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Pode, com algumas dúvidas, estar ainda entre o ensaio e o erro, mas, com a tenra idade de 25 anos, Patrick Wolf já provou bem claro que maturidade não depende exclusivamente da faixa etária. Sendo por isso, o cantautor, chegado ao seu quarto álbum, reúne não só um catálogo coeso de composições que, ao ser invejável, se vai tornando digno da sua influência, como também ganha autonomia nas rédeas do seu próprio material ao criar a sua editora, a Bloody Chamber Music. Com um considerável investimento de fãs via Bandstocks.com, lá se concretizou o retorno ao universo livre da música independente.
Depois de ter andado no carrossel da feira pop(ular) de
The Magic Positon
, Wolf regressa munido ao que parece ser um díptico composto, a par deste
The Bachelor
, por um segundo tomo de seu nome
The Conqueror
, que chegará aos nossos ouvidos lá para 2010. Conduzidos pelo aperitivo do sinistro "
Vulture
" (cujos resquícios de uma tal de carne morta são indissociáveis da imagem neo-romântica do vocalista dos Visage, Steve Strange), caímos na entusiasmante, mas falsa, ideia de que
The Bachelor
não passa de um arsenal de
digital hardcore
, dado o selo de Alec Empire no single de apresentação. Mas mal nos concentramos no crescendo de "
Kriegspiel
" e na sua introdução inerente para um magistral "
Hard
Times
" - favorecido pelo seu teor mais que político - e, pronto, damos connosco a ceder a penosa sensação a uma compensação de um portento, digamos, celestial. Sem demoras, a dose segue o seu rumo em "
Oblivion
", numa linha semelhante onde a guitarra se estreia e a dicção adequada de Tilda Swinton se teme. Já quanto à carga política, essa reaparece, sob a forma agressiva de "Vulture", em "
Battle
".
Apesar dos latentes uivos licantropos do álbum de estreia (e não é só da capa que me refiro), é mesmo de uma folk de origem céltica de
Wind in the Wires
que se evidencia, calculada, ao longo do registo. "
The Bachelor
" (onde podemos encontrar a colaboração idiossincrática de Eliza Carthy), "
Thickets
" e "
Damaris
" dão novo fulgor a esse instrumento famigerado pelo rapaz prodígio - o violino. Para além de outras acepções que possam advir, Wolf foi e, pelos vistos, continua a ser alguém possuidor de uma sensibilidade rara e tal não poderia ser meritoriamente melhor representado na natureza lúgubre de "
The Sun Is Often Out
" ou até - e atente-se na insígnia de
magnum opus
do álbum - na lânguida melodia cravada por um anti-hedonismo de "
Blackdown
". Duas testemunhas de que existem composições capazes de transcender o equilíbrio ténue entre a música popular e o flanco erudita da mesma.
Épico é o adjectivo escolhido. Aliás, se
The Bachelor
fosse um livro, seria discutivelmente escrito pelas mãos de Homero ou Dante Alighieri. Plausivelmente fundamentado seria pela análoga narrativa heróica, mas tal arriscada comparação dá-se pela serena compulsão poética que a sua multidão de sons nos transmite - ainda que uma ênfase de feitos humanos a grande escala ganhe contornos bem expressos. Em tempos Patrick Wolf confessou que não podemos ser um estereótipo de nós mesmos, querendo com isto sustentar a ideia de que cada um de nós é, naturalmente, cem pessoas ao mesmo tempo. Assim como fez com os outros três sucessores, com este quarto esforço, ele acrescenta mais uma parte de si ao seu carácter heterónimo.
Alinhamento
(todas as letras creditadas como Patrick Wolf):
01. Kriegspiel - 0'47"
02. Hard Times - 3'33"
03. Oblivion - 3'24"
04. The Bachelor - 3'13"
05. Damaris - 5'28"
06. Thickets - 4'08"
07. Count of Casuality - 5'04"
08. Who Will? - 3'31"
09. Vulture - 3'22"
10. Blackdown - 5'21"
11. The Sun Is Often Out - 3'33"
12. Thesus - 4'40"
13. Battle - 3'07"
14. The Messenger - 3'29"
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Cumps.