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Alguém pediu prazer instantâneo? Comprem o vosso bilhete que o parque de diversões está aberto.
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Biografia
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Deixemos de nos apoiar em nomes como Bee Gees, Elton John, Chic, Mika ou Goldfrapp. Apesar das associações honrosas, o colectivo nova-iorquino é dotado de um estilo singular e de um carácter próprio, sempre com a chancela de Jason Sellards e Scott Hoffman. Abram alas para a obra eclética entre o
glam
das lantejoulas e o rock rasgado, mas sublime, com contornos
disco
há muito ofuscados.
Apesar de já ser do conhecimento de muitos seguidores, fica, desde já, a informação de que o projecto, inicialmente designado por
Dead Lesbian and the Fibralliting Scissor Sisters
, teve origem nas mentes brilhantes de
Jake Shears
e
Babydaddy
, em meados do ano de 2000. No entanto, a história de ambos remonta a 1997, quando foram apresentados pela primeira vez um ao outro por um colega comum em Lexington, Kentucky. A escolha do nome alude a uma posição sexual lésbica (o catalogado tribadismo), o que tornou fácil, então, a concepção genial do logótipo - uma sinuosa tesoura que finaliza, em jeito perfeito, em duas pernas torneadas e curvilíneas de uma mulher - esboçado pelo igualmente genial Babydaddy.
Após se terem iniciado como duo (com Shears a confirmar, sem pudor algum, o seu talento para o varão no seu tempo livre), apresentando espetáculos no coração da cena
indie
de Nova Iorque - o bairro de Williamsburg, Brooklyn - o projecto começou a ganhar contornos de banda quando ambos conhecem
Ana Matronic
num
cabaret
(lugares onde Miss Matronic jamais se sente uma estranha) numa festa de
Halloween
, na atribulada
Big Apple
. Já como trio, sentiam que as suas raízes
electroclash
necessitavam de um elemento mais arrojado - a guitarra. Eis que dão de caras com
Del Marquis
no bar
gay
nova-iorquino
I.C. Guyz
.
Confiantes, decidem assinar contrato com a editora independente A Touch of Glass
e é a partir daí que é lançado um EP de
demos
, de onde se extraíu o seu primeiro
single
"Electrobix", uma batida de traços electrónicos com uma letra que mete dó .
Porém, é graças ao seu
B-side
, "Comfortably Numb" que o nome Scissor Sisters sobe ao pedestal devido à enorme frequência com que os DJ's tocavam o tema nas inúmeras discotecas e bares de Nova Iorque e em alguns pólos europeus. Posteriormente, sentiram a necessidade de substituir
drum machines
por uma bateria, instrumento indispensável a qualquer banda pop/rock. Graças a um anúncio,
Paddy Boom
preenche a última vaga.
Depois do efeito surtido por "Comfortably Numb" em terras de Sua Majestade (onde, porventura, foram, desde ínicio, desmesuradamente abraçados), a
major
britânica Polydor
não fica indiferente à lufada de ar fresco trazida pela banda na múscia contemporânea e decide, assim, convidá-los a assinar contrato, convite esse que é aceite sem ponderação. A força motriz nestes quatro anos possibiltou a edição do seu primeiro álbum -
Scissor Sisters
. Como não podia deixar de ser, o período entre 2004 e 2005 sorriu para Jake e amigos com o estonteante 1.º lugar nas tabelas do Reino Unido. Seguiram-lhe o exemplo os
singles
: o burlesco "Laura", o galhofeiro "Take Your Mama", a balada "Mary" e o hino
gay
"Filthy/Gorgeous", atingindo posições nada modestas. A febre, que juntava novidade e hedonismo, culminou com o primeiro DVD
We Are Scissor Sisters... and So Are You
, mote que ficou para sempre reservado para as despedidas dos seus indescritíveis concertos.
Felizmente, o quinteto afirmou não querer parar e, logo em Setembro de 2006, editam o irónico "I Don't Feel Like Dancin'", um pequeno levantar do véu do primoroso
Ta-Dah
,
cuja concepção contou com a
colaboração, em pelo menos duas faixas, do veterano
Sir
Elton John
.
