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Morreu a atriz Mariema, criadora de “O fado mora em Lisboa”

A atriz que também se celebrizou a cantar o fado morreu este domingo no Hospital de Santa Maria, em Lisboa

A atriz Mariema morreu no domingo à noite, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, disse hoje à agência Lusa fonte da Casa do Artista, onde a atriz residia.

Mariema Mendes de Campos, que não gostava de revelar a data de nascimento, nasceu em Lisboa, no bairro de Campo de Ourique, e foi a criadora do tema "O Fado Mora em Lisboa".

Começou cedo a cantar a fado, sobretudo para os amigos, mas foi num dos restaurantes onde cantava para amigos que a fadista Deolinda Rodrigues a descobriu e que falou para que ela entrasse para o teatro, segundo refere Vítor Duarte Marceneiro, no seu blogue "Lisboa no Guiness".

Em 1964, estreou-se no teatro ABC, no Parque Mayer, como atração, na revista "É regar e por ao luar", onde voltou em 2015, ao Teatro Variedades, para fazer "Quer... é Parque Mayer".

No mesmo ano, fez parte do elenco de "Três (Velhas) Irmãs", "uma memória de Tchekov", de Martim Pedroso, que esteve em cena no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, em em que a atriz contracenou com Graça Lobo e Paula Só.

As últimas atuações de Mariema passaram também por programas de televisão, como a série "Conta-me como foi", e por participações em filmes como "Refrigerantes e Canções de Amor", de Luís Galvão Teles, "Axilas", de José Fonseca e Costa, e "Os Gatos Não Têm Vertigens", de António-Pedro Vasconcelos.

"Ai venham vê-las", também no ABC, - onde fez a sua primeira rábula, "Gémeas", contracenando com Fernanda Borsatti, e "Sopa no Mel", no teatro Maria Vitória, para onde transitou depois do ABC, foram outras das revistas em que atuou.

No teatro Variedades, Mariema fez parte do elenco da revista "A Ponte a Pé", e o sucesso fez com que, a partir daqui, e durante três temporadas, tenha feito dupla com José Viana.

Colaborou com Filipe La Féria nos programas "Grande noite" (1992/1993), "My fair lady" (2004) e "Amália" (2005).

Segundo a crítica de teatro da época foi, porém, na revista "Pão, Pão, Queijo, Queijo...", que se afirmou como uma das atrizes mais originais do teatro português, como recorda uma nota biográfica dos Artistas Unidos, companhia dirigida por Jorge Silva Melo, que escolheu a artiz para duas peças de teatro na primeira década de 2000: "Seis personagens à procura de autor", de Luigi Pirandello, e "Sangue Jovem", de Peter Asmussen.

Na peça de Pirandello, em 2009, encenada por Jorge Silva Melo, Mariema contracenou com Lia Gama e João Perry, entre outros, numa versão que subiu ao palco do Teatro Municipal S. Luiz, em Lisboa.

"Sangue Jovem", de Peter Asmussen, foi encenada por Silva Melo, em versão radiofónica, para a Antena 2. Lurdes Norberto, Amélia Videira e Rúben Gomes completaram o elenco.

As produções televisivas "Ouro negro" (2017), "Santa Bárbara" e "Massa fresca" (2016), "Sol de Inverno" (2013), "Velhos amigos" e "Os compadres" (2011), "Liberdade 21" (2009), "Morangos com Açúcar" (2008) contaram igualmente com o desempenho de Mariema.