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Zé Pedro, dos Xutos, recorda Scott Weiland: "Era carismático e, sem sombra de dúvidas, um frontman enorme"

Guitarrista dos Xutos & Pontapés diz ter ótimas recordações do concerto que viu dos Velvet Revolver em Lisboa. 

Zé Pedro, guitarrista dos Xutos & Pontapés, recorda Scott Weiland, dos Stone Temple Pilots e Velvet Revolver, falecido ontem, como um "vocalista de exceção". Em declarações à BLITZ, o músico defende que o norte-americano era "carismático" e "um frontman, sem sombra de dúvidas, enorme".  

"Não é nada que não se estivesse à espera", assume Zé Pedro, que foi avisado por mensagem da morte de Weiland, "aliás, até admira como aguentou tanta coisa", referindo-se à dependência das drogas do músico norte-americano. "O Duff [McKagan] na biografia dele fala da amizade deles na altura, não sei se ainda seriam amigos agora, e da forma como o ajudou a recuperar quando ele foi para os Velvet Revolver. E diz que ele era, realmente, uma pessoa muito dependente de drogas. O estranho aqui é como é que ele aguentou tanto tempo nesta vida". 

"Quando os Stone Temple Pilots apareceram, na fornalha do grunge, com os Pearl Jam, era estranho como ele tinha tão bom aspeto fisicamente e era um caco interiormente", diz o guitarrista, "nesta última fase já não podemos dizer isso porque há vídeos completamente decadentes. Teve fases muito decadentes durante todo o percurso portanto não se pode dizer que tenha sido um grande herói. Foi durante uns tempos e depois a decadência arrastou-o. O [Layne] Staley, dos Alice In Chains, morreu mais cedo portanto, do meu ponto de vista, ficou um ícone muito maior nesse sentido". 

O guitarrista dos Xutos não chegou a assistir a concertos dos Stone Temple Pilots, mas esteve no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, em 2004 para ver os Velvet Revolver. "Nessa fase ele estava muito bom (...) Tenho ótimas recordações desse concerto. O primeiro álbum deles, ao contrário do segundo, era muito forte. Tinha ali canções muito grandes e o show era completado com algumas coisas dos Guns N' Roses e dos Stone Temple Pilots, portanto foi brutal. Ele era uma figuraça. O Slash nunca arranjou ninguém tão bom para estar ali à frente. É difícil ter aquela figura e ser-se tão forte e tão carismático, com um vozeirão daqueles, em cima do palco". 

"Depois, o resto da vida dele, a seguir aos Velvet Revolver, é um bocado atribulada. Recaídas, recuperações e essas coisas todas", acrescenta Zé Pedro, "tem algumas coisas muito interessantes a solo, também".