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Vodafone Paredes de Coura: Mark Lanegan toca Joy Division, Waxahatchee estreiam-se em Portugal

Honrando uma das bandas mais representadas em t-shirts de festivaleiros, em Paredes de Coura, o norte-americano fez uma versão de "Atmosphere" quase no final do seu concerto no palco principal.

Entre as bandas mais representadas em t-shirts de festivaleiros courenses, talvez apenas os Led Zeppelin batam os Joy Division. E se hoje à tarde ouvimos um campista a tocar à viola uma versão de "Stairwway To Heaven", a banda de Ian Curtis acabou por ser homenageada à noite, com uma leitura respeitosa de "Atmosphere". Em palco - no maior palco do festival - estavam Mark Lanegan e a sua banda, artista com numerosos fãs em Portugal e Espanha, o que talvez ajude a explicar o facto de hoje termos ouvido mais nuestros hermanos no recinto.
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Certa vez, após um concerto do Sr. Lanegan no Armazém F, vimo-lo fora de palco. Dirigindo-se à mesa dos autógrafos, parecia bem mais pequeno, quase frágil. Em cima do palco, contudo, o norte-americano emana aquela imponência soturna de quem já viveu muito e consegue impressionar-nos contando apenas metade. Tendo atravessado vários movimentos e géneros musicais, o ex-Screaming Trees consegue a proeza de não se identificar ou, pelo menos, reduzir a qualquer deles: o seu nome e a sua voz em mil folhas ficaram inscritos no rock algo gótico, no grunge (palavra que detesta), nuns certos blues, quase na torch song e naquilo a que poderemos chamar synth rock. Arrancando o concerto com "Harvest Moon" e prosseguindo com "No Bells on a Sunday", Mark Lanegan não seduziu de imediato a maior parte do público, que em boa parte permaneceu sentado na relva, quem sabe acusando algum cansaço da noite passada. "Grey Goes Black", do disco de 2012 que lhe deu uma nova projeção, Blues Funeral, poderia ter animado os ânimos dos festivaleiros, mas a química manteve-se inalterada durante as canções que se seguiram, sem alvoroço: "Hit The City", "One Way Street" ou "Dry Iced". Aos 50 anos, o músico não vem claramente para os festivais para fazer amigos (quem sabe preferiria sequer nem atuar nos mesmos), mas sim partilhar o seu evangelho com quem o queira ouvir. Convertidos à partida e fãs de primeira hora ter-se-ão deixado encantar pelo charme estático que emprestou a "I Wolf", "Riot in My House" ou "Gravedigger's Song", os restantes espectadores - bem menos do que ontem, parece-nos por enquanto - deixaram-se ficar nos seus lugares até ao final do concerto, que teve em "Atmosphere" a penúltima canção.
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Antes de Mark Lanegan, subiram ao palco Vodafone FM as também norte-americanas Waxahatchee. Apresentado geralmente como projeto folky da cantora e compositora Katie Crutchfield, o quinteto mostrou efetivamente ter algumas raizes na grande música americana mas, em palco, o som predominantemente elétrico do grupo do Alabama transportar-nos-ia para outros ambientes, nomeadamente o de um certo rock independente dos anos 90. Há quem ponha a mão no peito para cantar as letras de "Less Than" e quem se agite com a pedalada mais rock de "Grey Hair", e é difícil não reconhecer a beleza das harmonias vocais de Katie Crutchfield e Katherine Simonetti, mas confessamos que as canções dos três álbuns das Waxahatchee - o mais recente dos quais, Ivy Tripp, lançado este ano - não nos mudaram a vida neste final de tarde. Texto: Lia Pereira Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos