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Rock in Rio Lisboa 2012: recorde a reportagem do 1º dia (25/05), com Metallica e outros [texto + fotos + vídeos]

Metallica, os reis da noite. Mastodon, dignos herdeiros. Evanescence, a desilusão. Passaram pelo Parque da Bela Vista 42 mil pessoas, segundo a organização. A BLITZ conta-lhe tudo.

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Palco Mundo (início às 19h00) Metallica Evanescence Mastodon Sepultura + Tambours du Bronx Palco Sunset (início às 17h00) Ramp + Teratron Mão Morta + Pedro Laginha Kreator + Andreas Kisser Eletrónica (início às 21h00) Chase & Status DJ Set & Rage Dr. Lektroluv Life is a Loop Live Leo Janeiro Tha Lovely Bastards (Mad Mac & Nuno Lopes) Bis Boys Please ------------------- 17h30 - Quando a reportagem BLITZ (vertente prosa) chega ao recinto é surpreendida com o som pujante dos Mão Morta no palco Sunset. Ao contrário do que estava previsto, a banda de Adolfo Luxúria Canibal teve as honras de estrear o cardápio musical do Rock In Rio Lisboa 2012. Em palco, de branco integral, o convidado especial Valter Hugo Mãe, escritor que agora assume as maiúsculas do nome, contrasta com uma plateia naturalmente dominada pela cor "oficial" do metal, o negro. Como é hábito, o palco Sunset está localizado no topo contrário ao palco principal, aproveitando os intensos raios de sol que, neste fim de maio, perduram até bem tarde. Atrás de nós, uma das inovações desta edição do festival: a Rock Street. Dominada, a meio, por um coreto onde atuarão, ao longo dos cinco dias do evento, algumas bandas que recauchutam o conceito da filarmónica. A rua, essa, replica o charme de Nova Orleães, mas serve de artéria comercial alternativa aos comes e bebes corriqueiros em todos os festivais (há doçaria, uma taberna madrilena, e uma "sucursal" de uma afamada casa lisboeta popular pelos seus pastéis de massa tenra, entre outros salgados). Na Rock Street também há coisas pouco rock como a banca, bebidas energéticas e um cabeleireiro de griffe. E há uma loja de produtos culturais (começa por F...), uma óptica, telecomunicações, o porco e a vaca fustigados de todas as maneiras e feitios (com o objetivo de alimentação, entenda-se), pizzas e petiscos que tais. Percorremos a verdura na diagonal (passeando pelo espaço que, dentro de horas, estará repleto de fãs dos Metallica, Mastodon e outros portentos) e sentimos o odor a cachaça (vende-se), charro (não, pelo menos de forma legal) e começamos a contar t-shirts em festivaleiros. Resultado: os Metallica dão uma cabazada tal que até há mais quem venha vestido "de Korn" do que de Mastodon. Megadeth e Nirvana estão bem representados; compreensivelmente, não avistámos merchandising de Bon Iver. O cliché vai-se atualizando: podemos jurar que há mais fãs de metal com os braços tatuados do que com o cabelo por cortar. Raparigas não dispensam os corpetes, as meias de rede e, aqui sim, o cabelo comprido. Mas sim, é um cliché; também há cristas punk cor-de-rosa devidamente patrocinadas. Vamos arejar mais uma vez. 18h40 - Segundo o vocalista Ricardo Correia, "a banda mais porca de Lisboa acabou de aterrar neste festival" e, de facto, os We Are The Damned - que acabam de inaugurar um pequeno palco de um patrocinador - são a banda mais extrema deste "dia do metal" do Rock In Rio Lisboa 2012. Com a sua mistura de death metal sueco, crust e rock'n'roll, o quarteto - que conta na sua formação com alguns músicos bem conhecidos do underground nacional - tem recebido óptimas críticas, acabou de fazer uma digressão europeia e aproveita agora esta oportunidade para fazer chegar temas como "Christian Orgy" a um público mais generalista. Entretanto, a uma distância bem considerável, os Ramp já materializam a muito aguardada colaboração com os Teratron e, apoiados num alinhamento que tanto contém temas mais recentes como alguns dos "clássicos" que foram gravando ao longo da sua já longa carreira, provocaram a primeira enchente do dia no palco Sunset. Experiência e uma base sólida de seguidores é coisa que ninguém lhes pode negar, como atestou a reacção efusiva com que foram brindados quando deram início à sua actuação poucos minutos depois das 18:00. No mesmo palco, cerca de uma hora antes, uma inesperada troca de alinhamento, fez dos Mão Morta a banda de abertura deste primeiro dia de RIR. Primeiro como sexteto e, depois, com formação alargada à participação de elementos dos Mundo Cão e Governo, interpretaram alguns dos seus temas mais emblemáticos face a um plateia ainda a adaptar-se ao local e demasiado distraída com as manobras promocionais a que ninguém, por muito que se esforce, conmsegue manter-se imune. Curiosamente, ou talvez não, escusaram-se ao óbvio e não tocaram o único tema que - muito provavelmente - grande parte dos presentes esperava ouvir . No entanto, o entusiasmo de Adolfo Luxúria Canibal compensou totalmente a ausência de "Budapeste" e a viagem a "Barcelona" e "Paris" deu um tiro de partida certeiro para uma noite que promete ser bem animada.
