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Minta apresenta canções “para consumo lento” amanhã na ZDB, em Lisboa

Slow, o novo disco, estará em destaque no concerto na ZDB, em Lisboa, esta sexta-feira. Recorde aqui a entrevista de Francisca Cortesão à BLITZ

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Slow, o terceiro disco de Minta & The Brook Trout, estará em destaque no concerto da banda portuguesa na ZDB, em Lisboa, esta sexta-feira, 24 de junho.

A atuação está marcada para as 22h e os bilhetes custam 8 euros.

Em palco com Francisca Cortesão estarão Mariana Ricardo, Bruno Pernadas, Margarida Campelo e Tomás Franco de Sousa.

Recorde aqui a entrevista de Francisca Cortesão à BLITZ.

Foi ao atualizar o seu site com uma lista de concertos que já lá vão que Francisca Cortesão reparou que já leva dez anos de canções na presente «encarnação». A queda para a música manifestou-se bem mais cedo, numa infância regada a Beatles e Beach Boys, Chico Buarque ou Sérgio Godinho, e traduziu-se em vários projetos na adolescência, como a banda Casino, mas foi em 2006 que primeiramente se apresentou ao vivo, e a solo, ainda com o seu nome. Desde então, sempre com a América do Norte como ponto cardeal, a cantora e compositora nascida no Porto gravou três álbuns, o último dos quais, Slow, chegou este ano às lojas. Devagar é advérbio que se refere «à demora na escrita das canções», reconhece, mas também ao ambiente do disco. «Como temos um nome de banda muito comprido – Minta and the Brook Trout – é importante escolher títulos com uma palavra só», acrescenta, entre risos.

Devagar podia ser, ainda, uma recomendação de uso para quem escutar Slow. Afinal, Francisca, que lidera também a «caravana» dos They’re Heading West, é fã de autores cujos encantos não se revelam à primeira audição. «Tenho ouvido Bonnie “Prince” Billy e Bill Callahan, essa malta que, ao longe, te faz pensar: estas canções são todas parecidas umas com as outras, mas depois pões os headphones e: ah bom!».

Outra constante no percurso de Francisca, emoldurado por melodias de ouro e letras de fino corte, tem sido o apego à vertente mais humana da música. «As relações entre as pessoas, entre as pessoas e os objetos, ou entre as pessoas e as rotinas delas, são o que mais me interessa», expõe a artista a quem as ideias amiúde surgem «no meio da rua».

Autora das 11 canções de Slow, com uma ajuda preciosa de Mariana Ricardo nos arranjos, Francisca valoriza o calor e o tato do que faz, tal como do que ouve. «Gosto de ouvir canções bem escritas, gravadas de forma humana. Tenho cada vez menos vontade de ouvir coisas híper produzidas e arranjadinhas, prefiro coisas tortas, com erros, que soam a pessoas».

Adepta do sentido de humor de Neil Hannon, dos Divine Comedy, Stuart Murdoch, dos Belle and Sebastian, e Jarvis Cocker, dos Pulp, Francisca, que é tradutora, almeja ainda a inscrever nas suas canções «as historinhas e os pormenores» dos contos de John Cheever ou Lorrie Moore. «Às vezes puxava-me mais escrever sobre coisas que não corriam bem, ou dramas», confessa. «Talvez isso aconteça menos neste conjunto de canções, talvez tenha carregado mais na ironia». Sempre com elegância à prova de bala.