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Super Bock Super Rock: Rodrigo Amarante construiu uma ilha no meio do Atlântico, a Banda do Mar trouxe 'Anna Júlia'

A Meo Arena parecia gigante para o brasileiro "pajé", mas o autor de Cavalo conseguiu transportar para o maior palco do Super Bock Super Rock o intimismo do seu disco a solo. No palco EDP, a Banda do Mar fez a festa.

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À primeira vista, o cenário podia parecer desolador. Sozinho em palco, Rodrigo Amarante enfrentava uma gigantesca arena onde o espaço vazio era muitíssimo maior que aquele que se encontrava preenchido. Porém, as poucas centenas de fãs que se concentraram na frente do palco mostraram ser conhecedoras das canções que o carioca inscreveu na memória e no coração de um pequeno culto: para quem conhece e adora Cavalo, o seu primeiro disco verdadeiramente a solo, todas as canções são "aquela". Desde "Irene" ou "Nada em Vão", com que Amarante começa, "devagarinho" e sozinho, o seu espetáculo, até à versão de novos Baianos ("Mistério do Planeta"), ao inédito que estreou ou a "Maná", o maravilhoso sambinha que pôs a turma verde e amarela a abanar a anca, já com banda, Amarante proporcionou um belo final de tarde. A propósito dos 30 anos da BLITZ, entrevistámos Manel Cruz, que na altura nos disse andar encantado com o disco Cavalo, e confessava que o tinha ouvido primeiramente sem conhecer o autor e a data de edição, julgando até que se tratava de um álbum perdido de um veterano e obscuro artista. As canções do ex-Los Hermanos, que enfrentou a imensidão do ex-Atlântico com aquele sorriso meio doce, meio malicioso, têm realmente essa aura intemporal e, ainda que seja estranho encontrá-las, tão lunares e aparentemente frágeis, neste palco por onde passaram super headliners como Sting e Blur, acabam por ser recebidas como as pequenas pérolas que são. "Mon Nom", "O Cometa", "I'm Ready", "Tardei" (recentemente servida por um magnífico vídeo do português André Tentugal), até mesmo a espectral "O Cavalo", com Amarante ao piano: não se perde nada na transição entre idiomas e o ambiente encantatório conserva-se, na medida do possível de um festival: embora partam de um evidente lugar de solidão, as canções de Cavalo apelam a um certo sentimento comunal , mesmo que esta comunidade se pareça mais com uma aldeia do que com uma cidade. Depois da ilha de Rodrigo Amarante no ex-Atlântico, a Banda do Mar montou um verdadeiro arraial sob a pala do palco EDP. Já os tínhamos visto há uns meses, no Tivoli, mas não há dúvida que as canções de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães respiram e dançam melhor ao ar livre. Será talvez um pouco redutor que as músicas escritas e cantadas por Mallu ("Mia", "Me Sinto Ótima", "Muitos Chocolates", de uma deliciosa coqueteria) trazem uma faceta ainda mais juvenil e veraneante ao grupo onde milita, também, o português Fred Ferreira, e que esta noite se apresentou com Alexandre Bernardo na guitarra e Nuno Rafael no baixo. A outra parte deste comentário redutor passa por salientar a qualidade sempre um pouco mais melancólica das composições de Marcelo, que hoje agradeceu, de forma sentida, "os sorrisos" com que os portugueses os têm recebido nos últimos meses. A verdade é que, ao vivo tal como em disco, graças à genuína doçura das canções, ao amor que transparece entre os músicos da banda e a pormenores suculentos como as harmonias vocais do casal, a receita resulta. E, ao vivo, o espetáculo oleado da Banda do Mar traz ao Super Bock Super Rock aquela euforia pop que um festival de verão pede. Vimos amigos a fazer rodas, muitos fãs a celebrar as letras - "Mais Ninguém", o primeiro single e grande êxito radiofónico, gerou um dos primeiros coros apaixonados - e uma felicidade estival que justifica plenamente o comentário da amiga ao nosso lado: "Até sinto a areia nos pés!". Podíamos ainda falar da ligeira deriva do repertório da Banda do Mar, quando Mallu recordou o seu êxito "Velha e Louca", ou quando ela e Marcelo puseram em cima da mesa "Janta", a primeira canção em que juntaram as vozes, mas não há como negar que o momento de verdadeiro êxtase chegou com "Anna Júlia". O monstruoso single dos Los Hermanos, que a banda chegou quase a renegar, apareceu esta noite de surpresa e será com certeza o grande responsável por, amanhã, boa parte destes fãs não ter voz. Mas o sorriso deverá continuar lá. Lia Pereira

Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos