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Super Bock Super Rock: Um pequeno dragão pode não caber debaixo de uma grande pala

Os suecos sabem uma coisa ou duas acerca dessa arte da ilusão chamada "pop" e os Little Dragon têm a escola toda.

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A noite cai, finalmente, sobre o primeiro dia de Super Bock Super Rock e umas horas depois do arranque, olhando para a cara das pessoas, até parece que este festival nunca conheceu outra casa. Não há poeira, abundam as zonas onde se pode descansar e há muitas razões para as pessoas se distraírem. Para lá da música claro: provar que Newton tinha razão e que tudo o que sobe também tem que descer atirando gente de uma plataforma elevada para um enorme colchão de ar ou desafiar Newton colocando uma espécie de foguetão de água nos pés que permite a um par de tipos com ar de super-heróis com fatos de surf flutuarem acima do lago que se estende entre o Pavilhão de Portugal e o rio Tejo. Há de tudo. Beneficiando da penumbra, em frente ao palco EDP, as massas agitam uma espécie de versão chinesa do sabre de luz da Guerra das Estrelas enquanto uma exótica versão da Princesa Leia se agita em palco. Trata-se, na verdade, de Yukimi Nagano, a vocalista dos Little Dragon que enchem de ritmos dançantes de recorte electrónico o generoso espaço abrigado sob a pala milagrosa que Álvaro Siza Vieira desenhou para o Pavilhão de Portugal que, já agora, tem praticamente a mesma idade da banda sueca que a sério, a sério já conta quase duas décadas de vida. Yukimi é secundada por três músicos e todos se socorrem da electrónica para fazerem barulho, mesmo o baterista que graças a alguma tecnologia soa como uma caixa de ritmos (o que não deixa de ter alguma graça quando se pensa que o grande sonho das primeiras máquinas de ritmos - ou dos seus criadores... - era soarem como bateristas reais). Há ainda um baixista que também tem um banco de teclados à frente e um segundo teclista que também acrescenta algumas percussões à salada fortemente rítmica destes conterrâneos do Ikea. E como a famosa marca de mobiliário, cujas peças parecem a princípio serem sempre impossíveis de montar, como se as instruções viessem na língua de origem e não em práticos desenhos, também a música desta banda parece mais sólida e complexa do que realmente é. Há toques de dub, de italo disco, de house, tudo embrulhado em sons que aterraram no presente vindos directamente dos anos 80, mas o pulsar é típico da pop contemporânea. Como as inescapáveis criações do gigante do mobiliário, as propostas dos Little Dragon enchem o olho (ou os ouvidos), mas parecem não ser pensadas para durar, o que talvez ajude a explicar que apesar de já contarem quatro álbuns, os Little Dragon continuam a falhar a primeira divisão do campeonato pop global. Mas por esta noite, não há como negar: a fórmula funciona e o público corresponde com dança, mesmo às propostas do mais recente Nabuma Rubberband, embora seja, muito naturalmente, o material do anterior Ritual Union, como o tema título ou "Summertearz" que consegue maior eco junto de um público desejoso de agitação. E visualmente a coisa até é bonita: há losangos de luz em palco que vão impondo uma espécie de arco-íris geométrico em torno da banda e bastões luminosos que agitados ritmicamente dão uma forte tradução visual aos temas dos Little Dragon. Rui Miguel Abreu Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos