Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

Anthony Bourdain

Mike Pont

O que disse Anthony Bourdain na última entrevista antes de morrer

Harvey Weinstein, Bill Clinton, Trump: o chef de cozinha disparou em quase todas as direções

Foi publicada esta semana a última entrevista que Anthony Bourdain deu antes de morrer, ao website Popula.

O chef de cozinha revelou-se cáustico, disparando em quase todas as direções.

Um dos seus alvos foi Harvey Weinstein, um dos maiores produtores de cinema dos Estados Unidos, a braços com a lei após ter sido acusado de violar, abusar e assediar diversas atrizes.

Uma delas foi Asia Argento, com quem Bourdain mantinha relação amorosa, pelo que as palavras que deixou a Weinstein não poderiam ser senão fortes. "Imagino-o a morrer enquanto lava os dentes, nu e de roupão, com o telemóvel na mão, a sofrer um ataque cardíaco", afirmou. "E, nos seus últimos momentos consciente, a percorrer a lista de contatos no telemóvel, a tentar perceber quem o pode ajudar, quem irá de facto atender a chamada". "Morrerá assim: sabendo que ninguém o ajudará e que a sua figura na hora da morte não é a melhor", rematou.

Sobre Bill Clinton, Bourdain não deixou palavras menos duras, referindo-se ao antigo presidente como "um monte de trampa, nojento", criticando também a sua esposa, Hillary. "Quando estás na mesma sala que ela, pensas que é simpática e divertida. Mas a forma como destruíram e descredibilizaram as mulheres [que acusaram Bill Clinton de assédio] é imperdoável", disse.

No que diz respeito à política de hoje, Bourdain disse concordar sobretudo com as ideias de Bernie Sanders, senador do estado do Vermont que concorreu contra Hillary Clinton nas eleições primárias do Partido Democrata, em 2016. Mas descreveu os apoiantes deste como "completamente insuportáveis".

De resto, não mostrou acreditar que Sanders chegue à presidência. "A nossa sociedade profundamente racista não está preparada para que um judeu chegue à Casa Branca", explicou. "Há pessoas que não costumam votar e que o fariam só para não ser ele o presidente". Pessoas como os apoiantes de Trump, que nele votaram para manter Hillary Clinton afastada da Casa Branca? Para Anthony Bourdain, não foi bem assim. "[Quem votou em Trump] não é idiota. Reconhece um anarquista". "Quem votou nele viu alguém capaz de destruir o templo que odeiam de tal forma, que são capazes de dar um tiro nos dois pés", rematou.

Anthony Bourdain morreu a 8 de junho em França. Suicidou-se aos 61 anos.