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Vodafone Paredes de Coura: Legendary Tigerman foi pregador rock and roll nas margens do rio Coura

Num horário nobre raras vezes entregue a artistas portugueses, Legendary Tigerman honrou pergaminhos e empolgou a plateia de Paredes de Coura, onde não cabe mais uma alma. Rita Carmo fotografou-o em cima do palco - veja as fotos.

The Legendary Tigerman
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Autêntico veterano de Paredes de Coura, onde atuou repetidas vezes como Legendary Tigerman, mas também à frente dos WrayGunn ou dos Tédio Boys, Paulo Furtado foi esta noite "convocado" para tocar em horário nobre, no palco principal de um festival lotadíssimo. Depois dele, só os Tame Impala, uma das bandas mais badaladas da atualidade internacional, e parece-nos justo que a responsabilidade de agitar as massas pelas onze da noite seja entregue ao veterano português. Quantas vezes não nos queixamos que determinado artista nacional deveria estar mais acima no cartaz de certo evento (ainda no ano passado os Linda Martini confessaram que gostariam de tocar mais tarde)? Pois bem, Paredes de Coura concedeu, em 2015, a honra noturna a Legendary Tigerman, e como seria de esperar, por qualquer melómano que já o tenha visto ao vivo, a tarefa foi bem entregue. Perante o mar de gente que vai estar em Coura até sábado (a lotação de todos os dias está esgotada, confirmou hoje a organização), Paulo Furtado arrancou com ternura, a deliciosa ternura de "Please Come Home", amostra inicial do seu mais recente álbum, True. Com Paulo Segadães na bateria, João Cabrita no saxofone e Filipe Costa nos teclados, o músico nascido em Moçambique, mas que nos habituamos a associar a Coimbra, dominou o palco, mostrando-se a espaços amoroso, como naquela abertura de concerto, agressivo, enigmático e misterioso - como, de resto, os grandes da música que lhe servem de inspiração e farol. Ainda que o som de palco nos tenha parecido demasiado baixo, "Wild Beast" ou "Storm Over Paradise", também de True, mostraram os dentes (de sabre, como diria Samuel Úria), tal como a versão de "Green Onions" e, num fecho memorável, "21st Century Rock'n'Roll". Mas já lá vamos. Antes, cumpre-nos assinalar toda a maturidade, como músico e como performer, que o Senhor Furtado alcançou nos últimos anos. Lembramo-nos de o ver a encabeçar este mesmo festival em 2008, por "desistência" dos Mars Volta (que pediram para tocar antes dos WrayGunn), e ficamos felizes por, sete anos mais tarde, a solo mas bem acompanhado, o Tigre ter tocado num horário que premeia o seu trabalho e a sua dedicação. NUm concerto de festival, naturalmente transversal, não podia faltar o salto ao marcante Femina, disco que deu uma notoriedade distinta a Paulo Furtado, e que esta noite ressurgiu na forma de "These Boots Are Made For Walkin'", sem a voz de Maria Medeiros mas com um acertado coro de Coura. Também os primeiros passos de Furtado enquanto felino de grande porte foram hoje recordados, em "Naked Blues", com projeções a condizer e a sensação de que, desde o início desta aventura, Legendary Tigerman sempre teve uma noção clara do corpo de trabalho sólido que viria a desenvolver. Tal como em 2008 ficámos com a imagem de Furtado, enquanto líder dos WrayGunn, a "perseguir" o festivaleiro que, no crowdsurfing, lhe roubara o sapato, desta feita o momento Kodak será "21st Century Rock'n'Roll". Além do improviso musical, Paulo Furtado, que estaria debilitado com dores de costas, desceu até ao público, que provocou de forma a que os espectadores a ele se juntassem no pregar de uma só cartilha: ROCK 'N' ROLL, repetido até ao limite da devoção. Eis senão quando o músico volta a palco e o microfone fica no fosso, onde um fã continua a debitar, freneticamente, aquele lema de vida, mote de concerto e despedida ideal: rock 'n' roll vezes mil, viemos a descobrir, é sempre igual a rock 'n' roll, e foi nessa matemática marota que Legendary Tigerman se fiou para, com justiça, se coroar rei e senhor do palco principal de Paredes de Coura. Texto: Lia Pereira Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos