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Nick Cave no NOS Primavera Sound 18

Rita Carmo

Nick Cave responde aos fãs: “Percebi que não estava sozinho na minha mágoa e que muitos de vocês também estavam a sofrer”

O músico australiano aceitou responder às perguntas dos fãs. Na primeira resposta, explica como voltou a escrever canções e como isso o ajudou a lidar com o luto da morte do filho

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Nick Cave, que no passado mês de junho atuou no NOS Primavera Sound, no Porto, aceitou responder às perguntas dos seus fãs, por escrito.

A uma pergunta de um fã polaco, chamado Jakub, sobre a forma como os recentes acontecimentos na vida de Nick Cave mudaram, ou não, a sua forma de escrever canções, o australiano reagiu com uma reflexão sobre o seu processo criativo.

“As boas notícias são que no último ano tenho-me sentido muito ligado à minha escrita. Algo mudou, sem dúvida, e escrevi muita coisa nova. Nem consigo explicar como me sinto aliviado. Estou a escrever muito mais e, na minha opinião, o que escrevo é forte. Mas tens razão: durante um ano foi difícil perceber como escrever, porque o centro tinha desabado e a Susie e eu fomos mandados para os confins das nossas vidas. Éramos forasteiros a vaguear no espaço”, diz, referindo-se à sua mulher.

“Mas o que desabara? O que está no centro das nossas vidas? No caso dos artistas (e talvez seja assim para toda a gente), diria que é a capacidade de nos maravilharmos. As pessoas criativas geralmente têm uma grande propensão para se maravilharem. Os grandes traumas podem tirar-nos isso, a capacidade de nos deixarmos deslumbrar. Tudo perde o seu brilho e parece fora de alcance. Estávamos a sobreviver, mas a sobreviver num exílio, no perímetro das nossas vidas, muito longe de tudo o que importa”.

Para Nick Cave, a forma de regressar à sua própria vida e de recuperar a capacidade de se maravilhar passou pelo trabalho e pela comunidade.

“Percebi que não estava sozinho na minha mágoa e que muitos de vocês, de uma forma ou outra, estavam a sofrer as vossas próprias tristezas e a fazer os vossos próprios lutos. Senti-o nas nossas atuações ao vivo. Senti que o que nos unia era o sofrimento. Essas duas coisas - a comunidade e o trabalho - mostraram-nos como seguir em frente”.

O trabalho funcionou, defende Nick Cave, como uma bóia de salvação, quando o casal “flutuava no narcisismo e no egocentrismo. E tornou-se muito claro que não estávamos sozinho! Vimos que há muitos outros por aí, flutuando no escuro, do lado de fora das suas próprias vidas”.

“Sentei-me e escrevi e escrevi, e foi assim que consegui regressar para o outro lado. Senti que o sofrimento comunal e a nossa capacidade para transcendê-lo é o que nos aguentava juntos. Esta mundividência não é pessimista, muito pelo contrário. Tornou-se evidente que, enquanto seres humanos, temos uma enorme capacidade para nos elevarmos do nosso sofrimento - como se estivéssemos programados para a transcendência”.

“Respondendo à pergunta - se a forma como escreve letras mudou -, diria que se deslocou. Encontrei uma forma de escrever além do trauma, que aborda todo o tipo de assunto mas não vira as costas à morte do meu filho. Com alguma prática, percebi que a imaginação pode transformar-se na capacidade de nos maravilharmos. E ao fazê-lo, as coisas voltaram a ter cores e o mundo passou a parecer cristalino, brilhante e novo”, confessa, sentindo-se muito bem por ter voltado a ter “um caderno cheio de palavras”.

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