Lanka, usou e abusou do reverb. Por entre altos muros instrumentais, lá conseguimos ouvir a voz de Badwan, sempre indecisa entre a devoção a Brett Anderson ou a um Peter Murphy era Bauhaus. Skying, editado em 2011, esteve obviamente em destaque, com o single "I Can See Through You" e as guitarras fortes de "Changing the Rain" a roubarem o protagonismo. Também a bateria seca de "Scarlet Fields" foi bem recebida pelas poucas centenas de resistentes e é com "Endless Blue" que nos vêm à cabeça uns saudosos Black Rebel Motorcycle Club, menos cerebrais mas, quanto a nós, bem mais entusiasmantes em palco na sua época áurea.
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Texto: Lia Pereira e Mário Rui Vieira Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos