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Rammstein ao vivo no Pavilhão Atlântico, em Lisboa: leia a reportagem e veja as fotos

Pirotecnia, pénis gigante e o deboche do costume no regresso dos alemães Rammstein a Portugal. Multidão recebeu-os de braços abertos (e cuidado para não se queimar).

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Há nos Rammstein um investimento cómico e lúdico que não é inconsciente. Pelo contrário, procura-se atingir esse estado de forma denunciada, como que assumindo que a música - cantada num idioma não oficial do rock, de métrica autoritária - precisa de encenação para surtir efeito. Nada disto é novo e basta lembrar The Crazy World of Arthur Brown, Alice Cooper ou Kiss para que se possa aquilatar que há uma ténue fronteira entre o que é intencionalmente "sério" e conceptual (quase no sentido operático do termo) e o puro entretenimento. Refrães (sim, a palavra correta é mesmo esta!) podem andar lado a lado com teatralidade - Ozzy abocanhava morcegos. Fala-se de refrães e não é sem cuidado. A música dos Rammstein não é pop, mas tem coros, mensagens lestas que se repetem com vigor teutónico, parecendo mandamentos ou sentenças. Abrindo alegremente o saco sem fundo dos clichês, pode dizer-se que os Rammstein não menosprezam o potencial do seu espetáculo, preferindo desleixar-se na música que vêm repetindo vezes de mais desde 1995 - uma fórmula testada e, convenhamos, que raramente os deixou ficar mal, apesar da progressiva perda de frescura (quem escreve "apanhou-os" pela primeira vez na banda-sonora de Lost Highway, de David Lynch). Pode alegar-se "erosão criativa" de uma banda que já toca fogo há 18 anos e que o formato "greatest hits" dos Rammstein já tem quase um ano e meio (Made In Germany - 1995-2011 foi prenda do Natal 2011). E que no campo do industrial pop, que vai bem em bandas-sonoras de filmes "lixados" e que discotecas underground têm de passar para fixar mais do que os indefectíveis, houve progressos nos últimos anos. E ainda recordar que há muitos anos uma banda eslovena, igualmente polémica, também agitou as massas a brincar com símbolos: chama-se Laibach, não teve 1/10 do impacto dos Rammstein e até chegou a remisturar "Ohne Dich" para os alemães. Introito feito, vamos aos factos. Primeiro, por muito que se suspeitasse o contrário, o Pavilhão Atlântico não é, por estes dias, grande demais para albergar um espetáculo que Portugal já viu bastas vezes (a última das quais, no Rock In Rio Lisboa, em 2010). O povo aperta o cinto, verdade, mas ainda sobram cobres para estes luxos (os preços, atrevidos, começavam nos 33 euros e galgavam aos 45). Assinatura da Sport TV? Oceanário com os sobrinhos? Passeio low-cost pelo Portugal rural? Despedida de solteiro? A julgar pela multidão que compunha muitíssimo bem a sala lisboeta, outros prazeres ficarão para depois. As cortinas abrem-se e há milhares de telemóveis em punho. O vocalista Till Lindemann (uma mistura de líder imperturbável com a figura apatetada do Captain Spaulding dos filmes de Rob Zombie) desce de uma plataforma no meio do fumo lançado sobre a plateia. Há riffs apocalípicos que acompanham explosões. "Ich Tu Dir Weh" lembra-nos que há nos Rammstein, entre outras, uma faceta de Depeche Mode do metal. Ao segundo tema, há mais explosões e faíscas. Mais fumo e chamas cuspidas a partir do chão. Riffalhada clássica põe metade da plateia aos pulos. Há, indiscutivelmente, uma turba Rammstein: e dela pode fazer parte um discreto empregado de escritório de pulôver aos ombros como uma gótica de corpete. O teclista Flake Lorenz faz o seu "jogging" sobre um tapete rolante. Toca sintetizador numa banda de heavy metal e denota uma postura "synth-pop" um pouco mais "camp" do que os seus camaradas das guitarras. Há uma altura em que Lindemann se chega perto e finge agredi-lo. Sucedem-se refrães (palavra bonita, hein?) como "Sehnsucht", "Asche Zu Asche", "Feuer Frei!". Cospe-se fogo entre guitarristas. "Wiener Blut" é um pára-arranca mais inusitado - o resto é metal clássico colocado na misturadora e devolvido em concentrado. Em "Mein Teil", o vocalista - chapéu de cozinheiro posto - puxa para o palco um gigante tacho, de onde espreita um Rammstein infeliz, prestes a ser "cozinhado". Depois de a panela ir ao lume (óbvio!), o sujeito foge e corre pelo palco, acabando por ser fulminado por raios. Depois de "Mein Herz Brennt" em versão piano/voz (também são dados a solenidades, estes berlinenses), chega-se a uma "Benzin" tensa, a que se sucede "Du Riechst So Gut" ("Tu Cheiras Tão Bem", em português) e "Links 2-3-4", em andamento militar, memória de 2001 do álbum Mutter (número 1 no top dos países em que se fala alemão: Suíça, Áustria e Alemanha, por ordem de tamanho). A indispensável "Du Hast" (perdoem-nos a inconfidência, mas há muito que não conseguimos evitar perceber "Borraste") levou o público a gritar o refrão (duas palavrinhas apenas) e a ver fogo circular entre o centro da plateia e o palco. "Büch Dich" trouxe consigo encenações de sodomia (e posterior ejaculação peniana em modalidade esguicho) e logo a seguir expiaram-se culpas na fúnebre "Ohne Dich" ("Sem Ti", num português afoito ao cançonetismo de romaria). Para o encore, duplicou-se o valor da fatura pirotécnica (foi, digamos, um "best-of" das labaredas anteriores). Em "Ich Will", Till falou o primeiro português antes do "obrigado" final: "levantem as mãos". E no final, com o auto-explicativo "Pussy" (lembra-se da javardice do clipe?), atravessa o palco um canhão fálico que distribui flocos pela plateia mais estouvada. Acabou numa espécie de banho de espuma o regresso dos Rammstein a Portugal. Já vimos musicais muito mais monótonos. Texto: Luís Guerra Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos
  • Rammstein em Lisboa

    Notícias

    Banda alemã sobe ao palco do Pavilhão Atlântico no dia 16 de Abril de 2013. Bilhetes hoje à venda. Recorde aqui a atuação no Rock in Rio Lisboa 2010.