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Perguntar “Quem é o Virtus?” é, cada vez mais, um indício de desatenção sobre aquilo que se passa no UniVerso do Hip Hop e do Rap em Portugal. E uma resposta directa a essa questão não deve ser dada por palavras escritas: há os sons de Virtus que “falam por si” e um buzz crescente disseminado pelos fãs do estilo e da música em geral. O epicentro do seu valor enquanto MC/Produtor não é apenas derivado da sua constante busca pelo conhecimento musical – a formação clássica, os ensaios de Villa-Lobos para guitarra, o piano jazz e Keith Jarrett, o curso de Produção e Tecnologias da Música na Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo, as horas silenciosas em que Billie Holiday, Vinicius de Moraes, Wu-Tang Clan, J-Dilla, Jazzmatazz e Rakim entravam por um ouvido e não saíam pelo outro – mas, essencialmente, do seu uso da língua portuguesa através da criação de imagens únicas, da ousadia em trocar sentidos, da coragem de extrapolar o conforto de certas construções frásicas. O vocabulário de Virtus é estranhamente virtuoso mesmo nas mensagens mais cruas e é sempre vivo para além de si mesmo. São palavras que fazem ao contrário das que se dizem por aí. Palavras-ação.
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Biografia
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João Rodrigues é natural do Porto – com todas as acessões que a palavra natural contém em si – e, para ele, é natural permitir-se a tratar a cidade por tu. É um sentimento mútuo de respeito e reconhecimento que se traduz na justeza da relação: Virtus absorve e cria a partir das experiências que o Porto lhe concede e a cidade escuta atentamente as palavras que o músico retribui. Foi no Porto, em 2005, que escreveu a sua “carta de apresentação”, já em si uma demonstração de valores – o projecto Geração i sobre a igualdade de género (com Icon, Ativo e o Produtor/DJ Kronic) para a associação Soroptimist Internacional – que percorreu escolas secundárias a despertar consciências para assuntos fulcrais de um quotidiano transversal que constituem, mesmo assim, uma grande percentagem da realidade sofrida.
Em 2008 o músico entreabriu a porta do seu UniVerso com o lançamento do E.P. Introversos e, em 2012, superando todas as expectativas e saciando a curiosidade dos que tinham antevisto um futuro promissor no E.P., lançou o seu primeiro – e inteiramente seu – álbum UniVersos. Quem não trabuca não manduca, já “faz” a letra dentro dos que a ouvem. Apesar de Virtus ter entrado no mundo do Hip Hop pela mão dos seus próprios ouvidos, a ideia de comunidade está patente na maioria das suas ações: a participação na Control Mixtape – com Minus e Xina -, nas mixtapesGeraSom de Rua e Bota e Vira Vol.1 – de Barrako 27 – , na mixtape Novos Specimens do DJ Sensei D, nas mixtapes Núcleo Duro Vol.2 e 2º Piso 17 Anos – de Mundo Segundo (Dealema) – e nas compilações Best Off e Hip Hop Series Vol.2 da FNAC. Estas e outras colaborações como MC e Produtor são prova da importância que atribui à partilha de experiências, de ideias, de pontos de vista. Desse modo, tornou-se um dos rostos de uma nova geração em forma de “família” ao criar o Sexto Sentido – colectivo do qual fazem parte também Minus, Enigma, Nokas, Activa Som, Myka e Caixa Toráxica. É assim que, a pouco e pouco, Virtus vai transformando os mundos à sua volta e esses mundos transformarão outros mundos à sua volta que por sua vez transformarão outros mundos…
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Prestígio: -1
*Última edição por: ativo
*Em: 18/Jun/2012, 12:32
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