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Roger Waters diz que Caetano Veloso está a ser 'ingénuo' e implora que brasileiro cancele visita a Israel

Caetano Veloso respondeu ao britânico e este voltou à carga, criticando o estado e a população de Israel. Thurston Moore junta-se a Roger Waters, Mark Kozelek mantém concerto em Tel Aviv.

Roger Waters voltou a escrever a Caetano Veloso, pedindo-lhe que cancele o concerto com Gilberto Gil em Israel, a 28 de julho.

Em resposta à primeira carta, Caetano Veloso agradeceu as palavras de Roger Waters mas manteve-se firme na intenção de tocar em Israel. 

Agora, o britânico sugere que o brasileiro está a ser "ingénuo" e implora-lhe que cancele a sua visita: "O atual regime de extrema direita de [Benjamin] Netanyahu [primeiro-ministro de Israel] é apenas o governo perpetrando atos cruéis de injustiça e colonização. Mas isso não é um problema apenas da direita", escreve o ex-Pink Floyd.

"A sua carta sugere que você acredita que o seu concerto em Tel Aviv pode ajudar a mudar a política israelita. Eu sugeriria que essa é uma posição ingénua. Infelizmente, não é apenas o governo israelita que precisa de uma mudança de mentalidade. Pesquisas indicam que uns impressionantes 95% do público judeu israelita apoiaram os bombardeamentos a Gaza em 2014 (561 crianças mortas), 75% não apoiam um Estado palestino baseado nas longamente negociadas fronteiras de 1967, e 47% acreditam que os cidadãos palestinianos de Israel devem ser destituídos da sua cidadania".

"A sua presença lá será usada como propaganda pela direita e proporcionará cobertura e apoio moral às políticas ultrajantes, racistas e ilegais do governo israelita. Imploro-lhe que desista da sua participação em Tel Aviv; em vez disso, aproveite para visitar Gaza e a Cisjordânia", remata Roger Waters. 

No início do ano, Thurston Moore, ex-Sonic Youth, tomou uma posição semelhante à de Roger Waters, cancelando um concerto em Israel, justifcando mais tarde que a postura daquele estado vai contra os seus valores. Já Mark Kozelek manteve o seu espetáculo em  Tel Aviv.

No site do norte-americano, pode ler-se: "O Mark acredita que nem todas as pessoas de Israel estão envolvidas na sua política e que merecem usufruir da música como toda a gente. O Mark tocou em Tel Aviv três vezes nos últimos quatro anos e nunca os promotores, of fãs ou o risotto do La Shuk o deixaram ficar mal".