Kelela com as emoções à flor da pele no NOS Primavera Sound. “Não sou boa a cantar e a chorar ao mesmo tempo”
09.06.2018 às 20h25
Nova voz do r&b alternativo americano tocou mais tempo do que o previsto e trouxe uma brisa de apaziguamento a um festival debaixo de chuva
Kelela estreou-se no Porto, depois de uma passagem por Lisboa há dois anos, sem saber bem o que esperar do público. “Nunca tinha estado aqui antes e não sabia bem se sentiam uma ligação com a minha música”, confessou antes de agradecer a receção calorosa que recebeu da plateia que se concentrou frente ao palco Super Bock, “isto significa tanto para mim. Estou tão grata”.
Com o álbum de estreia, “Take Me Apart”, muito elogiado pela crítica no ano passado, ainda fresco na memória, aquela que é uma das vozes mais destacadas do r&b alternativo norte-americano apresentou-se em palco feita visão de branco, com uma atitude que ajudou a apaziguar os ânimos “molhados” deste último dia de NOS Primavera Sound. Do início suave com ‘LMK’, passou para uma belíssima sequência que começou com as melodias enigmáticas de ‘Frontline’ e seguiu com a excelente ‘Blue Light’.
A voz esteve no ponto, apesar de um pouco abafada, em certos momentos, e a artista chegou mesmo a emocionar-se ao ver a quantidade de pessoas que resistiu à chuva para a apoiar. “Significa tanto para mim que vocês estejam aí à chuva”, declarou, “não estava à espera disto. Muito obrigado. Não sou boa a cantar e a chorar ao mesmo tempo”. As paisagens ondulantes e melodias suaves de ‘Go All Night (Let Me Roll)’, recuperada à mixtape “Cut 4 Me”, de 2013, deram lugar ao namoro com o trip-hop de ‘A Message’ e, mais tarde, à agitada ‘Rewind’. Pode não ter sido concerto para marcar uma vida, mas foi, certamente, uma ótima forma de começar uma noite que se espera que traga consigo emoções fortes.
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