O regresso triunfal de Anselmo Ralph ao Sol da Caparica
17.08.2018 às 11h21
Músico angolano voltou a brilhar perante milhares de pessoas, num concerto que só pecou pelo uso em demasia de elementos pirotécnicos
Passaram-se quatro anos da estreia de Anselmo Ralph n’O Sol da Caparica, altura em que o músico assinou um dos melhores concertos daquela que foi a primeira edição do certame. Com um espectáculo a condizer, Ralph levou milhares ao rubro na margem sul, à boleia de temas como 'Única Mulher' e 'Não me Toca', dois trunfos que se evidenciaram mais do que infalíveis. Quatro anos depois, no regresso ao local do crime, torna-se legítimo perguntar: o que mudou? Muita coisa. E praticamente nada.
O alinhamento assemelha-se ao de 2014, mas com a particularidade de incorporar temas novos como 'Por Favor DJ', retirado de Amor é Cego e responsável por uma das maiores celebrações da noite de ontem, com direito a coros afinados por parte do público que, regra geral, não deixou uma estrofe que fosse das canções apresentadas por cantar – eram muitos os jovens a assistir ao concerto mas também homens e mulheres de idade adulta, alguns certamente repetentes nesta peregrinação.
Houve também uma clara consolidação do exercício ao vivo, resultado de vários quilómetros de estrada percorridos. Em 'Única Mulher', Ralph muniu-se da sua experiência em palco para conduzir os presentes por onde bem lhe apeteceu. Começou por perguntar a alguns casais há quanto tempo duravam as suas relações, para, logo de seguida, questionar o elemento masculino se a parceira é realmente a única mulher na sua vida. Remata o assunto afirmando que a dona do seu coração está em casa e que esta música havia sido escrita para ela. A euforia toma conta da plateia e Anselmo aproveita para pedir luzes de telemóvel no ar enquanto pede para cantarem a música a plenos pulmões – “agora com mais força, como se tivessem ganho o Euromilhões”, desafia.
Acompanhado na bateria, baixo, guitarra (eficaz solo em 'Está Difícil'), teclas, trompete, saxofone e coro, Anselmo Ralph deu voz a 'Promessa', 'Curtição' e 'Estás no Ponto', entre outras, e ainda serviu as kizombas 'Assumir Barulho' e 'Atira Água' para jubilo dos presentes que não se fizeram rogados na hora de ensaiar alguns passos. Talvez o uso e abuso dos canhões de fumo e o incessante recurso à pirotecnia (perdemos-lhe a conta logo no final das primeiras músicas) sejam o único ponto menos positivo das suas actuações, pois, às tantas, acaba por suplantar o próprio espectáculo que se desenrola com notável profissionalismo. O remate, claro, só podia ter surgido no balanço de 'Não Me Toca', aquele que terá sido o principal passaporte de toda uma nação para a obra do músico angolano, obviamente entoado por todos e com direito a danças de proximidade.
No final de contas, o que não mudou de todo desde 2014? O carinho que o público sente por Anselmo Ralph e vice-versa. Parece haver uma espécie de reciprocidade neste campo que vale ao artista mais um troféu a sul do Tejo. E merecido que é.
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