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Diogo Piçarra

A caminho do MEO Sudoeste. Diogo Piçarra: “Se mantiver um estilo de vida saudável, acho que aguento mais 20 anos”

A meio de um verão cheio de concertos, o cantor de Faro explica por que razão o MEO Sudoeste é, para si, um festival especial. E promete levar surpresas para a Zambujeira do Mar

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Um dos cantores pop mais populares de Portugal, Diogo Piçarra regressa este verão a um festival onde já foi feliz, em palco e fora dele: o MEO Sudoeste, no qual atua no último dia, 11 de agosto. À BLITZ, o músico do Algarve conta-nos como tem sido a sua atual digressão e quais os planos para o futuro próximo.

Estamos sensivelmente a meio da época festivaleira. Como tem corrido o seu verão de concertos?
Tem sido um verão em cheio. Não esperava que fosse tão bom como o do ano passado, que também foi cheio de surpresas, com concertos em Macau, França, Suíça, Brasil... Mas está a ser tão bom ou melhor, pois já subi ao palco do Rock in Rio, vou novamente ao MEO Sudoeste... Apesar de cansativo, tem sido muito gratificante e divertido, porque dar concertos é o que gosto mais de fazer.

O concerto no palco principal do Rock in Rio foi especial?
Sem dúvida. É um festival ao qual já tinha ido como espectador e nunca esperei um dia poder subir àquele palco e partilhá-lo com Muse ou com os artistas que atuaram no dia a seguir, como Anitta ou Bruno Mars. Foi uma aposta de confiança, que agradeço não só por confiarem em mim como na música portuguesa.

Ainda se lembra da primeira vez que foi a esse festival, como espectador? A Carolina Deslandes lembrava-se com rigor...
Lembro, porque não foi assim há muito tempo. Foi em 2014, creio, porque comecei muito tarde neste mundo dos festivais. O meu primeiro festival foi o Sudoeste, em 2012 - nunca tinha ido a qualquer festival e só comecei porque, depois do Ídolos, a produção deu-me um miminho: ofereceu-me um bilhete para o Sudoeste. Fui com a SIC e foi muito divertido, fiquei lá com [a equipa da] produção... A partir daí, tenho ido todos os anos ao Sudoeste, seja como espectador ou, desde 2015, como artista.

Então nunca passou pela experiência de acampar no MEO Sudoeste?
Nunca! Com muita pena minha. Quando me lembrei disso, já era muito tarde e acampar seria um pouco arriscado. (risos)

Do que gosta mais no MEO Sudoeste? Do ambiente?
Acima de tudo é isso. Para os jovens que estão lá a acampar, é uma semana ou duas de muitas experiências, com concertos ou sem concertos, porque durante o dia têm muitas atividades: o canal [de rega], um DJ no canal... todo o campismo, a praia lá perto. É uma experiência inesquecível para os mais jovens e, se eu fosse lá pela primeira vez, sentiria que era o melhor festival do mundo. Quando os concertos começam, nós, os artistas, sentimos aquela energia: as pessoas estão lá para se divertirem e já vêm com uma grande pedalada. Eu vou atuar no último dia, 11 de agosto. Já vou apanhar as pessoas com uma semana de festival e acho que elas vão querer acabar em grande.

O famoso canal de rega do MEO Sudoeste, que funciona como praia do recinto

O famoso canal de rega do MEO Sudoeste, que funciona como praia do recinto

Rita Carmo

O MEO Sudoeste foi também o primeiro festival a dar amplo espaço às músicas mais urbanas, que atualmente dominam os cartazes...
Exatamente. Começou por ser mais rock, há uns 20 anos, e agora é um festival que percebe aquilo de que o público mais jovem que lá vai gosta e, de há dez anos para cá, tem apostado mais em música eletrónica e artistas urbanos. A prova de que têm acertado sempre em cheio nos nomes do cartaz é que o festival está sempre cheio.