Tanto o
single
como álbum dispararam nas tabelas de vendas,
escalando não só os
charts
britânicos, mas também os alemães, austríacos e até australianos! Doravante, o estatuto dos Scissor Sisters camuflou-se não só sob a forma de festa, mas também de respeito. Contam já no seu currículo actuações em festivais de renome como o Sirenfest nova-iorquino, o Coachella californiano, o Bestival em Isle of Wright ou o Oxegen irlandês e o T in the Park escocês e, se me dão licença, a 12.ª edição de Paredes de Coura.
A promoção do segundo álbum ficou a cargo dos
singles
"Land of a Thousand Words", "She's My Man" e "Kiss You Off", os dois últimos já lançados na 1.ª metade de 2007. E foi no Verão desse mesmo ano que a saudade pelos palcos regressou assanhada, deixando rasto em festivais europeus (subentenda-se aqui a passagem pelo 15.º Super Bock Super Rock, em Lisboa) e a edição do segundo DVD
Hurrah: a Year of Ta-Dah!
(onde a oportunidade de ver a banda presa no elevador do Coliseu dos Recreios é um regalo para o ego nacional). De momento encontram-se em estúdio a esculpir a sua terceira maravilha sem ter dado um pio aos fãs desde Abril deste ano. A sorte é que blogs e fóruns são verdadeiros Perez Hiltons em mátéria
scissoriana
.
Bastante mal-recebidos no seu país natal, os Scissor Sisters parecem não se importar com isso, uma vez que a sua quebra natural dos canônes musicais (e não só!) parecer ter sido abraçada pelo Velho Continente, onde compatriotas seus (cite-se, por exemplo, The Killers) tem feito o mesmo logrado, quiçá devido à ruprtura de conservadorismos europeia. Todavia, a sua obra anómala não tem sido vista com bons olhos pelas mentes pequeninas que por aí vagueiam, cujo encéfalo limitado confere ao conteúdo de Scissor Sisters como promíscuo e exibicionista. Tenho dito: mesmo que lhes chamem pecado, então dêem-me mais do mesmo!
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bz.stories/34059
Ta-Dah (Polydor, 2006)
Ainda o Verão de 2006 não tinha acabado e o mercado discográfico continuava liderado por devoradoras de homens, um ex-N*Sync sexualmente sofisticado e castas ancas sul-americanas. Graças ao Senhor que a Rainha teimou em confessar-se nas pistas de dança mundiais e os Red Hot Chili Peppers regressavam com um beatificado
Stadium Arcadium.
Alheios a tal estavam os Scissor Sisters, ansiosos pelo Dia D (entenda-se 15 de Setembro do mesmo ano, lançamento de
Ta-Dah
).
Quando se fala em
Scissor Sisters
, vem logo a imagem de um Jake hiperactivo insaciável por um
one-night stand
numa sauna gay. Ora, no segundo tomo, tal estilo de vida torna-se rotineiro e obsoleto o que conduz à decisão de que ele realmente precisa é de algo mais sólido e sério. Podia-se falar em álbum conceptual, mas não é. Essa ratoeira ficou patente logo no
trailer
de apresentação, no qual um telefonema misterioso chama cinco personagens, abissalmente distintas, para que convergissem num elevador. Momento registado na capa (fotografia de cores sóbrias onde o requinte está em evidência).
Ao invés de farra, tem-se uma festa com classe que não deixa ninguém decepcionado - nem a estreia absoluta do banjo a denigre! A nostalgia dos anos 70 persegue novamente o quinteto e é logo acusada na competência do pontapé de saída: "
I Don't Feel Like Dancin'
". Pura ironia num vibrante convite para o bailinho de alguém que deu conta que está apaixonado. É caso para dizer que Leo Sayer esteve aqui. Aliás, a anglofilia da banda não é recente, daí que Jake e Babydaddy não se mostraram reticentes ao partilhar a caneta com Elton John. Sem hesitar, o autor de "Your Song" apadrinhou o
single
de apresentação e "
Intermission
" (pertinente intervalo
à la
Judy Garland em
Meet Me in St. Louis
).
No seguimento do seu desbravamento, é notória alguma maturidade em temas como "
Lights
" (nunca uma secção de sopros foi tão perfeita solução para a guitarra de Del), "
I Can't Decide
" (fatigável e orgásmico
music-hall
camuflado num dilema pessoal) e "
The Other Side
" (momento em que Shears é inspirado por Michael Cunningham e não resiste em parafraseá-lo). Já Bond, James Bond, fica com a sequência de genérico de "
Land of a Thousand Words
".
A complexidade de arranjos reside ainda no recurso abusado do sintetizador em "
Kiss You Off
" (onde a fibra de Ana Matronic é indissociável da de Debbie Harry) e "
Paul McCartney
" (reminiscência descarada entre um Stevie Wonder e um Billy Joel presos entre 1983-86). Liricamente, exaspera um cariz pessoal, acompanhado ora por uma carga romântica acentuada ("
Might Tell You Tonight
"), ora por uma lascívia fogosa entre um casal crente na paixão mútua ("
Ooh
"). Já o título de "
She's My Man
", o ensejo prodigioso do registo, sugere meramente mais um caso de
fag hag
-ismo.
Pois é, as plumas abrandaram, mas não defraudaram - é bem possível passar-se um doentio bom bocado e criar-se a atmosfera festiva, mesmo com a ausência do ponto de exclamação. Embora se definam reservas de que não se trata nem de um bilhete de ida para o Inferno, nem um regresso para o mundo mágico de Oz, não vejo porque razão algo mais intimista possa perder a sua alegria de viver. Há uma evolução; conseguiu-se um sucessor à medida do monstruoso homónimo. Realce-se: eles passaram no teste do segundo álbum.
Alinhamento
:
01 - I Don't Feel Like Dancin'
(Elton John, Jason Sellards e Scott Hoffman) - 4'48"
02 - She's My Man
(Jason Sellards e Scott Hoffman) - 5'31"
03 - I Can't Decide
(Jason Sellards e Scott Hoffman) - 2'46"
04 - Lights
(Carlos Alomar, Jason Sellards e Scott Hoffman) - 3'35"
05 - Land of a Thousand Words
(Jason Sellards e Scott Hoffman) - 3'50"
06 - Intermission
(Elton John, Jason Sellards e Scott Hoffman) - 2'37"
07 - Kiss You Off
(Ana Lynch, Jason Sellards e Scott Hoffman) - 5'02"
08 - Ooh
(Derek Gruen, Jason Sellards e Scott Hoffman) - 3'29"
09 - Paul McCartney
(Carlos Alomar, Derek Gruen, Jason Sellards e Scott Hoffman) - 3'44"
10 - The Other Side
(J.J. Garden, Jason Sellards e Scott Hoffman) - 4'22"
11 - Might Tell You Tonight
(Jason Sellards e Scott Hoffman) - 3'20"
12 - Everybody Wants the Same Thing
(Ana Lynch, Jason Sellards, Patrick Seacor e Scott Hoffman) - 4'42"
bz.stories/32415
Scissor Sisters (Polydor, 2004)
Senhoras, senhores e indecisos! Façam o favor de se deliciarem com a fórmula revivalista dos frívolos anos 70 e dos excessos apetecíveis da década de 80, adulterada pelo têmpero de uma pop bizarra e cintilante do novo milénio. Enquanto Madonna se reinventava em 20 cidades e o revivalismo pós-punk, emproado pelos Franz Ferdinand e The Killers, cimentava terreno, directamente do submundo nova-iorquino, chegava
Scissor Sisters
, o disco de estreia que catapultava os cinco magníficos e coloria 2004.
Ostentam-se plumas e lantejoulas como se de uma exaltação extasiante do orgulho
gay
se tratasse. De facto, o mote de uma orientação sexual diferente surge como um óptimo pretexto para que nesta relíquia se incluam odes ora tão frenéticos cujo clímax se
torne explosivo (que o diga o incentivo estridente injectado por "
Filthy/Gorgeous
", repleto de imundice e línguas afiadas q.b. - com certeza, o
single
mais forte), ora tão interventivos cuja mensagem é capaz de ferir susceptibilidades (casos como o protesto a actos discriminatórios à letra T da comunidade LGBT em "
Tits on the Radio
").
