Sétima Legião no Coliseu dos Recreios, Lisboa [texto + fotogaleria]
Pedro Oliveira, Rodrigo Leão e companhia levaram o Coliseu numa viagem ao passado que passou (mais que uma vez, até) pelos momentos altos da carreira da banda.
Mais que uma viagem pela memória, o concerto desta noite em Lisboa dos regressados Sétima Legião foi um reencontro de velhos amigos. O Coliseu dos Recreios compôs-se para receber Pedro Oliveira, Rodrigo Leão, Nuno Cruz, Paulo Marinho, Gabriel Gomes, Ricardo Camacho, Paulo Abelho e Francisco Menezes. O coletivo não se fez rogado e brindou os fãs de longa data com hora e meia de recordações.
A abertura, quinze minutos depois da hora agendada, aconteceu ao som das estocadas fortes de "Baile das Sete Partidas", mas foi com "Noutro Lugar" (voltaria a cena no último encore) que se ouviu pela primeira vez a voz de Pedro Oliveira - e não é que os anos passaram mesmo por ela sem pesar? - seguindo logo por "Sem Ter Quem Amar".
Na rota etérea, a banda passou por canções como "Mil Maneiras de Amar" ou "Porto Santo", mas foi, claro, com "Sete Mares" que recebeu a primeira grande ovação da noite: em peso, o público saltou das cadeiras - até das de orquestra, que costumam ser mais difíceis - e cantou a plenos pulmões o êxito maior dos Sétima Legião. 25 anos depois, continua a impor respeito.
Flautas, adufes, bombos e gaitas-de-foles não faltaram, obviamente à chamada, e "A Reconquista" trouxe convidados especiais ao palco, que seguiram de perto as coordenadas de um Paulo Abelho endiabrado, de bombo em riste. Depois da solenidade de "Além-Tejo" (com direito a um saudoso isqueiro aceso na plateia) chegou outro dos pontos altos do espetáculo: depois de uma falsa partida, ouviu-se a abertura hipnótica de "Por Quem Não Esqueci". E, de novo, o Coliseu levantou-se em peso.
Para os momentos finais, repartidos em três encores, ficaram guardados o intimista "Porta do Sol", o belíssimo "Glória", que Ricardo Camacho dedicou ao falecido radialista António Sérgio, e as repetições (escusáveis, quanto a nós, mas praticamente exigidas pelo público) de "Sete Mares", "Noutro Lugar" e "Por Quem Não Esqueci". No final, os sorrisos estampados nas caras dos Sétima Legião encontraram espelho nas de todos aqueles que reavivaram memórias com décadas de existência. E asseguramos que vimos algumas caras a escorrer suor (ou seriam lágrimas?).
Texto de:
Mário Rui Vieira
Fotos de:
Rita Carmo/Espanta Espíritos