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José Mário Branco: "Os problemas dos jovens hoje são menos em carne viva"

Em entrevista à BLITZ de abril, já nas bancas, José Mário Branco reflete sobre música e sociedade contemporâneas.

Em entrevista à BLITZ de abril, já nas bancas, José Mário Branco reflete sobre as conquistas do 25 de abril, os problemas dos jovens de hoje ou o poder dos media na sociedade contemporânea. À pergunta "Acha que esta geração - dos computadores e crédito fácil para comprar carro, das facilidades no acesso à educação e saúde - ainda tem razões para protestar?", responde o histórico da música portuguesa: "Acho que sim. Acho que os problemas dos jovens hoje são, digamos, menos dramáticos, menos em carne viva do que eram no nosso tempo. Quando eu tinha a idade que eles têm agora, percebi que os jovens eram obrigados a tomar decisões gravíssimas todos os dias. O mundo era a preto-e-branco: 'ou falas ou não falas, ou vais ou não vais, ou contradizes e criticas o professor ou ficas calado'. Todos os dias havia que tomar decisões sobre coisas que podiam gravemente afetar a nossa vida, como a decisão de não ir para a guerra". A mim essa decisão custou-me 11 anos de exílio. Eu decidi que não estava disposto a participar nessa guerra, contra até a opinião do partido a que pertencia - porque o Partido Comunista achava que devíamos ir para a guerra para fazer por lá o nosso trabalho político. Havia portanto que tomar opções e eu fugi para França com um passaporte legal cujo prazo acabava daí a quatro dias...". "Tive que pensar a quem pedir dinheiro, quem ia saber que eu ia fugir. Nem a minha namorada, nem os meus pais, ninguém soube que eu ia fugir naquele dia 10 de junho de 1963. Dois amigos emprestaram-me um conto de reis, para apanhar o avião de Vigo a Madrid e daí o comboio para Paris onde cheguei com 50 francos no bolso". Leia a entrevista com José Mário Branco na íntegra, na BLITZ de abril, já nas bancas. Foto de: Rita Carmo/Espanta Espíritos

José Mário Branco, entrevistado por Rui Miguel Abreu e fotografado por Rita Carmo na BLITZ 58