O Sol da Caparica: Jorge Palma dedica 'Bairro do Amor' a Phil Mendrix
17.08.2018 às 12h02
Sozinho no piano, o músico português percorreu vários pontos da sua obra, incluindo os grandes êxitos, e ainda homenageou Filipe Mendes, amigo que faleceu há dias
Por norma, um artista aproveita a passagem por um festival para artilhar a sua performance ao vivo com elementos que não fazem normalmente parte da formação original e/ou fazer-se acompanhar de convidados especiais para dar outra riqueza ao momento. No concerto de ontem, n’O Sol da Caparica, Jorge Palma fez precisamente o contrário. Despiu-se da sua banda e apresentou-se sozinho em palco, brincando ainda com o acontecimento nos momentos que antecederam a interpretação de 'Só' – “a minha banda fez greve hoje”, disse ao microfone.
Auxiliado apenas pelo seu piano de cauda, ladeado por uma projecção vídeo, com conteúdos de André Tentugal (a dada altura a imagem do ledwall alterna entre esses mesmos conteúdos e uma câmara live apontada para as mãos do músico, como forma de provar a sua destreza nas telas), e circundado por oito holofotes apontados a si (que encaixaram na perfeição com a interpretação de 'A Canção de Lisboa', altura em que as imagens mostraram as ruas de uma capital abandonada e metaforicamente iluminada por tal conjuntos de candeeiros estáticos), Jorge Palma viajou por alguns dos momentos-chave da sua carreira, como 'Deixa-me Rir', 'Frágil' e 'Na Terra Dos Sonhos', não se deixando intimidar por um público que, na sua maioria, aguardava pela entrada em cena dos cabeças de cartaz da noite.
“Queria dedicar uma música a um grande músico e amigo que nos deixou há dois dias”, partilhou com o público, “é o Filipe Mendes, Phil Mendrix, que, como disse o Manuel João Vieira, 'fugiu do hospital'”. Com isto, atira-se a 'Bairro do Amor', onde, segundo a letra, “não há prisões nem hospitais”. Os aplausos não se fizeram tardar, impulsionando Palma à leitura de 'Ai Portugal Portugal', secundado por um vídeo que mostra um lobo a cercar um rebanho de cordeiros, naquilo que aparenta ser uma alusão e um paralelismo com o conteúdo da música. O remate acontece com 'A Gente Vai Continuar', com a mesma câmara que filmara anteriormente planícies e sobrevoara terrenos montanhosos a mostrar agora imagens de icebergues e outras superfícies de gelo. No final, Palma salta do piano, vem à frente, agradece ao público e despede-se sorridente. Missão cumprida.
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