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Super Bock Super Rock: Unknown Mortal Orchestra entregam-se ao crowdsurfing em concerto com elevada nota artística

Vieram, viram e venceram, estes mortais que não chegam para uma orquestra, mas sobram para conquistar o público do palco EDP.

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Chamam-se Unknown Mortal Orchestra mas tudo no nome é um engano: julgando pela reação de uma muito bem composta plateia do palco EDP, estes neo-zelandeses/yankees são tudo menos desconhecidos, podem até ser imortais e apesar de expansivo, o quarteto não chega para merecer a classificação de orquestra. Mas nada disso belisca a prestação do grupo liderado pelo poli-amoroso Ruban Nielson. Não que a abordagem às relações amorosas de Nielson - ou de qualquer outro dos músicos neste ou noutro cartaz qualquer - tenha algum tipo de relevância, mas a verdade é que é tema central de Multi-Love, álbum que forneceu alguns válidos argumentos para esta prestação, incluindo o tema título. A música dos Unknown Mortal Orchestra é policromática - há uma ideia de psicadelismo que a atravessa, arremedos de blues nalgumas investidas mais vigorosas de Nielson na guitarra, funk na fundação de boa parte dos temas, ousadia espacial nalguns outros que se prolongam visitando até o planeta feedback, ambição harmónica à la Stevie Wonder, falsettos que o colocam perto de Prince, enfim, todo um vasto universo de referências que lhe reforça a singularidade, por paradoxal que possa parecer. E Nielson tem perfil de rock star, capacidade de entrega, conseguindo conquistar o público e até fazer crowdsurfing e sair incólume mesmo a tempo de mais um refrão. O público está nas suas palminhas, o que só prova que o investimento em entrega e suor recompensa. "The World is Crowded" ou "So Good at Being in Trouble" foram apenas dois dos momentos altos de um concerto que andou sempre perto do ponto de ebulição e nunca se contentou em ser apenas morno. Músicos discretos, mas ultra-competentes, canções iluminadas e perfeita sintonia com o público chegaram e sobraram para que os Unknown Mortal Orchestra saiam daqui vencedores. Os aplausos efusivos são a justa recompensa. O largo sorriso no rosto de Ruban Nielson indica que não é só o público que sai com a alma cheia. Rui Miguel Abreu

Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos