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O primeiro grande êxito da banda, "I Can't Explain", foi baseado, segundo Pete Towshend, nas músicas dos Kinks de Ray Davies (que Towshend achava um génio e devia figurar na lista dos melhores poetas do Rock). A seguir vieram outros, entre os quais o hino "My Generation" que era a música de uma geração e de um estilo de vida, dos então chamados Mod's (que andavam de vespa e se vestiam cuidadosamente, ao contrário dos rockers que teriam uma atitude e visual mais rudes e gostavam de outro tipo de música).
A banda era formada por Pete Towshend, guitarrista e mentor do grupo, Roger Daltrey (vocalista), John Entwistle (baixista) a que se juntaria a genial Keith Moon na bateria, que num concerto em que estava na assistência, disse que conseguia tocar muito melhor que o baterista que a banda então tinha e ficou imediatamente como menbro da mesma, tendo-se vindo a tornar um ícone daquele instrumento, sendo dos mais influentes e por muitos considerado o melhor baterista de rock de todos os tempos.
Durante os sixties o grupo foi compondo êxitos que figuravam assiduamente no top ten inglês e de outros países, mas Pete Towshend queria fazer algo maior, algo nunca feito até então e que fosse totalmente inovador e grandioso. Neste altura Pete era seguidor de um guru indiano, um Avatar (Deus na terra, é o que o termo quer dizer) e sob a sua influência, com a experiência adquirida e a sua enorme criatividade começou a esboçar aquela que seria a primeira Ópera Rock da história. O álbum "Tommy" seria lançado em 1969 e o seu sucesso f
oi extrondoso. Era um álbum conceptual que contava a história de um miúdo cego, surdo e mudo, que se transformaria num líder durante a sua história que também foi levada ao cinema por Ken Russel, em que Roger Daltrey encarnaria o papel de Tommy (e nunca mais foi o mesmo tornando-se um frontman e cantor arrebatador, com a sua voz de trovão e melodiosa ao mesmo tempo, sempre numa dinâmica perfeita com o público e um à vontade que não tinha até então). Com este álbum além da Europa, The Who conquistaram os Estados Unidos, entrando numa digressão mundial que hoje em dia poderemos ver como talvez o auge da banda, em que a grandiosidade, profissionalismo e genialidade dos seus concertos é notória quando vemos, por exemplo, a participação do grupo no festival de Woodstock nesse mesmo ano de 1969.
Além de o grupo ser constituido por excelentes instrumentistas, para além do já referido Keith Moon, John Entwistle era uma baixista genial, simplesmente fora de série, que ainda há poucos anos o canal de música VH1, considerou o mais influente de sempre. Pete Towshend também era (e é) um excelente guitarrista e são famosos os seus solos em que brinca e joga com os outros executantes, sobretudo com o Keith na bateria. Dado a secção rítmica da banda ser diferente de tudo o que se viu até então (e inclusivé até hoje), tendo um estilo em que parece que estão sempre a solar em vez de só darem o ritmo, os outros dois menbros da banda, vocalista e guitarrista, tinham uma enorme segurança em palco para extravassarem as suas emoções e virtuosismos.
Depois de "Tommy" Pete Towshend viu-se em mãos com um enorme sucesso acumulado e com a questão de o que fazer para o continuar. A ideia que teve foi fazer algo ainda maior que "Tommy", um trabalho conceptual também, em que (já na altura...) houvesse interacção com o público e a sua ideia era fazer um disco com o nome de "Lifehouse" que, no entanto, devido ao desgaste que Pete acumulou com concertos, composição, etc, ficou na gaveta, sendo as suas melhores músicas aproveitadas para fazer nascer aquele que os críticos e grande parte dos fãs ainda acham o melhor álbum de The Who - "Who's Next", um trabalho muito homogeneo, com um punhado de excelentes músicas como "Baba O'Reilly", "Won't Get Folled Again" ou o líndissimo "Behind Blue Eyes". Este disco foi lançado em 1971, um ano depois de ter saído o primeiro álbum ao vivo da banda - "Live At Leeds", ainda hoje considerado quase unanimemente como o melhor álbum ao vivo de sempre.
Na década de setenta The Who ainda fizeram dois bons discos, o primeiro foi a segunda Ópera Rock que saiu do génio de Pete Towshend - "Quadrophenia", lançado em 1973 que também seria transposta para a sétima arte, num filme sem grandes nomes de cartaz mas que, na minha opinião, retrata bem o que Pete queria transmitir nesta obra, narrando as lutas, aventuras e desventuras entre Mod's e Rockers na Inglaterra do início dos anos sessenta, recuando portanto até aos primórdios da própria banda. Posteriormente seria lançado "Who Are You" que também foi um bom disco, com bons trechos como o que dá o nome ao álbum. Nos anos seguintes The Who, ou mais particularmente Pete Towshend, entrou numa fase de uma certa falta de criatividade, lançando mais dois álbuns que ele próprio, mais tarde, viria a assumir que não estavam ao nível de uma banda como eles eram e declarou o fim do grupo em 1982, com uma tourné de despedida que foi a mais lucratriva, a nível mundial, desse ano.
Depois disso a banda tornou a reunir-se algumas vezes, a primeira das quais para actuar no mítico Live Aid, tendo sido feito uma das melhores prestações daauele evento (a par talvez com os Queen e os U2 que estavam no seu auge), actuando também em concertos de benificência e em comemorações de efemérides do grupo, cujos bilhetes esgotavam muito rapidamente, obrigando quase sempre a fazer mais concertos do que o inicialmente previsto.
Finalmente em 2007, a banda lançou um novo album de estúdio - "Endless Wire", que a revista norte-americana Rolling Stone considerou o melhor trabalho da banda desde "Quadrophenia" e fizeram uma tourné, que passou por Portugal, por um Pavilhão Atlântico meio cheio (o que só comprova a subvalorização que a banda tem em Portugal, em relação ao seu real valor), em que mesmo assim deram "o litro" num concerto pleno de emoção e adrenalina.
Isto de caracterizar bandas e dizer qual foi ou é a melhor do mundo é sempre subjectivo, já passando por essa adjectivação os Rolling Stones, depois os U2, mais recentemente talvez os Muse, mas The Who, sem dúvida que foram desde o início uns pioneiros, deram o mote para o que viria a ser o hard rock, foram acarinhados pelo movimentos punk que os adorava e pelo movimento grunge (Eddie Vedder é um fã confesso da banda, tocando os Pearl Jam sempre um ou mais temas de The Who em vários dos seus concertos). Portanto, como diz uma das músicas da banda "Long Live Rock" e The Who forever.
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Por vezes, fica a impressão que o campo dos gigantes é um poleiro disputado apenas pelos Stones e os Beatles, mas a verdade é outra: Os Kinks e os Who sempre tiveram uma palavra a dizer, mas por uma grande variedade de razões, foram sempre remetidos para um segundo plano, Especialmente os Kinks, o que considero um crime hediondo, musicalmente falando. Abraço!
No outro comentário quando falo de Pink Floyd não os estou bem a comparar com a sonoridade de Led Zeppelin, digo é que é uma banda igualmente importante e muito própria, considero as duas melhores bandas para mim, mas são diferentes.
Cumps