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The Walkmen no Coliseu de Lisboa [texto + fotogaleria] -
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The Walkmen no Coliseu de Lisboa [texto + fotogaleria]

Depois de chamarem Lisbon ao novo disco, norte-americanos regressaram a Portugal para aquilo que vocalista Hamilton Leithauser descreveu como "one hell of an evening". Difícil será discordar.

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Depois da espontânea reação popular que tanto espantou os Walkmen em 2008, num inolvidável serão para banda, fãs e iniciados, e do fugaz regresso a Lisboa no verão seguinte, a grande dúvida, ontem à noite, era saber como correria o primeiro encontro depois da grande revelação. Agora que, mesmo que à distância, uma das partes confessara o seu amor - chamando ao último álbum Lisbon - para que lado penderia a balança emocional no engalanado Coliseu dos Recreios?

Todos os receios de que a coisa corresse menos bem mostraram-se infundados. Perante uma sala muito bem composta (a plateia, sentada, estava cheia), os Walkmen provaram ser, ao vivo, uma banda ainda mais cativante do que em disco. Incrivelmente emocionais e dados à catarse, mas sem nunca abrir a porta à lágrima fácil, os homens de You and Me também não vacilaram na bajulação ao público. Ou seja: quando, à hora marcada, os cinco cavalheiros surgiram em palco, na face crispada de Hamilton Leithauser - copo de Porto, oferecido por um fã, na mão - brotou um sorriso. "Boa noite", ouviu-se em português, e a ovação consequente não deixou dúvidas: Walkmen e este público já são mais do que amigos. Contudo, e fazendo gala de uma certa secura que atravessa, também, a sua música, todos os elogios e agradecimentos que salpicaram a noite nunca se sobrepuseram ao som (poderosíssimo) que saía de palco e pareceu sempre estranhamente adequado a uma sala tão antiga e majestosa como o coliseu. Ótimo sinal, este travão sentimental: nada como a perda do mistério para arruinar uma relação.

O concerto arrancou, então, com uma das faixas do novo Lisbon , e uma das que melhor espelham o cariz romântico e cruel da música dos Walkmen: "While I Shovel The Snow", uma ladainha esparsa que é um começo de espetáculo rock tão improvável como a própria "fórmula" da banda. Invariavelmente imperturbável, Hamilton Leithauser agarra o microfone como quem manuseia um cutelo e aparenta uma concentração que, diz em entrevistas, é só mesmo isso: uma forma de evitar a distração durante uma tarefa com o seu quê de monótono. Naquele esgar impávido, contudo, mesmo quando à sua volta toda a banda entra em convulsão, os espetadores podem projetar todo o tipo de estado de espírito. E não há como resistir ao parto sem sangue de "All Hands and the Cook", a penúltima música antes do encore em que, para deleite do povo, os berros de Leithauser se terão feito ouvir na Margem Sul do Tejo. Lá atrás, o baterista Matt Barrick corre para o ouro olímpico, ao passo que, no seu canto banhado pelo holofote, o guitarrista Paul Maroon soa tão solitário (no sentido de autónomo) como em disco, e Walter Martin e Peter Bauer alternam entre o baixo e o piano, tão essencial numa canção como "We've Been Had", que fechou a noite.

Mas voltemos ao início da noite: após prefácio sussurrado, os Walkmen fizeram entrar a cavalaria pesada, com "In The New Year", talvez a canção mais popular do penúltimo You and Me , a nova "Angela Surf City" (porosa mas virulenta, com ecos do rock dos anos 50) e a inevitável "The Rat", um êxito raivoso e perdido dos primeiros e menos auspiciosos anos da banda, que previsivelmente quebrou a resistência dos amigos das cadeiras e, ao mesmo tempo, mostrou que os Walkmen teriam a dignidade de não guardar o "hit" para a sobremesa. Declaradas estas intenções, a atuação prosseguiu nas duas velocidades que são a cara dos Walkmen: ora ríspidos como uma trovoada de meia noite ("Victory", do novo disco, mostrou potencial para se tornar um novo hino à altura de "On The Water", apresentada logo de seguida), ora delicados e comoventes como um desfraldar de bandeira em dia de cerimónia solene (ver "Canadian Girl", recebida com o carinho que merece, de mãos dadas com "Woe Is Me", ou a trôpega e feliz "Juveniles").

"We love you!", grita a certa altura um espetador. "We love you too", riposta serenamente Hamilton, de guitarra ao colo. "Até fizemos esta música para vocês", murmura, antes de uma bela interpretação de "Lisbon". E que este não tenha, ainda assim, sido o momento da noite (impossível esquecer os cacos partidos de "Everyone Who Pretended To Like Me Is Gone" ou o coração a bater devagarinho, antes da derradeira explosão, no adeus de "We've Been Had") diz mais sobre o quão especial este concerto foi do que mil discursos palavrosos que Hamilton Leithauser, comedido nas alturas certas, pudesse ter proferido.´

Na primeira parte, os portugueses Golpes, com muitos amigos e adeptos na plateia, encheram o imponente palco do Coliseu com boas canções e forte presença. Atrás de nós, um espetador explicava a um amigo ser esta a banda de "Vá Lá Senhora", a canção com Rui Pregal da Cunha que tem obtido basto, e justo, destaque. Sem demérito para a restante obra d' Os Golpes (um álbum e um EP, agora nas lojas), "Vá Lá Senhora" parece ter funcionado como "lança em África" para um grupo que, ontem à noite, convenceu tanto pelos suculentos jogos entre guitarras e baixo, como pelas melodias e letras pouco comuns de "Fogo Posto", "Território Justo" ou a muito aplaudida "A Marcha dos Golpes".


Texto de Lia Pereira
Fotos de Rita Carmo/Espanta Espíritos

Artistas de A a Z    ¤   The Walkmen
Notícia escrita por LP Segunda, 15 de Novembro de 2010 às 1:38
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