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Ter ou não ter selfie control num festival: eis a questão

"Põe no Instagram, já partilhaste no Facebook?". Dilemas de ter um smartphone na mão.

É um ele, é uma ela. Os dois estão calados, sentados num degrau, cada qual com o seu smartphone na mão. Recarregam baterias? Improvável: o segundo dia do NOS Alive mal começou. O repórter aproxima-se, tentando passar despercebido. No ecrã de um telefone vemos o reflexo dela. No ecrã de outro, uma foto (dela) muito parecida no Instagram dele. A seguir abrem ambos o Facebook. Ela tem 9 notificações, ele entra logo no Messenger.

Levantam-se, sincronizados, e o repórter finge que não está ali a topar tudo. Estão de costas para o palco Heineken, onde começa o concerto de Cold Specks. Há música, maravilha, acabou-se a socialização via telefone, começa a partilha real de impressões. Mas dura pouco tempo.

Ao cabo de uma canção, voltam ambos costas para o palco. Ok, não é bem a cena deles, pensamos. Eis senão quando ela saca do aparelho outra vez, empunha-o três palmos acima dos olhos de ambos e zuca, tira uma foto onde os dois ficam enquadrados com o que se passa, atrás, em palco.

São eles e Cold Specks, uma banda que não voltarão a ouvir e mal viram. São eles, sobretudo, e uma banda a tocar num festival. São eles. Mas também somos nós, em festivais, em 2015. Com o bicho carpinteiro, despertos a tudo, mas com um grau de concentração que ainda não acompanha, provavelmente, a evolução da tecnologia.

Texto: Luís Guerra