Quando toca em festivais, consegue ver concertos de outros artistas?
Não consigo ver muita coisa. Depois de um concerto, não dá jeito ir lá para a frente, que é o que gostava mais de fazer, então fico atrás do palco mas não se percebe nada, há muito barulho... Infelizmente é a sina do músico: mesmo em feiras e festas mais pequenas, se tiver um grande artista a seguir a mim, como Amor Electro ou Pedro Abrunhosa, quando eles estiverem a tocar eu estarei a dar autógrafos ou vou logo descansar. Mas sempre que tenho algum tempo livre, o meu hobby é ir ver concertos, seja na Altice Arena ou num festival. E quando não dá, vejo em DVD ou no YouTube!

Qual o último concerto que viu ao vivo?
Sam Smith na Altice Arena. Foi memorável. Já o tinha visto no NOS Alive, mas num concerto próprio, com produção própria, é completamente diferente. Lembro-me que quase chorei e é raro eu ser tão lamechas um concerto! Foi muito bonito.

Diogo Piçarra atua no MEO Sudoeste a 11 de agosto, o último dia do festival

Diogo Piçarra atua no MEO Sudoeste a 11 de agosto, o último dia do festival

Rita Carmo

Ficou surpreendido com a notícia da overdose da Demi Lovato, que tal como o Diogo atuou no Rock in Rio?
Fiquei muito surpreendido, sobretudo depois de ter visto o concerto dela, onde me parecia muito bem, muito sóbria e muito consciente. Envio muita força para ela e para os familiares e amigos. Depois de ter visto o grande concerto que deu no Rock in Rio, foi um grande choque para mim [saber do sucedido].

É fácil manter-se saudável e motivado com concertos quase todos os dias?
Sempre. Desde que mantenha uma vida saudável, a comer bem e a fazer muito exercício... Eu gosto muito de praticar desporto e é isso que me aguenta um mês a fazer uma tournée ou um agosto em que tenho quase tantos concertos como dias do mês. Vai ser uma luta, mas eu aguento. Ainda sou novo, por isso aguento muita coisa. Se mantiver um estilo de vida saudável, acho que aguento mais 20 anos.

Para o concerto do MEO Sudoeste vai levar alguma surpresa? Convidados especiais, por exemplo?
O objetivo é levar algumas surpresas. Vou ter dois convidados e apostar mais no espetáculo. Não vou inventar muito no concerto, que está mais do que estruturado, mas sim no espetáculo em si, seja na pirotecnia, nos vídeos, nas luzes, nos figurantes que estarão em palco. Vou tentar oferecer a todos os presentes uma noite memorável.

Diogo Piçarra em palco no MEO Sudoeste, em 2016

Diogo Piçarra em palco no MEO Sudoeste, em 2016

Rita Carmo

No seu Facebook escreveu que, ao visitar o Pico, nos Açores, encontrou o “paraíso”. É um privilégio poder conhecer esses locais em digressão?
Ainda que não tenha muito tempo para conhecer as cidades a que vou, é sempre um privilégio conhecer sítios tão bonitos como a Madeira e os Açores, que nunca esperei visitar e onde agora vou todos os anos. Só me falta conhecer três ilhas dos Açores - Flores, São Jorge e Corvo - e tem sido um privilégio conhecer as pessoas e a comida e sentir que cá dentro temos o nosso paraíso, antes de irmos à Tailândia ou às Maldivas. Até mesmo a nossa Lisboa: ainda ontem passava no Terreiro do Paço, vi o pôr-do-sol e pensei: se isto fosse em Itália, estávamos todos malucos, mas como é em Lisboa, já não ligamos. O único dia de praia que fiz este ano, por exemplo, foi nos Açores - tinha um dia livre e fui a uma praia em São Miguel de pedras e areia negra, o que também foi uma novidade para mim.

Até outubro, pelo menos, tem a agenda cheia. E depois, quais os seus planos? Trabalhar em música nova?
Vou tentar apostar em algumas colaborações, não só fazendo featuring mas também tentando compor com alguns artistas internacionais, não muito conhecidos, de Espanha, Brasil e quem sabe alguns latinos. E preparar o ano de 2019, que será mais calmo em termos de concertos mas com algumas coisas novas, que vou anunciar no final do ano.