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19h55 - Enquanto os germânicos Kreator se preparam para subir ao Palco Sunset ainda ecoa no ar a barragem de percussão que dominou a primeira atuação no Palco Mundo. Os Sepultura e os Tambours Du Bronx protagonizaram uma colaboração que faz, efetivamente, todo o sentido e que, na prática, acabou por funcionar tão bem como no papel. Com a força das guitarras dos primeiros aliada à força dos tambores dos segundos, o impacto foi considerável junta do plateia mesmo que, bem vistas as coisas, o alinhamento escolhido para este concerto não tenha sido propriamente pensado para agradar aos indefetíveis e fanáticos de longa data do grupo brasileiros. À exceção de "Refuse/Resist", logo a abrir, e da arrebatadora sequência final com "Territory" e "Roots Bloody Roots", a hora que os músicos estiveram em palco foi ocupada essencialmente a tocar temas da fase mais recente, alguns apontamentos criados em colaboração entre os dois coletivos e ainda três originais dos Tambours Du Bronx, aqui adaptados ao peso que caracteriza os autores dos incontornáveis Chaos A.D. e Roots. Infelizmente o som pouco equilibrado deixou algo a desejar, mas como seria previsível levantou-se poeira no Parque da Bela Vista. Alinhamento Sepultura

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20h25 - A vez é dos Mastodon que, ainda sob a luz do dia, "atacam" o palco Mundo. A banda que há poucos meses passou pelo Coliseu dos Recreios reúne à sua frente uma plateia cada vez mais numerosa, sinal claro de que a afluência de espetadores aumenta à medida que nos aproximamos da hora do concerto dos Metallica. O sol põe-se com uma das formações mais vigorosas do metal contemporâneo. 21h10 - Se há bandas que apostam em basear as suas atuações apenas em material mais recente do seu repertório, outras há que preferem apoiar-se nos "clássicos" para fazer passar a mensagem. No Parque da Bela Vista, enquanto os thrashers germânicos Kreator - que contaram com a colaboração de Andreas Kisser, dos Sepultura, em dois temas - assinavam uma prestação sobretudo nostálgica no Palco Sunset, os norte-americanos Mastodon optaram uma vez mais por basear o seu concerto em temas dos seus registos de estúdio mais recentes. O grupo oriundo de Atlanta parece cada vez mais apostado em ignorar um passado a todos os níveis brilhante e, seguindo um alinhamento mais reduzido mas em tudo semelhante ao que apresentaram no seu primeiro espectáculo em nome próprio no nosso país - no Coliseu dos Recreios, a 22 de Janeiro - voltaram a ser os temas de The Hunter a ter todo o protagonismo novamente. Mais cerebrais e menos físicos que qualquer coisa que se tenha ouvido até aqui nos palcos do Rock In Rio - Lisboa 2012, os músicos assinaram uma hora de fusão de rock progressivo e metal extremo em que a proficiência técnica dos quatro elementos do projecto deixou muita gente de queixo caído. Da sequência de abertura com "Black Tongue", "Crystal Skull" e "Dry Bone Valley" ao final apoteótico com "Blood And THunder", a banda passou ainda por "Blasteroid", "All the Heavy Lifting", "Spectrelight" e "Curl of the Burl", entre outros. Com um à-vontade impressionante, a dupla de guitarristas aproveitou para se passear pelas passadeiras que se estendem da frente do palco enquanto debitavam os seus intrincados riffs e solos e, mesmo com a comunicação reduzida a um "obrigado" na despedida, saíram de cena sob uma chuva de aplausos. Alinhamento de Mastodon

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21h40 - Como se o tempo não tivesse passado por ela, Amy Lee, voz dos Evanescence, lembra os 8 anos volvidos sobre o primeiro Rock In Rio Lisboa, onde a banda do Arkansas marcou presença. Visivelmente entusiasmada com o regresso, o "vozeirão" da banda que desde esse concerto lisboeta já "perdeu" três elementos (mudanças na formação têm sido uma constante), "gastou" o trunfo "Going Under" (a primeira canção e o segundo single do multiplatinado Fallen) logo no início, mas a receção da plateia esteve longe de ombrear com a euforia dos dias de glória (e também é verdade que a profusão de t-shirts de Metallica não engana quanto ao motivo da adesão: até às 18h00, dados da organização apontam para 20 mil pessoas, número que terá subido substancialmente desde então). Com apenas três álbuns em 17 (!) anos de carreira, o grupo parece, hoje, refém da memória da primeira metade da década passada. Vamos tirar mais dúvidas. 