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Super Bock Super Rock: O rock de pub dos Palma Violets marca pontos à beira do Tejo

Entregam-se como se fosse o maior concerto das suas vidas e marcam pontos, ainda que não arrebatem totalmente: os londrinos trazem ambiente de pub para um concerto de festival e a ideia funciona.

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Os Palma Violets pertencem à divisão dos Libertines e a uma longa tradição de bandas de guitarras que, através das eras - dos Kinks e dos Yardbirds aos Spiders From Mars e T. Rex, passando por Buzzcocks ou Jesus and Mary Chain, para citar apenas uma meia dúzia de exemplos - sempre procuraram aplicar o processo alquímico na música - não para transformar pedra em ouro, mas para transfigurar ódio/ócio/tédio/escárnio/desespero/paixão/revolta (riscar o que não interessa consoante os casos) em canções pop vestidas de electricidade.

E, ainda a propósito da prestação dos Blur na noite de ontem, ocorre-me que, afinal de contas, a grandeza de uma banda também tem que se medir usando a régua da perspectiva: haveria realmente melhor banda no mundo do que os UHF para um jovem operário de Almada a ouvir aqueles tipos a cantarem "Jorge Morreu" na Incrível Almadense numa noite fria de Dezembro de 1979? Não creio... Alguém maior do que os Xutos a darem o corpo ao manifesto na véspera do 1o de Agosto numa noite suada no Rock Rendez Vous? Impossível. É provável, por isso mesmo, que para quem ainda vive agarrado a uma qualquer memória dos anos 90 não exista pináculo musical mais elevado do que aquele que os Blur representam, sobretudo se testemunhados entre irmãos de armas nas primeiras filas da MEO Arena. Concedo isso.

Da mesma maneira, não me custa acreditar que ouvir Palma Violets num pub do norte de Londres - ou, vá lá, no Music Box - seja o equivalente a ver a luz, sobretudo se se tiver 23 anos e se se estiver apaixonado. Estes rapazes fazem música que rima com cerveja e camaradagem, sem as mais elevadas pretensões artísticas ou poéticas, mas não há como não admitir que para alguém, nem que tenha sido por cinco minutos, algures, os Palma Violets já hão-de ter sido maiores do que a vida, sobretudo naqueles momentos mais singalong, quando os "mates" estão por perto e o fim do mês recheou o bolso.

Acredito nisso tudo, mas neste contexto, debaixo da pala do Siza, para tanta gente que se protege do sol com brindes publicitários, os Palma Violets pouco mais são do que uma curiosidade para passar o tempo enquanto não chegam os maiores nomes do dia. Há meninas com cartazes com mensagens para Florence Welch, só para dar um exemplo. E isso até pode ser injusto, porque há um certo charme operário/suburbano em canções como "Rattlesnake Highway" ou "Last of the Summer Wine". E há uma química perfeitamente natural entre Sam Fryer, o carismático vocalista, e "Chili" Jesson, o não menos carismático baixista, que contamina quem os vê mais de perto. Não chega para a eternidade, mas aqui e agora faz todo o sentido.

Texto: Rui Miguel Abreu

Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos