Acabou a música na Cidade do Rock - pelo menos, este ano.
Com os concertos de Offspring e Linkin Park, duas escolhas mais roqueiras do que é habitual para o encerramento do certame, o Rock In Rio Lisboa despediu-se até ao seu regresso a Portugal, em 2010.
O adeus foi feito em tom de festa, em grande parte devido ao público jovem e aguerrido que encheu, no último dia de festival, o Parque da Bela Vista e passou boa parte dos concertos a «voar» por cima das cabeças dos companheiros de plateia. Até durante
o espectáculo dos Kaiser Chiefs
o fenómeno se registou, com muitos dos espectadores a aterrarem do lado de lá das grades de segurança.
Depois de
os Muse brindarem o público
com aquele que deverá ser o único espectáculo na Europa este ano, uma vez que se encontram em estúdio a ultimar o novo álbum de originais, os
Offspring mataram as saudades ao público português
, que acorreu em massa ao seu espectáculo.
Encantada com a hospitalidade e a cerveja nacionais, a banda tocou para uma inacreditável enchente, composta não só por fãs trintões como por muitos adolescentes que, na altura do primeiro grande sucesso dos norte-americanos, com o álbum
Smash
em 1994, ainda nem na escola teriam entrado.
Cada canção foi reconhecida aos primeiros segundos e as «colinas» da Cidade do Rock serviram de cenário a verdadeiros maremotos de gente. As aguardadíssimas «Come Out and Play», «The Kids Aren't Allright», «Pretty Fly (For a White Guy)» ou, mesmo no final, «Self Esteem» fizeram com que no Parque da Bela Vista se batessem todos os recordes no que toca ao salto em altura.
Sempre que os Offspring se atiravam a um tema mais conhecido, era ver os fãs, sobretudo os mais novatos, correr pelos morros abaixo, rumo ao mosh e demais formas de ajuntamento e celebração que se iam formando na plateia, levantando (ainda) mais poeira.
Sem necessidade de grandes conversas, Dexter Holland, agora de cabelo curto e chapéu, dominou o público - onde se destacavam numerosas cristas punk, naturais ou implantadas há minutos - a seu bel-prazer.
As canções, entre as quais alguns temas a incluir no próximo álbum do grupo, são invariavelmente recebidas em apoteose, como se os espectadores estivessem sôfregos de mostrar à banda californiana toda a sua devoção.
Os Offspring retribuem com piropos (o público é sexy, o público é bem parecido), mas o maior contributo de Dexter Holland, Noodles, Scott Schifflet (em substituição de Greg Kriesel) e Pete Parada para o sucesso da noite é mesmo tocarem êxitos como «All I Want» exactamente como esta multidão os decorou ao longo dos anos - velozes, furiosos, fugazes.
Na plateia, o concerto é acompanhado com cervejas e alguns charros; nos céus, muitos fãs escolhem assinalar o momento com uma «voltinha» no slide, ou seja, deslizando por cima do maralhal que, lá em baixo, não quer que os Offspring vão embora nunca. Mas vão, pouco depois da meia noite, para
darem lugar aos Linkin Park
, a banda que encerraria a edição deste ano do Rock In Rio Lisboa.
À semelhança da esmagadora maioria dos artistas que pisaram o Palco Mundo nas duas «rondas» do Rock In Rio Lisboa 2008, estes sobreviventes do nu-metal compreenderam a responsabilidade da tarefa que tinham em mãos e deram um concerto muito convincente.
O seu rock épico e grave soou, no Parque da Bela Vista, menos familiar e mais grandioso do que no ano passado, quando a banda passou pelo Oeiras Alive. Frente a uma gigantesca multidão de quase 100 mil pessoas, naquele que terá sido o maior espectáculo da sua carreira, os Linkin Park entraram em palco de forma arrasadora, com o «acto de contrição» «What I've Done», do seu mais recente álbum,
Minutes To Midnight
.
Mas o regresso aos genes nu-metal, que a avaliar pela reacção do público continuam bem vivos no coração dos portugueses, não se fez esperar: «Somewhere I Belong» e «Numb», com as suas tiradas sentidas e sofridas, levaram ao delírio os fãs dos Linkin Park, que aproveitariam as descidas de Mike Shinoda e Chester Bennington ao público para os presentearem com os já obrigatórios cachecol & bandeira de Portugal.
Também os temas mais lentos, como «Shadow of the Day» e «Valentine's Day», levaram muito boa gente a erguer no ar os telemóveis, desejosa de partilhar com os amigos o lado sensível dos roqueiros de negro.
Mas mesmo nas baladas ao sintetizador, os Linkin Park nunca abandonam por completo o músculo (ou seja, a guitara eléctrica, a bateria e uma certa fúria que parece acompanhá-los a todo o momento); este vigor será uma das razões pelas quais a sua música tanto agrada aos graúdos, que entoam sem falhas os refrões dos hits radiofónicos, como aos miúdos (até uma criança empoleirada numa árvore vimos, durante o concerto dos Linkin Park).
Com o avançar do concerto - e a provável sensação, por parte da banda, de que o trabalho mais complicado já estaria feito - os músicos aproximar-se-iam cada vez mais do público, tendo os últimos minutos desta noite de encerramento do Rock In Rio Lisboa 2008 sido passados em alegre confraternização com uma plateia (ainda) cheia de genica, junto às grades.
Pelo empenho colocado em palco, pelo acerto colectivo e pela resposta do público, que em hora de queimar os últimos cartuchos não se poupou nos aplausos e mimos à banda, os Linkin Park foram claramente uma boa aposta para substituir, no fecho do Rock In Rio, o habitué Sting.
ALINHAMENTO DE OFFSPRING
(conforme disponibilizado à imprensa)
Bad Habit
All I Want
Come Out and Play (Keep 'Em Separated)
Hammerhead
Gone Away
Have You Ever
Staring At The Sun
Gotta Get Away
Want You Bad
You're Gonna Go Far, Kid
Pretty Fly (For A White Guy)
Americana
What Happened to You?
The Kids Aren't Alright
(Can't Get My) Head Around You
Self Esteem
ALINHAMENTO DE LINKIN PARK
(distribuído à imprensa)
What I've Done
Faint
No More Sorrow
Wake 2.0
Give Up
Lying From You
Don't Say
In Pieces
Somewhere I Belong
Points
Leave Out All The Rest
Numb
Shadow of the Day
Valentine's Day
Crawling
In The End
Bleed It Out
Pushing Me Away
Breaking The Habit
A Place For My Head
One Step Closer
Texto de
Lia Pereira
Fotos de
Rita Carmo/Espanta Espíritos
RCarmo, Sábado, 7 de Junho de 2008 às 4:14
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