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Primeiro concerto dos Tokio Hotel em Portugal foi há 10 anos. E houve gritos agudos, sutiãs e preservativos

A banda alemã era um dos fenómenos 'teen' mais aguerridos em Portugal em 2008. Depois de um concerto cancelado em março, no fim de junho os Tokio Hotel apareceriam mesmo no então Pavilhão Atlântico. Recordamos a reportagem e as fotos

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Ao entrar no Pavilhão Atlântico, em dia de vai ou racha para os Tokio Hotel, não é o movimento de gente que impressiona. As bancadas estão cheias - de fãs e de cartazes, quase todos escritos em alemão - mas a plateia encontra-se bastante rarefeita. O que impressiona, mal se transpõe as portas da maior sala de espectáculos de Lisboa, é o som. As jovens que se concentram frente ao palco - possivelmente, as mesmas que acamparam uma semana frente ao Atlântico e se transformaram em motivo de reportagem em todas as televisões - unem-se num inacreditável grito colectivo de cada vez que a música ambiente deixa de se ouvir. Julgando que Bill Kaulitz, Tom Kaulitz, Georg Listing e Gustav Schäfer, os adolescentes que há oito anos criaram os Tokio Hotel, estão prestes a entrar em palco, as espectadoras mais afoitas abrem a goela e produzem um som tão alto e agudo que se diria capaz de perfurar ouvidos menos preparados.

Os ânimos estiveram ao rubro no Pavilhão Atlântico Dizemos "elas" porque, como seria de esperar, a esmagadora maioria do público é feminino. Há mulheres (mães que acompanham as filhas e, em muitos casos, também conhecem as letras), raparigas adolescentes e muitas, muitas meninas, como a criança de oito anos que vimos de mini-saia branca, leggings pretos com a palavra "sexy" estampada e lábios pintados de batom negro. A seu lado, a mãe acode-lhe nos momentos de maior excitação. À hora marcada, os rapazes que todas estas raparigas queriam ver - desde Março, altura em que o primeiro concerto foi cancelado - entram em palco e provocam, naturalmente, o exacerbar da gritaria registada até então. Véu corrido sobre o palco, um pouco à semelhança do que aconteceu, recentemente, no concerto dos 30 Seconds To Mars naquela mesma sala, e o cenário desvenda-se em toda a sua elaboração. Vários andares - parece que estamos num teledisco de hard-rock dos anos 80 - um interessante jogo de luzes e um palanque onde Bill Kaulitz, a estrela da noite, cantará vários dos temas, em modo diva.
Bill Kaulitz é o centro de todas as atenções

Bill Kaulitz é o centro de todas as atenções

Improvável estrela pop, o alemão de 18 anos mostrar-se-ia comunicativo com as fãs, apesar do débil inglês que mostrou falar, nas estudadas intervenções antes de algumas músicas. Vestido de preto e vermelho, Bill Kaulitz - figura mirrada, cabelo espetadíssimo e olhos carregados de eyeliner negro e sombra cinza - é claramente o centro das atenções, apesar das muitas declarações de amor que, um pouco por todo o recinto, contemplam os outros membros da banda. "Break Away", a primeira música da noite, mal se ouviu graças aos gritos das fãs; "Final Day", que se lhe seguiu, mostrou Bill Kaulitz a descer a escadaria, do palanque para o piso térreo do palco, com a perícia de quem pisa uma passerele. Enquanto o vocalista glamouroso, que começou a carreira numa espécie de mini Chuva de Estrelas a cantar "It's Raining Men", debita letras emocionais com que todas as jovens presentes se podem identificar, a banda acompanha-o em registo quase nu-metal. "Live Every Second" transforma-se em hino juvenil, com o público a vibrar com a mensagem de inconformismo e o quarteto a banhar-se na adulação popular, enquanto "Love Is Dead" faz com que brotem, no ecrã gigante ao fundo do palco, chamas diabólicas que, provavelmente, correspondem àquilo que arde sem se ver.

Num alinhamento generoso, não faltaram vários temas em alemão - que mesmo as mais catraias acompanharam sem hesitações - e uma mão cheia de baladas à moda antiga, como "Don't Jump", com Bill Kaulitz de novo em cima do palanque, ou a obrigatória "Monsoon", acompanhada por imagens de nuvens de borrasca no ecrã gigante. Curiosa foi a projecção de um pequeno filme, enquanto os músicos se retiraram para trocar de roupa ou, quem sabe, espreitar o resultado da final do Europeu. Nessas imagens, via-se a banda a fazer compras e a escolher roupa, mas também a passear com t-shirts dos Foo Fighters, assinar maminhas de fãs e jogar matraquilhos. A ideia de "vida na estrada", tão dura e tão doce, parece cara à banda, até nesse ponto seguidora de uma certa iconografia hair-metal dos anos 80.
Orgulhosamente despida para a banda

Orgulhosamente despida para a banda

Bill Kaulitz e o irmão gémeo, Tom (à esquerda) No primeiro dos encores, os Tokio Hotel brindaram o público com duas baladas à guitarra acústica, dedilhada por Tom Kaulitz; antes de "Rescue Me", o seu irmão gémeo, Bill, levou mais umas almas ao delírio, ao recolher e guardar no colo um dos muitos peluches que as fãs lhe haviam atirado (o seleccionado foi um cão). A derradeira despedida, com "By Your Side", descambou em chuva de confetis e no aparecimento súbito de vários pequenos cartazes com o símbolo do clube de fãs dos Tokio Hotel em Portugal e a legenda "wir sind hier" (nós estamos aqui). Bombástico e emotivo, foi o final adequado para uma matiné que as fãs tão cedo não esquecerão.
As admiradoras atiraram para o frente do palco todo o tipo de "recuerdos"

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As fãs portuguesas não se mostraram tímidas na hora de escrever mensagens para a banda

As fãs portuguesas não se mostraram tímidas na hora de escrever mensagens para a banda