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Sérgio Godinho - Mútuo Consentimento [leia aqui a crítica da BLITZ 64]
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Veja a crítica da BLITZ ao disco novo de Sérgio Godinho, publicada na BLITZ de outubro, já nas bancas. |
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Há coisa de um mês, falávamos nestas páginas do regresso de Chico Buarque. Companheiro de geração de Sérgio Godinho, o brasileiro começou por imaginar o disco mais recente como uma obra sobre o seu amor pela música, antes de reduzi-lo ao amor, ponto final. Em
Mútuo Consentimento
, Godinho parece ter tido ideia semelhante: "Mão na Música", a longa e surpreendente faixa de abertura, reflete sobre o métier do autor. "
A música mostra-se bela para os seus pares e feia para os seus ímpares
" é uma das tiradas desta espécie de monólogo inspirado, em jeito de spoken word, com suave acompanhamento musical e coros discretos, mas bonitos, de Manuela Azevedo. Não há, em
Mútuo Consentimento
, outra canção parecida com esta: mais uma vez ladeado pelos Assessores e Nuno Rafael, Godinho volta ao pop-rock meio gingão, por vezes próximo da new wave e da power pop (alguém falou em Clã?), com letras observadoras da atualidade ("O Acesso Bloqueado", "Eu Vou a Jogo" e "Bomba-Relógio", que já ouvíramos, mais graciosa na voz de Cristina Branco).
É quando Sérgio Godinho muda de parceiros que
Mútuo
Consentimento
parece apanhar ar. "A Invenção da Roda", com arranjo de António Sérginho (Foge Foge Bandido, Nuno Prata), alivia o pé pesado de outras canções com percussão fresca e original; "Mútuo Consentimento", fugaz mas belíssima adaptação para português de "Large Amounts", de Francisca "Minta" Cortesão, aconchega e inquieta com a meiguice de "
pareceu-me uma aparição de ti
"; "Intermitentemente", com mão da Roda de Choro de Lisboa e Bernardo Sassetti, dá um abraço gostoso ao Brasil mais estival; e Noiserv empresta leveza onírica a "A Vida Sobresselente". Para o fim, Godinho guardou a música escrita para o espetáculo Três Cantos, com José Mário Branco: velhas raposas a fazerem, lindamente, o que nunca desaprenderam. Mas é "Em Dias Consecutivos" que mais consegue fascinar-nos: Sassetti, autor da composição, toca piano e faz magia com as palavras, quebradas mas ainda aladas, de um Godinho intimista e poderoso, que é um privilégio ouvir assim tão perto. É caso para dizer: se só puder ouvir uma música, ouça esta.
4/5
Texto de Lia Pereira
Artistas de A a Z
¤ Sérgio Godinho
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Notícia escrita por
LP
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