22h45 - De um momento para o outro, o Parque da Bela Vista encheu-se para ver os Metallica (mais de 40 mil pessoas, avança a organização) e os Evanescence acabaram por beneficiar bastante com isso, tocando para aquela que - até ao momento - foi a plateia mais composta deste primeiro dia de Rock In Rio Lisboa 2012. De regresso aos discos e aos palcos depois de um longo período de silêncio, Amy Lee e companhia estão de volta iguais a si próprios e como se os últimos anos não tivessem passado por eles - que é como quem diz, como se o nu-metal continuasse a ser o som do momento... A verdade é que o género esmoreceu há algum tempo e os temas que em tempos fizeram vibrar multidões já não têm sequer metade do impacto que tiveram na altura em que o grupo surgiu no panorama. O próprio conceito do metal vocalizado no feminino mudou imenso desde então e a banda norte-americana não parece ter evoluído um centímetro que seja. Com um arranque ao som de "What You Want", "Going Under" e "The Other Side", Amy e o palco vestiram-se de lilás para interpretar uma mistura de riffs tipicamente nu-metal, ambiente gótico no limite do bom gosto e as já características acrobacias vocais, nem sempre tão bem conseguidas quanto seria desejável, da líder do colectivo. Dividida entre o microfone, o teclado e o piano - onde se sentou para interpretar de seguida "Your Star", "My Heart Is Broken" e "Lithium - acabou por ser uma Amy Lee cada vez mais voluptuosa e com um enorme sorriso de satisfação estampado na cara a afirmar-se como a peça central de uma atuação que nunca chegou a passar da mediania e que só conseguiu arrancar uma reacção digna de registo ao público já no final, com a interpretação de "Bring Me to Life", o tema que os tornou conhecidos. Alinhamento de Evanescence

23h17 - O palco, iluminado, espera os Metallica. E nós também.
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01h57 - O fogo de artifício marca o final do primeiro dia de Rock In Rio Lisboa 2012. Os últimos a abandonar o palco foram os Metallica, que interpretaram na íntegra (e de trás para a frente) o seu álbum comercial mais proveitoso, homónimo mas habitualmente designado de Black Album, depois de um início que foi ainda mais atrás na discografia ("From Whom The Bell Tolls" e "Master of Puppets") e um final também a recordar os (decisivos, para o heavy metal) anos 80. A maior "explosão", como se esperava, deu-se com o inevitável "Enter Sandman", entoado a milhares de vozes como se fosse 1991 (e 92 e 93) outra vez. "Sad But True", "The Unforgiven" e a balada "Nothing Else Matters" (a ressuscitar os isqueiros que os telemóveis "apagaram") foram outros óbvios pontos de comunhão - no que a Black Album diz respeito - com uma plateia que nos temas menos "badalados" acabou por ser mais recatada do que se esperaria. Depois de terem comemorado o trigésimo aniversário em dezembro do ano passado, os gigantes Metallica atiraram-se a uma tarefa muito em voga atualmente e tornaram real um sonho de longa data de grande parte dos seus seguidores - tocar o disco homónimo de uma ponta à outra ao vivo. Daí à "2012 Black Album Tour" foi um pequeno passo, sendo que à sétima data desta incursão anual por território europeu a banda de James Hetfield e Lars Ulrich aterrou em Lisboa. Se provas faltassem de que o público nacional não se cansa do quarteto e de que os quatro músicos não se fartam do público nacional, aqui está mais uma... A deslocação ao Parque da Bela Vista foi maciça e um dia que, ao início da noite, parecia ir ficar aquém em termos de afluência em relação à anterior passagem da banda pelo mesmo festival há quatro anos, acabou por superar expectativas. Nada de estranho, sobretudo se tivermos em conta que se aí ouvir ali, na íntegra, o clássico de 1991. Longe de provocar um consenso total entre os seguidores mais velha guarda dos Metallica, não há como negar que, para o melhor e para o pior, este foi o ponto fulcral na discografia da banda. Aquele em que deixaram de ser "só" uma banda de metal e em que fizeram a passagem para o mainstream, transformando-se num fenómeno de massas à escala global. O ambiente no Rock In Rio - Lisboa 2012 já era de festa antes mesmo da banda subir ao palco. Já passava das 23h30 quando se ouviu finalmente "The Ecstasy of Gold" e surgiu nos ecrãs um excerto de "O Bom, O Mão e o Vilão", antecipando a entrada dos músicos em palco. O burburinho na plateia transformou-se muito rapidamente numa chuva de aplausos e foi com o público já na mão que atacaram "Hit The Lights", seguida de perto por "Master Of Puppets" e "Fuel", o primeiro dos dois únicos temas pós-Black Album incluídos no alinhamento. Decorado com dois ecrãs que, dependendo do tema, foram alternando imagens pré-gravadas com outras captadas em tempo real e uma plataforma elevada por trás da bateria, o palco revelou-se dos mais elaborados que já trouxeram ao nosso país. Destaque para a recuperação do "snakepit" - uma zona reservada a umas dezenas de eleitos mesmo na boca do palco, rodeada por passadeiras que permitem aos elementos da banda estar um pouco mais perto dos fãs. Com microfones espalhados por todo o palco, Hetfield, Hammet e Trujillo podem andar por todo o lado, o que cria um dinamismo visual muito interessante. Os próprios músicos parecem divertir-se com isso e essa boa vibração notou-se durante uma atuação que durou duas horas. Uma muito saudada "For Whom The Bell Tolls" e a novidade "Hell And Back", um dos temas incluídos no recente EP Beyond Magnetic, antecederam a parte mais aguardada da noite. A multidão queria obviamente festejar ao som dos singles, mas a curiosidade era acrescida pela oportunidade de ouvir os temas menos óbvios. Com a opção de interpretar o álbum na íntegra, mas de trás para a frente, a sequência de canções do Black Album foi precedida por um pequeno vídeo com imagens da altura - uma altura em que ainda se faziam filas para comprar um disco no dia em que era editado - e começou logo com "The Struggle Within" e "My Friend Of Misery", dois temas que a banda nunca tinha interpretado em palco antes desta digressão. Saíram-se muito bem da experiência, muito coesos - por estranho que possa parecer, as falhas mais gritantes aconteceram em alguns temas que tocam sempre há largos anos - e com uma energia considerável para um grupo com três décadas de concertos no corpo. O público, rendeu-se do primeiro ao último momento, acabou por não reagir de forma tão entusiasta como seria de esperar a canções um pouco mais "obscuras" como "The God that Failed", "Of Wolf and Man", "Through the Never", "Don't Tread on Me" ou "Holier Than Thou" e os pontos mais altos da noite acabaram por ser mesmo os mais óbvios - as versões algo tremidas de "Nothing Else Matters" e "The Unforgiven", "Wherever I May Roam", "Sad But True" e, claro, "Enter Sandman". A fazer jus ao colete decorado com patches e ao cinto de balas de Hetfield, o encore foi uma autêntica viagem ao passado e "Fight Fire With Fire" não só foi recebido com movimentação entre as filas da frente como estreou a componente pirotécnica do espetáculo, com as gigantescas chamas que saíram das torres que ladeiam o gigantesco palco a aquecer por breves instantes uma noite fria. "One" teve direito a petardos, lasers com fartura e até máquinas de fumo no meio do público, a criar o ambiente certo para um dos temas mais emblemáticos da banda. Uma despedida em falso - com Lars Ulrich a pedir à plateia para não pedir mais nenhum tema - e, sob a condição de entoarem o refrão com toda a força, "Seek & Destroy" transportou os presentes para um passado ainda mais distante. As bolas decoradas com o logótipo do grupo lançadas do topo de uma das torres do recinto e a adaptação no primeiro verso - de "We are scanning the scene in the city tonight" para " We are scanning the scene in Lisbon tonight" só ajudaram a intensificar ainda mais o ambiente de celebração e a satisfação era evidente na cara dos quatro músicos quando se despediram de vez. "Metallica loves you, Lisboa", proferiu um comovido James Hetfield em jeito de adeus sob uma chuva de aplausos. Temos em crer que Lisboa e o resto de Portugal também gostam muito dos Metallica, James. Alinhamento de Metallica

Texto: José Miguel Rodrigues e Luís Guerra Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos