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Super Bock Super Rock: As bolachas pop belgas dos dEUS não saciaram a MEO Arena

A banda de Tom Barman tem uma longa história e pergaminhos inegáveis, mas não aqueceu a multidão que aguarda os Blur.

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"Boa noite!" São estas as palavras que se escutam na boca de Tom Barman antes dos seus dEUS se atirarem a "Via", um dos temas incluídos no recente Selected Songs 1994-2014, a compilação com que a banda belga procurou reafirmar-se no panorama internacional e que fornece o alinhamento para este concerto. Logo de seguida, a primeira piscadela de olho ao universo habitado por Captain Beetheart. É "The Architect", um dos temas que a banda de Tom Barman e do violinista e teclista Klaas Janzoons conseguiu inscrever nos tops belgas.

É com uma receita sonora enérgica e vigorosa, som moldado à dimensão de arenas como aquela em que está instalado o palco Super Bock, que os dEUS começam por se apresentar. Mas estas são coordenadas distantes da que a memória dos 90 guarda: as de uma banda indie, com uma paixoneta óbvia por Tom Waits, capaz de temperar a sua pop crepuscular com blues e jazz de cabaret.

"Obrigado Lisboa. Muito tempo... Tudo bem?" Tom Barman usa o trunfo do conhecimento razoável da nossa língua para tentar seduzir o público. O que em parte resulta: parece que os seus arremedos na língua de Camões surtem mais efeito do que as canções. Ainda assim, um certo grau de familiaridade com canções como "Instant Street" ajuda qualquer coisa.

Os dEUS são belgas, mas soam francamente americanos nesta versão electrificada para multidões que no caso deste "Instant Street" inclui mesmo um final estendido e orgásmico, com a guitarra a registar um crescendo que qualquer jornalista britânico não teria pejo em descrever como "crowd pleasing". Do mesmo molde sai também "Fell Off The Floor Men".

Quando chegam a "Little Arithmetics", estes Deus já beneficiam de uma MEO Arena a três quartos da capacidade. Mérito, certamente, dos senhores que hão-de seguir-se, mas os belgas não se fazem rogados e entregam-se com todos os seus argumentos. Por esta altura, o seu rock soa algo genérico e indistinto, certamente diferente do som que lhes valeu aplausos da crítica na fase inicial da carreira. E é curioso perceber como reage uma plateia com vários milhares a música que boa parte parece não conhecer.

Não teria sido mais acertado ter os Drums antes dos Blur? Os americanos assinaram um belíssimo set, económico de meios, mas absolutamente expansivo na sua pop de recorte indie capaz de sobreviver, pelo menos assim pareceu, a todas as óbvias referências aos Joy Division, Echo & The Bunnymen ou Gang of Four. É que a essa fórmula, os moços de Brooklyn acrescentam o factor rádio que confere ao seu reportório um grau de reconhecimento de que os Deus certamente não beneficiam... E ouvir "Quattre Mains" tem um efeito semelhante a assistir a um filme sem legendas no meio de uma plateia habituada apenas a blockbusters e pipocas.

"Hotellounge (Be The Death of Me)" e "Bad Timing" (ironia, este título neste contexto...) rematam a noite dos Deus perante uma plateia gelada. E é impossível não pensar em como daqui a mais ou menos uma hora esta mesma plateia há-de explodir quando soarem os acordes de "Song 2"... Mau timing, de facto, o dos dEUS que teriam certamente beneficiado de tocar para uma plateia mais concentrada de fãs conhecedores se tivessem aparecido mais cedo no cartaz. Venham de lá os Blur então que há um iceberg para derreter.

Texto: Rui Miguel Abreu

Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos