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Retalhos da vida de um Melómano
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| Kravitz! |
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Eis um pequeno vislumbre do tenebroso mundo de um melómano. Estava ontem a arrumar umas coisas e acabei por juntar a discografia do Lenny Kravitz (os seus 9 álbuns de estúdio, o seu único DVD oficial e mais umas bugigangas) para uma foto.
...Estou certo que, pelo menos num futuro próximo, esta discografia não será alvo de uma atenta dissecação por parte de um qualquer ilustre da imprensa dita de "respeito", uma vez que o pecado de vender muitos discos ainda pesa muito na equação. E o sr. Kravitz foi particularmente prevaricador, um absurdo caso de sucesso. O Artista completo: Autor, "Geek" de estúdio, multi-instrumentista, performer, animal de palco, sex symbol e claro, multi - galardoado. A sua obra discográfica, compreendida (por enquanto) entre 1989 e 2011, traçada a régua e esquadro, preenche todos os parâmetros comuns à maioria dos nomes consagrados:
Começou por ser uma revelação, passou a última novidade e num ápice a valor firmado. Passou por um breve período de inflexão artística para, sensivelmente a meio do seu percurso, renascer como um (supostamente) improvável blockbuster arrebatador de prémios e discos de platina. Depois, na ressaca do sucesso, o artista maduro capitalizando os louros alcançados (presente data).
Na sua estreia, "Let Love Rule" (1989) apresentou-se ao mundo um jovem talentoso e ambicioso. A ficha técnica revelava que a maioria do que se ouvia era composto e executado pelo próprio (como sempre) e daí resultou um conjunto de canções com ambos os pés assentes no passado, evidentemente inspiradas pelo som e ideias do John Lennon. Nada que fizesse adivinhar o passo seguinte. O "Pavão Emplumado" que aparece na capa do 2º álbum, "Mama Said" (1991), mostra uma estrela meteórica. Onde antes tudo era contido, agora explode numa nuvem ecléctica (que caracterizaria a sua obra), piscando um olho ao Rock desbragado, ao R&B e ao Funk, chegando ao ponto de ser apontado pela crítica como "tudo aquilo que o Prince quis ser e não conseguiu". Pode soar a exagero, mas aposto que o pequeno génio certamente gostaria que um tema como "It Ain´t Over 'Till It´s Over" fosse seu.
Ao 3º álbum, era já uma estrela firmada e em virtude da sua relação com a também famosa Vanessa Paradis, fazia igualmente as delícias da imprensa cor-de-rosa. Por outro lado, a adição do guitarrista Craig Ross (eterno braço direito) e da vistosa baterista Cindy Blackman (actual Lady Santana) garantiam o sucesso dos espectáculos. O potente tema título "Are You Gonna Go My Way" (1993) seria um enorme sucesso e acabaria por disfarçar um pouco a inconsistência da generalidade do álbum.
Era então chegado o momento do "grito" do artista, sob a forma de um disco, "Circus" (1995), pintado a cinza e negro, voltado para o rock mais cru dos 70 e versando sobre assuntos mais sérios como por exemplo, a Morte e o estado da arte. Seriam badaladas as declarações de Kravitz acerca do "podre" estado do mundo artístico, (guardo ainda a edição Blitz-Jornal dessa altura) opinião mais do que vincada na potente abertura "Rock N' Roll Is Dead" (máxima que seria usada mais do que uma vez na década seguinte). Bastante sólido e coerente (o meu favorito), mas modesto nas melodias orelhudas, mereceu menor aclamação e consequentemente, a estrela de Kravitz foi gradualmente esmorecendo.
Por isso o seu regresso assumiu contornos ainda mais espectaculares. Quando menos se esperava, "5" (1998) apresentou um Lenny Kravitz moderno e inspirado como nunca, apontando directamente ao mercado Pop e o resultado seria uma mão cheia de elegantes Singles de topo, Grammys e mais importante ainda, todo um novo público. "Lenny" (2001), o disco que se seguiu, conseguiu a proeza de manter a fasquia elevada, embora com um produto menos diversificado e mais "catchy". Foi por esta altura (2002) que se estreou por cá no Estádio do Restelo (hoje arrependo-me de ter optado pelo Ozzfest sem Ozzy, no mesmo local, uma semana depois). A culminar esta fase ascendente, chegaria o Best Of da praxe.
Mas o público jovem é conhecido pela sua facilidade em cansar-se dos seus brinquedos novos e "Baptism" (2004), um excelente regresso à raiz ecléctica de Kravitz, falhou na tarefa de manter a fasquia de sucesso. A partir daí, ciente do seu estatuto, optaria por continuar a encarnar a estrela de Rock nos banhos de multidão e ser um artista mais sério e recatado em estúdio. "It Is Time for a Love Revolution" (2008) e o mais recente "Black and White America" (2011) (este olimpicamente ignorado pela nossa rádio), retratos mais serenos e autobiográficos, apelam sobretudo aos seus seguidores mais indefectíveis.
No fundo, os críticos nunca conseguiram encontrar motivos reais para "crucificar" este artista e, em última análise, o conjunto dos seus discos acaba por funcionar como um compendio do melhor que se fez na Musica Americana dos últimos 25 anos, nem mais, nem menos.
Nos seus espectáculos, um Single de 3 minutos pode facilmente transformar-se numa impressionante Jam de meia hora e é isso que fará mais uma vez na próxima sexta-feira no Rock in Rio. Ainda não será esta a minha vez, mas como ele anda já a trabalhar no seu 10º disco, conto não perder a próxima oportunidade. Para todos aqueles que dizem "Eu Vou!", desejo-lhes um excelente concerto!
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Artigo escrito por
porcoespinho
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Não consigo arranjar explicação.O talvez esta: um tipo que canta "Rock N´Roll" is Dead" não merece o meu respeito :)
Para ele, e para todos os que apregoam aos quatro ventos que o rock morreu,obrigava-os a ouvir bem alto, de preferência de headphones, o último disco do Slash....
Mais a sério, devo dizer que conheço a obra dele muito pela rama mesmo,pelo que nem me posso pronunciar com firmeza.
Hoje tive uma proposta de um bilhete por 30€.Se me vendessem 2 por esse preço, ia mais a patroa, pois ela,ao contrário de mim, gosta do cavalheiro.
Um abraço!
Talvez seja agora que o Lenny Kravitz vai entrar na minha playlist! ;)
Por uma razão ou outra, o Lenny Kravitz nunca me despertou uma atenção mais pormenorizada, mas do pouco que ouvi consegui perceber duas coisas: tem um talento invejável e vai buscar inspiração ás raízes norte-americanas do Soul e do Funk, dando um estilo algo "retro" à sua música.
O concerto dele no Rock In Rio, pelo que vi da televisão, é que pareceu um pouco "apagado", talvez por "culpa" deste último álbum.
PS: gostei do "detalhe" do Eddie atrás...