Por seu turno, tinha que fazer falta o amparo para os mais tímidos com o célebre "
come out
" que fica a cargo do
muy
country "
Take Your Mama
". Convite esse que tinha sido preparado pela capa, no qual se vislumbra a decisão (quiçá responsabilizada pelos autores do álbum) de uma mulher a ceder a monotonia do campo ao
glamour
da cidade que nunca dorme - crédito atribuído à ilustração de Spooky e à fotografia de Tara Darby. Na bagagem vem ainda a influência
vintage
dos ABBA e de Stevie Wonder metamorfoseada numa sonoridade fresca, mas sem peneiras, em faixas orelhudas como "
Laura
" e a estampagem dos irmãos Gibb no
falsetto
do ousadíssimo
cover
"
Comfortably Numb
", dos Pink Floyd.
Depois, há toda uma miríade de influências do passado: desde a denúncia de Pet Shop Boys na brisa psicadélica de "
It Can't Come Quickly Enough
" a uma tentativa nada frustrada da essência
glam
de Duran Duran e Roxy Music nos sons arrojados de "
Better Luck
" e "
Music Is the Victim
". Em oposição a tamanho piano-rock, o registo não ficaria completo sem o seu momento
mellow
(como qualquer banda pop/rock que se preze): "
Mary
", que evoca a ovação ao amor platónico de Jake Shears, e "
Return to Oz
", "sermão" para todos os homossexuais que cederam à estúpida metanfetamina, na esperança que, no caminho da estrada de tijolo amarelo, peçam um cérebro ao tão afamado feiticeiro.
Homofóbicos, acautelem-se! Este
Scissor Sisters
foi carinhosamente feito de modo a que qualquer um não resista ao convite automático para dançar de modo compulsivo, ainda que as circunstâncias não permitam. Nele imperam a ironia, o hedonismo, a folia e algo implícito como: "era urgente um álbum assim!". A receita fica entregue, recheada de uma dependência pelo estilo
camp
e
flamboyant
e polvilhada de uma pop electrizante. Parece que é a vossa vez de desempenharem o papel de ousados.
Alinhamento
:
01 - Laura
(Jason Sellards e Scott Hoffman) - 3'36"
02 - Take Your Mama
(Jason Sellards e Scott Hoffman) - 4'31"
03 - Comfortably Numb
(David Gilmour e Roger Waters) - 4'25"
04 - Mary
(Jason Sellards e Scott Hoffman) - 4'43"
05 - Lovers in the Backseat
(Jason Sellards e Scott Hoffman) - 3'15"
06 - Tits on the Radio
(Ana Lynch, Jason Sellards e Scott Hoffman) - 3'16"
07 - Filthy/Gorgeous
(Ana Lynch, Jason Sellards e Scott Hoffman) - 3'46"
08 - Music Is the Victim
(Derek Gruen, Jason Sellards e Scott Hoffman) - 2'57"
09 - Better Luck
(Derek Gruen, Jason Sellards e Scott Hoffman) - 3'08"
10 - It Can't Come Quickly Enough
(Jason Sellards e Scott Hoffman) - 4'42"
11 - Return to Oz
(Jason Sellards e Scott Hoffman) - 4'34"
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Ainda não foram inseridas letras ou tablaturas |
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| Informação da banda |
Género musical: Pop, Rock, Glam
Site: www.scissorsisters.com
Editora: Polydor, Universal Records
Membros: Jake Shears - Voz e Letras;
Ana Matronic - MC, Voz e Percussão;
Babydaddy - Baixo, Teclas, Banjo e Letras;
Del Marquis - Guitarra;
Paddy Boom - Bateria
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Forum (Sexta, 13 de Agosto de 2010 às 14:53, 1
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Forum (Quinta, 5 de Fevereiro de 2009 às 1:14, 9
)
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Não existem eventos da agenda sobre esta banda/artista
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Info da página do artista
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Prestígio: -1
*Última edição por: LP
*Em: 25/Oct/2012, 11:25
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