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Morreu António Sérgio, mestre da rádio em Portugal

Um dos maiores divulgadores de música em Portugal faleceu inesperadamente esta madrugada, aos 59 anos.

O radialista António Sérgio, uma das figuras mais importantes na divulgação de música em Portugal, faleceu este Domingo cerca das sete da manhã, aos 59 anos, de forma inesperada. O velório de António Sérgio tem lugar a partir das 18h00 de hoje, domingo, na Basílica da Estrela, em Lisboa. Amanhã dia 2 de Novembro realiza-se uma missa de corpo presente às 15h00 na Igreja da Basílica das Estrela, saindo às 16h00 o cortejo para o Cemitério dos Prazeres. Na próxima semana, o programa de António Sérgio na Radar - "Viriato 25" - será emitido como habitualmente, pois já se encontrava gravado. António Sérgio foi o mais importante divulgador de música "da frente" desde os anos 70 em Portugal. Na Rádio Renascença ou na Rádio Comercial,e posteriormente na XFM, Best Rock e Radar, foi autor de programas, juntamente com Ana Cristina Ferrão, que marcaram gerações e abriram Portugal à música mais aventureira produzida no mundo. Programas como Rotação (de 1977 a 1980), Rolls Rock, Som da Frente (de 1982 a 1993), Lança-Chamas, O Grande Delta (de 1993 a 1997) e, ultimamente, A Hora do Lobo ou Viriato 25 abriram os ouvidos de milhares de portugueses ao longo das décadas, sobretudo numa época em que o acesso ao "novo" era tarefa dificultada pela não existência de discos à venda em Portugal, ou programas de rádio em consonância com aquilo que se fazia "lá fora". Trabalhou ainda com as editoras Nébula e Música Alternativa.

António Sérgio colaborou durante vários anos com o jornal BLITZ, onde era responsável pelo suplemento mensal Manifesto. Trabalhou também na indústria discográfica, sendo autor da polémica edição da colectânea Punk Rock 77, um caso que chegaria aos tribunais. Na editora Nova foi um dos produtores do álbum "Música Moderna", dos Corpo Diplomático, que mais tarde dariam origem aos Heróis do Mar. Dirigiu o selo Rotação da editora Rossil, onde se estrearam uns tais Xutos & Pontapés, com o single Sémen. Sérgio seria aliás creditado como produtor do primeiro álbum da banda. Os Xutos seriam, por sua vez, os autores do genérico do programa de rádio O Som da Frente. Premiado com um Globo de Ouro da SIC na categoria de Rádio, António Sérgio completara, em 2008, 40 anos dedicados àquele ofício e foi considerado pela BLITZ uma das 50 personalidades mais importantes da música portuguesa. Ainda este mês, participara na eleição dos melhores discos de sempre da música portuguesa, iniciativa que marcou os 25 anos de BLITZ. Pela sua importância na divulgação musical e pela paixão pelo rock, António Sérgio era conhecido como "O Mestre" ou "o John Peel português". À família de António Sérgio, Ana Cristina, Paulo, Fausto e Sofia, a BLITZ endereça os seus mais sentidos pêsames. Sérgio, aqueles que amam a música e a sua partilha te saúdam mais uma vez, que não a última. Texto de Miguel Francisco Cadete Foto de Rita Carmo/1994 Recorde aqui parte da entrevista de António Sérgio à BLITZ, publicada no final de 2007