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Bourse Rideau: sinais para o futuro da cena musical canadiana a partir do Quebec

Terminou na passada quinta-feira um festival que pretende ser a montra da cultura francófona canadiana. Mas para lá do cartaz oficial, uma série de eventos paralelos e não oficiais ofereceram também muitas descobertas interessantes

O festival Bourse Rideau chegou ontem ao fim na Cidade de Quebec, Canadá, com uma gala que decorreu no Imperial Bell, uma das salas de concertos que acolheu parte da programação musical desta iniciativa.

A gala - totalmente em francês - premiou artistas locais, servindo dessa forma como mais uma alavanca para a expressão artística francófona. Se ao longo dos dias se ouviram alguns artistas a usar o inglês em palco - quase sempre a par do francês - a verdade é que na cerimónia de encerramento nenhuma outra língua se escutou.

Ao longo dos últimos dois dias, no entanto, o espaço forte do festival foi a feira que teve lugar no Centro de Congressos e onde se reuniram cerca de uma centena de artistas, editoras, agentes e produtores, registando-se aí uma intensa actividade que, certamente, resultará em novas edições, contratos para espectáculos e trocas de produções entre companhias de dança e teatro.

Musicalmente, este tipo de certames é sempre extremamente variado e oferece a possibilidade de se fazerem boas descobertas - os por já aqui citados Maude Audet, Pierre Kwenders, Ala.Ni, Lior Shoov, Dan San e Chances encaixam bem nessa categoria - mas igualmente importantes são as pequenas revelações obtidas nos eventos paralelos e não oficiais do festival. Como foi o caso do curiosamente designado Le Phoque Off, um festival à parte focado na cultura musical indie e alternativa que aproveita o público especializado presente para expor uma série de outros argumentos que ficaram de fora da programação oficial. Artistas como Les Hotesses D’Hilaire, Bad Dylan, Lakes of Canada ou Le Winston Band apresentaram-se numa rede de bares sempre próximos das salas oficiais do Rideau, atraindo os delegados presentes para amostras arrojadas de cajun, rock, hip hop, soul e electrónica que, muito provavelmente, virão a conquistar lugar em futuras edições do Rideau, subindo assim de “divisão”.

Juliana & Jesse

Juliana & Jesse

Basicamente, uma amostra directa das dinâmicas clássicas da indústria discográfica foi o que o Rideau nos permitiu ver. Uma das produtoras presentes na feira, a Tonic Production, fez um showcase privado num clube chamado Fou Bar onde apresentou os seus futuros lançamentos: o duo dos irmãos Juliana & Jesse, filhos de pai brasileiro, mas nascidos já no Quebec, que mostraram as suas cores folk; o veterano soul Sule que não temeu agarrar no banjo e mostrar um lado mais country; o guitarrista de flamenco El Hispalis, que, talvez inspirado por Frank Ocean, encantou com uma versão de Moon River; e a sensualíssima Madelline: cantora ruiva que musicalmente navega algures entre Lana del Rey e Amy Winehouse e que faz uso de uma invulgar capacidade expressiva para seduzir quem quer que se cruze no seu caminho. Sinais para o futuro, certamente.