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Vodafone Paredes de Coura: O drive-in mágico dos War on Drugs

Adam Granduciel e seus muchachos partilharam com Paredes de Coura a sua visão panorâmica da música americana.

Quando falamos dos War on Drugs, sobretudo depois do pulo de popularidade alcançado com o álbum do ano passado, Lost in the Dream, é habitual referirmos coordenadas musicais e espirituais como Bruce Springsteen, Tom Petty, Waterboys ou até Dire Straits. Mas também há, na entoação de Adam Granduciel, algo de Bob Dylan, o que vai bem com a sua faceta de contador, ou evocador, de histórias (e nem a harmónica faltou em algumas canções).
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Neste que foi o seu terceiro concerto em Portugal, depois de uma atuação no Nos Alive em 2014 e de um primeiro espetáculo no Musicbox, em Lisboa, os War on Drugs - cinco belíssimos músicos em palco - mostraram-se em atlética forma. A banda de Filadélfia, que em estúdio é o "bebé" de Granduciel mas ao vivo se revela uma construção bem orgânica, pratica aquele rock americano panorâmico, com cheiro a estrada quente e potencial para banda-sonora ideal daquela viagem costa a costa dos nossos sonhos. Além da qualidade épica de muitos dos temas apresentados esta noite, os War on Drugs também têm uma veia mais atmosférica, dada ao pormenor, ao improviso, às transições pouco óbvias entre canções. É nos momentos de maior explosão e libertação de energia que a plateia se agita, naturalmente, mas é do equilíbrio entre contenção e extroversão que a a magia da banda nasce. A certa altura, vemos alguém soprar bolas de sabão, seguimos a trajetória das mesmas e vemo-la no mesmo "plano" que o drone que tem sobrevoado o recinto: delicadeza e força, a metáfora possível. Ainda que, este ano, não conste do cartaz, Kurt Vile acaba por ser um "fantasma" benigno em Paredes de Coura: se ontem vimos por cá o seu antigo colaborador, Steve Gunn, hoje aplaudimos os War on Drugs, de quem Vile foi, a par de Granduciel, fundador. Donos de estilos distintos mas complementares, os dois guitarristas e compositores são bons embaixadores do rock de raiz americana que esta noite fez boa figura no anfiteatro repleto. Entre as guitarradas fogosas do senhor War on Drugs e os pormenores da máxima importância acrescentados pelo saxofone e pelas teclas, as enormes canções de Lost in the Dream vão abrindo os braços nesta noite fresca: de enfiada ouvimos e celebrámos "Ocean in Between The Waves", "Disappearing", "Red Eyes", "Eyes To The Wind", "Under The Pressure" - talvez a mais simbólica faixa do aclamado terceiro álbum da banda - e "In Reverse", tendo ainda havido espaço para "Arms Like Boulders" e "Baby Missiles", no arranque, e "Mystifies Me", versão de Ron Wood. Enquanto a parada de canções, servida por um vocalista cada vez mais expressivo, desfila pelo anfiteatro, há moças às cavalitas dos namorados, amigos que dançam abraçados e outros fenómenos de explicação mais delicada (um rapaz que ergue um poster de Manuel Luís Goucha enquanto jovem cozinheiro é um deles). Há, em resumo, um belo concerto de uma banda em estado de graça, e que soube encontrar o lado bom de um título assumidamente ambíguo: os War on Drugs continuam "perdidos no sonho", mas com todo o prazer. Texto: Lia Pereira Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos