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The Jesus and Mary Chain no NOS Alive: Tão Psycho, tão Candy, tão bom

Histórica banda escocesa interpretou, imaculadamente, o seu primeiro álbum, Psychocandy e no final juntou-lhe três brindes. Sim, era tudo o que queríamos ouvir.

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Sejamos o menos sentimentais possíveis: Psychocandy é um grande álbum, mas já vimos os Jesus and Mary Chain a fazer pouco dele em concertos inexpressivos, para cumprir calendário em carnavais de tempos idos. Aliás, o 'comeback' da banda escocesa, em 2007, foi daqueles à Pixies (antes de os Pixies fazerem um álbum 'novo' de que nem vale a pena falar), para encher o bandulho e pagar a faculdade aos filhos - ou um iate a pronto. Nada contra fazer render o peixe - e que boa faina, a de 1985, ano do clássico aqui interpretado -, mas a simpatia que se sente por uma banda como os Dinosaur Jr. (que fizeram na segunda vida álbuns capazes de ombrear com os da primeira) terá, provavelmente, mais razão de ser. O último concerto dos Jesus and Mary Chain em Portugal - em 2007, no Super Bock Super Rock - foi desses de que não se guarda boa memória, artefactos ímpares dos anos 80 e 90 interpretados com a vitalidade de uma lesma na aula de Educação Física. Estavam velhos, dizíamos. "Fumem mais drogas", dizia o fã da velha guarda, insatisfeito com a modorra. Hoje não foi assim. Voltamos a ser pouco sentimentais: é sabido que a postura de palco de Jim Reid e comparsas nunca foi a de uns Primal Scream, invariavelmente enérgicos a cada ocasião - e não os referimos por acaso, já que Bobby Gillespie (o frontman da banda de "Rocks" e "Kowalski") foi o homem atrás da bateria em Psychocandy. Até Robert Smith, dos Cure, se mexe mais do que um elegante Jim Reid, semblante sério a mostrar que, com mais ou menos vontade, Jesus and Mary Chain nunca foi banda para grandes festas. E não obstante o apesar e os contudos, este foi um grande concerto. E agora vamos ser um bocadinho sentimentais: um grande concerto de rock à antiga, sem favores, truques de vendedor ou fogo de artifício. A única batota? Tocaram o seu melhor álbum (por muito que por aqui se façam vénias a Darklands). Atrás, um fundo alusivo à ocasião. Em "Just Like Honey", o início-maravilha, vemos que há uma banda em palco. A partir daí já não garantimos, tal foi a quantidade de fumo que rodeou os irmãos Jim e William Reid e restantes companheiros. A partir daí, repetimos, a bola passou para o lado de cá, o das memórias, o do reconhecimento, o do arrepio que se sente em "Taste of Cindy", do borbulhar que provoca "The Living End", do sabor agridoce de "Never Understand", "In a Hole" ou "You Trip Me Up". A barragem sonora na cara (ainda que, perdoem-nos os ciosos da saúde auditiva, pudesse estar mais a "rebentar"), a guitarra definida qb, a voz de Jim Reid no ponto certo - e quem ouviu Jim Reid cansado e desafinado em 2007 demora a acreditar que o homem está oito anos mais velho -, e entre as brumas da memória há corações que batem (e outros que foram bater para outro lado, que o palco Heineken não estava propriamente a rebentar pelas costuras). Depois do clássico, três brindes para o caminho: "Head On" (de "Automatic"), "Some Candy Talking" (do EP homónimo) e a ácida (mas mais gingona) "Reverence" (de "Honey's Dead"). Era tão bom que nos voltássemos a ver. Texto: Luís Guerra Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos