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O Melhor de Maio: saiba que álbuns fizeram história nos últimos 31 dias

Conheça aqui as escolhas deste mês dos elementos da redação da BLITZ. Dê-nos a sua opinião sobre os álbuns escolhidos e diga-nos que discos marcaram, para si, o mês que hoje termina.

Escolhas de Lia Pereira:

Walter Benjamin - The Imaginary Life of Rosemary and Me O segundo álbum do português radicado em Londres é um trabalho de amor, onde participam os amigos B Fachada, Márcia e Francisca Cortesão, entre muitos outros. Mas a visão de conjunto é forte e a dispersão não atinge uma sequência de canções belíssimas, servidas pelos arranjos mais lustrosos do "pedaço" e pela voz quente de Luís Nunes.

Beach House - Bloom Victoria Legrand e Alex Scally continuam a crescer, tanto em notoriedade (estão no top português de vendas) como no som, mais robusto e cheio, sem que contudo se quebre o feitiço que emana de canções cintilantes como "New Year's Eve" ou "Myth". Para ver ao vivo no Porto, no Primavera Sound, e ler a entrevista na BLITZ de junho, já nas bancas.
Escolhas de Luís Guerra:

Father John Misty - Fear Fun Há algum tempo que este que vos escreve não ficava tão inesperadamente agarrado a uma rodela de plástico. Father John Misty, já se saberá por esta hora, era o baterista dos Fleet Foxes, anunciava-se como J. Tillman e, apesar de generoso na altura de mostrar obra feita, estava longe da vista. Até agora. Fear Fun é um monumento tecnicolor, requintados nos arranjos, esmerado nas letras, opulento sem ofuscar. Provavelmente, o melhor álbum de 2012 na altura de fazer contas (se a segunda metade do ano não disser nada em contrário). E o melhor jogo de ancas no pós-Jarvis Cocker (ainda imbatível), como mostra o vídeo que aqui se inclui.

ABBA - The Visitors (reedição) Não se vão embora já. Lançado em 1981, The Visitors - agora reeditado - é um disco contido e dorido. Está longe do glam eurofestivaleiro ou do disco sound (que os ABBA "picaram" nos anos anteriores). Os quatro suecos estavam prestes a dizer adeus e anunciavam pistas (não concretizadas) para uns anos 80 digitais. "I Am The City", a canção que aqui se destaca, estaria no best-of de 90% das bandas pop da década.
Escolhas de Mário Rui Vieira:

Scissor Sisters - Magic Hour Ao quarto álbum, o quarteto nova-iorquino mostra-se mais dançável - e direto ao assunto - que nunca. Divertidos na atitude, contundentes nas mensagens, como sempre, os Scissor Sisters rodearam-se de amigos, como Calvin Harris, a novata Azealia Banks ou os Neptunes de Pharrell Williams, para trazer novas pérolas à já respeitável coleção de boas canções pop. "Keep Your Shoes", "Let's Have a Kiki" ou "Baby Come Home" (video abaixo) prometem um verão bem divertido.

Garbage - Not Your Kind of People Demoraram mas a espera valeu a pena. Not Your Kind of People quebra o silêncio de sete anos dos Garbage e trá-los com uma energia que não lhes reconhecíamos desde os dois primeiros álbuns. Dúvidas? Ouça "Automatic Systematic Habit", "I Hate Love" ou o incendiário "Battle in Me" e fique sem elas. Regressos assim valem a pena.
Escolhas de Rodrigo Madeira:

Dr. John - Locked Down Este mestre do voodoo-blues explica como se pode fazer a revolução com 71 anos. Com a mão inflamada de Dan Auerbach dos Black Keys a ajudar. Rodrigo Madeira

Santigold - Master of My Make-Believe Se existe pop sem limites no século XXI, é esta senhora que a faz. Valeu esperar quatro anos por este segundo registo mais maduro, colorido e na proporção certa entre melodia e experimentação.

Norah Jones - Little Broken Hearts Depois de mandar o jazz e o country dar uma volta, Norah Jones e Danger Mouse fazem um disco sedutor desencantado que vícia. É neste registo íntimo que gostamos mais de a ouvir.
Escolhas de Rui Miguel Abreu:

Reedições My Bloody Valentine Loveless, Isn't Anything e EP's 1988-1991, três reedições que há muito mereciam ser feitas e que acabam com o tormento de quem procurava este som com enquadramento presente.

Ariel Pink & R. Stevie Moore - Ku Klux Glam Um mestre e um discípulo a provarem que há uma maneira errada de fazer música pop mas que ainda assim soa tão bem. Para ouvir mesmo antes de dormir: faz mais sentido quando sonhamos.

Reedições José Afonso Traz Outro Amigo Também (1970), Cantigas do Maio (1971) e Eu Vou Ser Como a Toupeira (1972), três álbuns fundamentais de Zeca Afonso num período de fervoroso empenhamento criativo e ideológico que renderam muitos clássicos para o cancioneiro português, muitas ideias para a liberdade, muitos hinos para mais do que uma geração.

Reedições Sétima Legião A reedição da obra integral da Sétima Legião vem a tempo de se comemorar uma data redonda (30 anos de existência), mas também de perceber que há marcas que esta música deixou nas novas gerações. Havia, por exemplo, ex-membros dos Golpes na celebração que a Sétima assinou no Coliseu dos Recreios. E nada é por acaso.