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Opinião

Quatro álbuns que não deveriam passar despercebidos

Dois portugueses e dois estrangeiros. Para ouvir enquanto é tempo

Monday - "One"
Sem alarido, a portuguesa Cat Falcão mostrou, pela primeira vez, os seus méritos fora da alçada das Golden Slumbers (o duo que mantém com a irmã, Margarida). “One” são 10 canções de folk rock que, apesar de terem a marca de uma só cantora e compositora, são enriquecidas pelo formato-banda. É um som cheio, povoado por guitarras espetrais, órgãos ‘vintage’ e voz ‘acountryzada’. O melhor momento? A aérea ‘Change’.

The Parkinsons - "The Shape of Nothing to Come"
Apresentaram-se ao serviço crus e selvagens, há quase 20 anos, numa Londres sedenta de punk rock. Com a escola toda do rock(abilly) de Coimbra, os Parkinsons chegam a 2018 com um talento inegável para canalizar a frustração de 1977, mas com um dedo que adivinha mais rock and roll do que em tempos idos (e até algum pós-punk, ou não fossem os Sound uma das referências do guitarrista Victor Torpedo).

Sunflower Bean - "Twentytwo in Blue"
No marasmo em que se encontra o rock acima do subsolo, bandas como os Wolf Alice ou os Sunflower Bean, com mulheres à frente, são um alívio. Estes últimos, com segundo álbum cá fora, conseguem condensar glam rock (‘Human For’), new wave (‘Burn It’, ‘Crisis Fest’), soft rock à Fleetwood Mac (‘I Was a Fool’) e adorável jangle pop (‘Twentytwo’) sem parecerem baratas tontas. Não é para todos.

Whyte Horses - "Empty Words"
É impossível não pensar na candura pop de The Go! Team, inaudito cocktail de hip-hop old school com a minudência intemporal dos Belle & Sebastian, quando pousamos os ouvidos no segundo álbum de Whyte Horses, também projeto de um homem só (Dom Thomas, inglês de Manchester) e recipiente de diversas colaborações. Aqui explora-se o imaginário girl group em 16 canções de otimismo estonteante.

Publicado originalmente na revista E do Expresso de 7 de julho de 2018