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Vodafone Mexefest: a sofisticação dos Chairlift bateu a impaciência do público

Os nova-iorquinos atuaram perante um Coliseu bem composto, servindo com delicadeza e requinte as canções do futuro Moth, álbum que sairá em janeiro.

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Corriam rumores, antes de se iniciar esta nova edição do Vodafone Mexefest, de que a segurança dos espaços seria redobrada, à luz dos atentados ocorridos em Paris. Dito e feito; para além dos tradicionais seguranças, no Coliseu estavam igualmente presentes membros do Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro da GNR, preparados para quaisquer eventualidades mais trágicas - o que, felizmente, não ocorreu nem há quaisquer indícios de que poderá ocorrer. Mas prevenir é o melhor remédio, como diz o ditado, e não existia qualquer tipo de receio ou nervosismo derivados da presença destes militares entre o público que esgotou o festival lisboeta. O que existia, e existiu durante os vinte minutos que demoraram os Chairlift até subirem finalmente ao palco, foi uma dose enorme de impaciência. Assobios, gritos, desabafos mais ou menos duros devido à falta de lugares sentados, incompreensões debatidas em tons ríspidos devido ao atraso. Um atraso ínfimo: vinte minutos não são nada. Mas num festival como o Vodafone Mexefest, em que a acção decorre em vários pontos e ao mesmo tempo, vinte minutos podem ser uma eternidade. Não seria de todo estranho que a banda nova-iorquina tivesse sido "trocada" pela audiência por qualquer outra das propostas do cartaz que atuassem àquela mesma hora. Mas não foram. Vinte minutos não esvaziaram o Coliseu de Lisboa; encheram-no quase até ao topo, até ao momento em que as luzes finalmente se apagam e se ouvem as primeiras notas de um saxofone flutuando no éter, primeira textura para um tecido eminentemente pop (com raízes electrónicas) e eminentemente sofisticado, tal qual a voz de Sade Adu, fosse esta nascida no século XXI e não nos saudosos anos oitenta. Não quer isto dizer, obviamente, que os Chairlift se dedicam ao plágio; nada disso. A roupa sonora que desfilam sob luz branca é demasiadamente bem trabalhada a partir da seda mais rica, e não mera contrafacção. Roupa sonora essa que ora entra em terrenos minimais, mas dançáveis, e embrenhados no negrume do pós-punk, ora se solta no ar num funk borbulhante e delicado cujo maior inimigo é a indiferença - e essa não existiu, tal como a impaciência se dissipou prontamente. Num concerto que serviu, sobretudo, para abrir o apetite para Moth, álbum que editarão em janeiro do próximo ano, e que os próprios ressalvaram, pedindo desculpa por eventuais erros ("ainda nos estamos a habituar a tocar estas canções", disse a dada altura a vocalista Caroline Polachek), os Chairlift mostraram-se dignos de figurar naquele que é o grande palco do Vodafone Mexefest, ainda que eclipsados pela presença do já gigante Benjamin Clementine, que ali se apresentaria dentro de algumas horas. Fica o desejo de nos voltarmos a reencontrar com eles, sem espectros e sem atrasos. Algo nos diz que isso acontecerá muito em breve. Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos