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BLITZ Convida Fonzie: "Com as bandas grandes aprendemos o que não fazer"

Hugo Maia, vocalista dos Fonzie, fala sobre nova direção da banda e conta os bons - e maus - exemplos aprendidos com artistas de renome internacional, na segunda edição da iniciativa BLITZ Convida.

No vosso novo disco, Caminho, optaram por cantar em português. Qual a razão desta decisão e como têm os vossos fãs reagido a esta mudança? Foi um conjunto de factores [que determinou a mudança]. No início de 2009, quando estávamos em fase de composição, surgiu uma música em que decidimos meter uma letra em português, e como andávamos, ao mesmo tempo, à procura de um novo estúdio em Portugal que nos garantisse uma boa qualidade de som, decidimos fazer essa experiência, quase como um teste ao estúdio e para ver como soava uma música nossa em português. Como ficámos contentes com o resultado, decidimos gravar um vídeo em que o conceito fosse um apadrinhar da nossa primeira música em português, e que nos fizesse lembrar o espírito do Johnny Guitar no início dos anos 90. Para isso convidámos pessoal amigo de Xutos, de Braindead, de Lulu Blind, de Peste & Sida, entre outros. Na altura oferecemos a música para download gratuito, e de repente a música rebentou e passou a ser o momento alto dos concertos. O feedback foi de 99,9% do público a pedir para fazermos mais músicas em português. Como gostamos de abraçar novos desafios, decidimos guardar as músicas que estavam prontas para ser gravadas em inglês na gaveta, e avançar para a gravação de 14 ou 15 malhas em português. Como é obvio, com nenhuma banda no mundo vai haver unanimidade, vai haver sempre alguém a dizer que não gosta disto ou daquilo, mas em termos gerais, para nós, o resultado final tem vindo dia após dia a superar todas as expectativas a todos os níveis.

Nas fotos de promoção do novo disco, os Fonzie aparecem numa floresta. Onde foi feita essa sessão? As fotos foram feitas na serra de Sintra onde o conceito é ver os quatro elementos dos Fonzie em direcção a um novo "Caminho", título deste nosso novo álbum. 

Qual a coisa mais inesperada ou bizarra que um fã já fez pelos Fonzie? Acho que nunca houve nada assim de bizarro, mas já recebemos algumas coisas, mais até pela cultura de cada país. Por exemplo, no Japão faz parte da cultura os fãs, quando vão conhecer a banda, oferecerem pequenos presentes. Lembro-me também de, num concerto em São Paulo, uma fã me oferecer uma guitarra personalizada com o meu nome, data e local do concerto gravados. Tocar em festivais só com bandas HxC e fazer novos fãs, em clubes góticos com bandas de black metal e fazer novos fãs... Por isso, o mais inesperado é o respeito com que sempre fomos recebidos em todos os locais por onde passámos, vindo nós de um país cuja cultura musical é, para muitos, totalmente desconhecida.  A carreira dos Fonzie contempla várias digressões internacionais. Quais as memórias mais marcantes que guardam dessas longas viagens? As memórias que ficam são a primeira vez em cada território visitado, em primeiro lugar porque eu venho de um bairro social de Lisboa (Casalinho da Ajuda), de uma família onde o dinheiro que havia era ao limite para comer, e nunca na minha vida sequer ia imaginar que poderia ir até Espanha, ou andar de avião, quanto mais viajar pelo mundo a fazer aquilo de que gosto, e que consegui com os restantes elementos da banda, sem nunca termos tido a ajuda de ninguém. Por isso, todas essas digressões têm um duplo sabor: relembrar sempre como começámos, apenas por brincadeira e com o sonho de um dia virmos a fazer uma tour lá fora, e chegar a outro país e ver um clube cheio com o pessoal todo a cantar as nossas músicas que fizemos no local onde ensaiávamos. Ir na rua na Austrália e reconhecerem-te pelo trabalho que fizeste, conhecer novas culturas e cidades dia após dia, fazer novos amigos, e com o passar de anos ver esse reconhecimento a aumentar cada vez mais, é algo a que apenas quem o vive poderá dar valor.  Já tocaram nos mesmos festivais que Linkin Park, Korn, My Chemical Romance, Offspring... Que banda vos marcou mais, pela sua postura em palco? Para ser sincero com essas bandas "grandes" até aprendemos mais o que não devemos fazer, do que realmente o que gostávamos de fazer. Posso dar o exemplo da última vez que tocámos com Linkin Park e a maneira de como os vi sair do palco, cada um com um carro na boca do palco com escolta policial para os levar directamente para o hotel, com tudo tapado para nem sequer quem estivesse atrás do palco os visse a entrar nos carros... São pequenos detalhes que não fazem parte do pensamento dos Fonzie. O lado positivo é tocarmos num festival em Itália com The Hives, Offspring, Nofx, My Chemical Romance, Pennywise, Toy Dolls, Millencolin, entre outros, e todas essas bandas verem-nos como colegas de trabalho, reconhecerem-nos mérito por ali estarmos e convivermos de igual para igual. Mas acho que a banda que mais me marcou pelo profissionalismo foram os Sick Of It All: a vontade, energia e sinceridade que iam naquele palco fazem-me querer dar sempre o máximo de mim, seja em frente a 10 ou 10 mil pessoas.  

Os Fonzie apresentam o novo disco com concertos no Teatro da Comuna, em Lisboa, e no Hard Club, no Porto, a 29 e 30 de outubro, respetivamente. Ambos os espetáculos começam às 22h00.