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Charles Aznavour

JOEL SAGET

Charles Aznavour (1924 - 2018): o “homem simples” que vendeu mais de 180 milhões de discos

Grande ícone da música francesa, o cantor morreu este domingo, aos 94 anos

Morreu o cantor Charles Aznavour, um dos grandes ícones da chamada chanson française. Tinha 94 anos.

As causas da sua morte não foram imediatamente reveladas, tendo o óbito sido confirmado pelo assessor de imprensa de Charles Aznavour à agência francesa de notícias AFP. O cantor faleceu em sua casa na Provença, sul de França.

Ao longo de uma carreira com mais de 70 anos, Aznavour - de seu nome de nascimento Shahnour Vaghinag Aznavourian - gravou mais de 1200 canções, em oito línguas diferentes. Escreveu também temas para outros artistas, compondo mais de mil.

No total, vendeu mais de 180 milhões de discos por todo o mundo, sendo considerado por muitos como "o Frank Sinatra francês". Em 1998, uma votação da CNN e da revista Time elegeu-o como o Artista do Século XX, à frente de nomes como Elvis Presley e Bob Dylan.

Charles Aznavour nasceu a 22 de maio de 1924, em Paris, tendo começado a cantar com tenra idade: aos nove anos, já havia abandonado a escola e participado em peças de teatro e filmes.

A sua maior exposição mediática deu-se após conhecer uma outra lenda da música francesa, Édith Piaf, que o levou consigo em digressões por França e pelos EUA.

De origem arménia, Aznavour chegou a ser embaixador desse país na Suíça, em 2009, e apontado como delegado permanente da Arménia para as Nações Unidas.

No mundo anglófono, Aznavour é sobretudo lembrado por 'She', canção que chegou ao primeiro lugar das tabelas de vendas do Reino Unido em 1974. A sua lista de colaborações é extensa: Édith Piaf, Fred Astaire, Frank Sinatra, Elton John, Serge Gainsbourg e Bob Dylan - que o considerou "um dos maiores intérpretes que já viu ao vivo" - foram alguns dos grandes nomes com quem cantou.

Portugal também não lhe era alheio. Na década de 50, escreveu 'Ay, Mourir Pour Toi' para Amália Rodrigues, com quem partilhava uma forte amizade. A sua última atuação por cá data de 2016, quando se apresentou na Altice Arena.

Em entrevista ao Expresso, nesse mesmo ano, Aznavour rejeitava o rótulo de ícone ou de estrela que lhe era imposto por críticos e fãs: "Eu escrevo, não passo o tempo ao espelho a dizer 'sou o maior', tenho horror disso. Sou um homem simples, um artesão, não sou uma estrela, tenho a minha profissão".