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TV On The Radio hoje em Paredes de Coura: 'O rock é branco e caucasiano e isso não vai mudar tão cedo'

Vêm a Portugal para mostrar no festival minhoto Seeds, depois do cancelamento de concertos em fevereiro. Falámos com o vocalista Tunde Adebimpe.

Depois de dois concertos cancelados em Lisboa e Porto, no passado mês de fevereiro, apresentam-se em solo nacional quarta-feira, às 00h15, no festival de Paredes de Coura, com Seeds - quinto álbum - como farol. Ao telefone dos Estados Unidos, o vocalista (e também ator) Tunde Adebimpe (na foto, à esquerda) mostra um entusiasmo renovado. Veja aqui um excerto da entrevista à edição de sábado passado da revista E, do Expresso. Chegam a Paredes de Coura cinco meses depois de terem entrado em digressão. Sentem-se cansados ou em topo de forma? Está tudo bem. Não estamos a fazer a digressão típica em que todos acabam a atirar coisas para cima uns dos outros e a odiarem-se mutuamente. Não tem sido uma maratona e as canções novas têm sido divertidas de tocar. Não há razão para queixumes. No ano passado, à revista "Time", dizia que Seeds era o seu álbum favorito de TV on the Radio. Nove meses volvidos sobre a edição do disco, ainda tem a mesma impressão? Sim, mantenho. E ainda gosto mais, provavelmente porque agora estamos a tocá-lo. Quando concluímos o que quer que seja, neste caso um álbum, leva o seu tempo até que se perceba o que está em causa, até compreender o que, de facto, aconteceu. Faz-se um disco e a verdade é que nunca se sabe o que fazer com ele. Está feito, pronto. E agora? Progressivamente há uma certa confusão que migra para um estado de fruição. É um alívio. Quando Desperate Youth, Blood Thirsty Babes, o primeiro álbum de estúdio, foi editado, fez-se notar que os TV on the Radio eram uma das poucas bandas predominantemente negras a fazer rock 'alternativo'. Onze anos depois, parece-lhe que algo mudou nesse aspeto? Não conheço o mundo inteiro, mas pelo menos no círculo em que me movimento a situação é igual. O rock independente, como o rock em geral, é predominantemente branco. Mas também não abundam bandas rock de nativos americanos ou de descendentes de asiáticos... O rock é branco e caucasiano e não me parece que isso se altere tão cedo. Há, isso sim, muita música aborrecida - isso é que é preciso mudar Entrevista: Luís Guerra