Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

Vodafone Paredes de Coura: Gala Drop entre Vénus e Marte, Ceremony revisitam Manchester

A banda portuguesa abriu o palco principal, num primeiro dia onde o grande afluxo de público é notório. Seguiram-se os californianos Ceremony. Siga a reportagem da BLITZ.

Aos primeiros minutos de Gala Drop, o primeiro concerto do festival, confirmam-se as previsões de enchente: há muita gente a atravessar os portões, a uma hora em que muitos costumam ainda demorar-se pela vila, muita gente estendida na relva, escolhendo cuidadosamente os lugares à sombra (pelo menos até sexta-feira, o sol vai escaldar), e até muita gente a descer o verdíssimo anfiteatro aos saltinhos de alegria. É bom estar aqui, concordamos, e em palco os Gala Drop fazem os possíveis por animar os momentos iniciais de um festival que tem na edição deste ano a mais concorrida de sempre. À boleia de guitarras e percussão dupla, a banda de Lisboa produz um som ora psicadélico ora quase tribal, passando pelo afrobeat e momentos mais exploratórios; ritmo é, aqui, a palavra de ordem, mas a plateia regalada do festival, que nos últimos anos ganhou a alcunha carinhosa de Paredes du Coeur (direitos reservados), está claramente a guardar-se para mais logo, no que respeita a entregar-se à música. Pelo menos da nossa parte, visitantes assíduos do certame minhoto, falamos: Paredes de Coura comanda um abrandar de ritmo que o corpo agradece e a mente autoriza. Vejamos se a enchente prevista para esta edição permitirá alcançar a habitual paz de espírito. Em conversa com o organizador de Paredes de Coura, João Carvalho, ficamos a saber que o anfiteatro deverá receber, este ano, mais três mil pessoas do que as registadas no último dia da edição de 2014; o promotor admite vir a realizar algumas mudanças no recinto, em 2016. Por enquanto, o espaço mantém-se praticamente inalterado, com algumas pequenas exceções, como a chegada de dois espaços para fazer tatuagens. Tendo escolhido um nome como Ceremony, os californianos que sobem ao palco principal após os Gala Drop não escondem o revivalismo da velha fria Manchester. Efetivamente, o que se ouve em The L-Shaped Man, o quinto álbum de uma banda que já leva dez anos de carreira, é uma revisitação dos sons pós-punk à moda dos Joy Division, não terrivelmente longe daquela operada pelos Interpol. Da bateria de Jake Casarotti, porém, sai um som bem mais metralhado que faz outro sentido quando os Ceremony revisitam a sua costela punk - é em "Sick", canção sobre estar fartinho de tudo, que Ross Farrar, tronco tatuadíssimo e movimentação de palco selvagem, revela o hardcore que lhe corre nas veias e arranca, também, as primeiras reações de entusiasmo do público, cada vez mais numeroso. "É muito difícil ser um ser humano hoje em dia", apresenta Farrar, dedicando o frenético tema a "todos os punks que andam para aí". Até agora, já vimos t-shirts de Slowdive, Led Zeppelin e (claro) Joy Division, mas quer esta descarga de agressividade como as menos diretas "The Party" ou "The Bridge" foram conquistando a plateia, cujas primeiras filas o cantor e agitador não deixou de visitar. Lia Pereira