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Quem é Frances Bean Cobain?

Deu a primeira entrevista aos 13 anos, vive em Hollywood e tem uma fortuna de 150 milhões de euros. Namora há 5 anos, dedica-se ao desenho e adora música - mas, pelo que agora revela, não especialmente a banda do pai, os Nirvana.

Nasceu às 7 e 48 da manhã de 18 de agosto de 1992 no hospital dos famosos de Hollywood, o Cedars Sinai, em Los Angeles. Frances, pela devoção do pai a Frances McKee, vocalista e guitarrista dos escoceses Vaselines; Bean, porque foi um feijão que o pai, Kurt Cobain, viu na primeira ecografia à barriga da mãe, Courtney Love. Padrinho: Michael Stipe, dos R.E.M. Madrinha: Drew Barrymore, atriz com infância problemática. Estava apresentada ao mundo Frances Bean Cobain, o bebé rock dos anos 90. A gravidez de Love não foi isenta de problemas. Um artigo da Vanity Fair aludiu ao alegado uso de heroína por parte da líder das Hole, droga que também não era estranha aos hábitos do pai, o homem da frente dos Nirvana. A segurança social norte-americana não demorou a questionar as capacidades parentais da dupla "tóxica" e não seria sem prolongada batalha legal que o casal ganharia a custódia da filha, depois de um breve período em que a mesma lhes foi retirada. Os primeiros meses de vida da criança, com Love e Cobain na estrada, foram passados sob o cuidado de amas e, a 1 de abril de 1994, Frances via o pai pela última vez, de visita a um centro de reabilitação de toxicodependentes na Califórnia. Kurt seria encontrado morto, em Seattle, quatro dias depois. Frances foi criada pela mãe, tias e avó paterna, entre Seattle e Los Angeles, mas a Courtney seria retirada a guarda da filha entre 2003 e 2005, na sequência de uma detenção por posse de droga e posterior overdose de comprimidos. Em 2010, a jovem completou 18 anos, herdou 37 por cento da fortuna do pai (150 milhões de euros), passou a controlar os direitos publicitários da imagem e do nome Kurt Cobain (é produtora executiva de Montage of Heck, o documentário de Brett Morgen estreado este ano) e mudou-se, com o namorado, o músico Isaiah Silva ("o meu melhor amigo e o amor da minha vida"), para uma mansão em Hollywood. Deu a primeira entrevista aos 13 anos para a Teen Vogue e aos 14 foi fotografada para a revista Elle, vestindo o famoso casaco de malha do pai. Quase a completar 19, foi modelo fotográfico para Hedi Slimane. Hoje, dedica-se sobretudo ao desenho. É no Twitter que endereça elogios aos que lhe são mais próximos, incluindo o padrinho Michael Stipe ("um dos grandes humanos deste planeta") e a mãe, Courtney Love "obrigado, minha pouco ortodoxa mãe por me teres ensinado a abraçar a criatividade e a sobrevivência", diria no 50º aniversário da progenitora. Frida Kahlo, Alejandro Jodorowsky e H. R. Giger merecem-lhe loas, mas é a música que ocupa lugar central na sua vida: admira mulheres fortes como Siouxsie Sioux, PJ Harvey, Björk, Patti Smith, Fiona Apple e Sleater-Kinney; bardos como Scott Walker e Leonard Cohen; ícones pop/rock como David Bowie, Morrissey ou Iggy Pop; e ainda uma figura trágica com um fim semelhante ao do seu pai, o cantautor Elliot Smith. Professa particular afeição pela música britânica dos anos 90, do shoegazing dos Telescopes e dos Slowdive à britpop dos Oasis, banda que, afirma, mudou a sua vida. O seu objeto preferido, revela, é "a t-shirt de 1989 dos Jesus & Mary Chain, que já está tão fina que parece papel". Do lado americano, não refreia o apreço pelos Brian Jonestown Massacre e adora Gish, primeiro álbum dos Smashing Pumpkins. Polémicas? Poucas. Em 2014, criticou Lana Del Rey por esta ter, em entrevista, "pintado" com glamour a ideia de "morrer jovem". "Cresci sem pai", lembrou Frances. Texto: Luís Guerra Foto: Twitter Frances Bean Cobain Texto originalmente publicado na BLITZ de março de 2015