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Os Spiritualized® são uma banda formada em Rugby (Inglaterra) em 1990 por Jason Pierce, após o fim da sua banda de space-rock Spacemen 3. Com várias alterações na sua constituição até hoje, o seu caminho fez-se sempre por caminhos estranhos, sem contudo deixar de existir um fio condutor os unisse. O seu primeiro registo
Lazer Guided Melodies
traz-nos memórias dos anos 60 e do psicadelismo envolvente que tanto os caracteriza. é seguido do primeiro registo ao vivo que dá pelo nome de
Fucked Up Inside
em 1993 No álbum seguinte
Pure Phase
, o shoegaze entra em acção, ficando este como um dos CDs mais bizarros que tiveram edição, estando presentes elementos contínuos (como o famoso zumbido trémulo parecido ao som que se ouviria no interior de uma nave) ao longo de todas as faixas, como se de apenas uma se tratasse. Ladies and gentlemen we're floating in space, editado em 1997, é tido como a obra-prima da banda, abrindo-lhes o caminho para a fama propriamente dita e para os maiores palcos do seu país, como o Royal Albert Hall (do qual fizeram um CD ao vivo) e de festivais como Glastonbury. Jason assumiu aqui mais que nunca o nome de J. Spaceman depois do fim dos Spacemen 3, já que no registo a palavra espaço é de ordem e somos forçados a flutuar neste universo, não nos apercebendo de quando começou ou teve fim...
Let It Come Down
traz um seguimento onde a epopeia e a grandiosidade, assim como o gospel, entram directamente na carreira da banda para assumir parte dos comandos. Demorou quatro anos a ser feito, gravado (diga-se na Abbey Road Studios) e editado. O álbum deixa um pouco de fora a distorção e concentra-se mais na harmonia vocal aliada à orquestra. Como Jason não sabe fazer pautas ou escrever música de alguma forma, as ideias vieram precisamente da voz...com um gravador captou a entoação que queria dar às letras e à própria música, passou o que queria para um piano e deu aos outros músicos para ajudá-los na orientação. Esta táctica viria a ser utilizada em
Songs in A&E
. Aquilo que parece ser o fim da banda faz com que seja editado uma espécie de antologia denominada
Complete Works
num volume. Mas seria falso alarme, já que alterações nos seus elementos trouxeram
Amazing Grace
, que em 2003 anuncia o regresso do shoegaze e post-rock em grande força, apresentando até troços de rock progressivo, em que a melancolia se pode unir à raiva e à calma em duas faces diferentes. Após este álbum editaram o segundo volume de complete works. Jason Pierce adoece gravemente com pneumonia nos dois pulmões e problemas decorrentes, passando imenso tempo internado no The Royal London Hospital, nos cuidados intensivos, aproximando-se mesmo da morte. Aquando da melhora da sua condição física, o líder recupera alguams das suas canções e inspira-se na sua experiência hospitalar para compor outras novas. O resultado é
Songs In A&E
(A&E = Accident & Emergency do Hospital) e é o trabalho mais recente da banda, editado em Maio de 2008. Compõem-no 18 faixas, das quais 6 são interlúdios apelidados de Harmony. Este CD veio abrir de novo as portas para o mundo do espectáculo à banda, voltando esta a fazer tour mundial. Aclamado pela crítica, Songs In A&E é uma experiência que tem tanto de surreal como de sentimental, traduzindo as obsessões do liricista pela morte, fogo, espaço, desgosto amoroso, melancolia, sátira, etc. Marcam presença regular o velho shoegaze e gospel, que aliados mais que nunca à vida etérea e ao universo da medicação fazem esta ser uma das grandes bandas-conceito da actualidade. Tal como no passado, a continuidade entre as faixas é audível. A continuidade e a progressão são elementos que sempre acompanham a banda ao longo da carreira, dando os seus registos a impressão de serem uma gigante faixa que subitamente muda o seu rumo e traz experiências completamente diferentes mas com algo comum à anterior e posterior,
Estranho? Nunca é escusado experimentar ouvir...
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