Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Vídeos

Músicos portugueses dão concerto solidário por Alepo, em Lisboa esta semana

Ana Moura, Márcia e Samuel Úria são apenas alguns dos músicos que atuam no Cineteatro Capitólio, em Lisboa, na quarta-feira

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Numerosos músicos portugueses juntam-se na próxima quarta-feira, 21 de dezembro, para um concerto solidário no Cineteatro Capitólio, em Lisboa.

As receitas deste espetáculo revertem a favor dos Médicos Sem Fronteiras na Síria.

Os bilhetes custam 10 euros e estarão disponíveis na Ticketline.

Confirmadas estão as atuações de Ana Moura, Benjamim, Best Youth, D’Alva, Gospel Collective, Joana Alegre, Joana Barra Vaz, Luísa Sobral, Miguel Araújo, Mikkel Solnado, Márcia, Noiserv, Rita Redshoes, Samuel Úria, Selma Uamusse, Tatanka, Tiago Bettencourt, Tó Trips e We Trust.

À Lusa, Selma Uamusse adiantou: "A ideia surgiu de uma maneira muito informal, queríamos sensibilizar as pessoas para o que se passa em Alepo [na Síria]. Formou-se aqui um movimento cívico muito rápido e com vontade fazer as coisas, para que não fiquemos indiferentes. Há seres humanos a sofrer".

Veja aqui o texto que Samuel Úria, um dos participantes no concerto, escreveu a este propósito:

"Quase que confundimos Alepo com um campo de batalha, uma cidade tomada, um sítio de facções. Quase só vimos ruínas, fumo a subir e poeira a assentar. Quase. Mas não: vimos pessoas e ouvimo-las. Aprendemos mais um idioma de dor e desespero, tão fácil de perceber e tão aberrante de entender. Fomos tocados pelo impensável: a consternação dos que estão preparados para morrer em guerra, já que viver em paz deixou de ser opção.
Então, como conviver com o nó na garganta? Deixamos que o aperto nos cale ou, como numa mangueira, pressionamos para que as palavras saiam mais rápidas, mais fortes, mais longe?
Um grupo de músicos portugueses decidiu emprestar vozes para que mais vozes se juntem, mais rápidas, mais fortes, mais longe. Apresentam um espectáculo onde os nós não se desatam – antes se entrelaçam para formar a corda de solidariedade. Nós para eles."