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Primavera Sound de Barcelona: Sleater-Kinney e Run the Jewels mostram as suas cores

Leia sobre alguns dos concertos do segundo dia do Primavera Sound de Barcelona.

Mais uma das bandas que este ano regressaram aos álbuns de originais, depois de uma pausa prolongada, as Sleater-Kinney tocaram ontem no Parq del Fórum a uma hora que muitos terão aproveitado para jantar. A entrega de Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet Weiss na defesa das canções do novo No Cities To Love, bem como de outros momentos da sua carreira, não pode ser posta em causa: se a voz de Tucker se revela capaz de esgadanhar o céu, alternando com notável facilidade entre o quase sussurro e o grito mais seguro, Weiss deslumbra na bateria e a Brownstein nem tocar deitada no chão do palco lhe falta.

As Sleater-Kinney no Palco Heineken Contudo, o público não pareceu demasiado entusiasmado com a energia do power trio, que parece ter absorvido, neste concerto, alguma da energia emanada naquele mesmo palco por Patti Smith, e certamente os ensinamentos de Kathleen Hanna, a "rainha" do riot grrrl que à tarde se apresentou com o grupo The Julie Ruin. "All Hands on the Bad One" ou "The Fox" foram dois dos pontos altos de um concerto empenhado ao qual nos pareceu ter faltado algum calor humano.

À mesma hora dos Ride, os Run the Jewels colhiam os louros da aclamação do seu segundo álbum; no palco ATP, a dupla de rappers El-P e Killer Mike disparava e cruzava rimas com contundência, exigindo muito do público, a quem chamou "a crowd of filthy perverts". "Mas não se preocupem, não vos estamos a julgar!", acrescentaram logo de seguida. Depois de "Get It", o abraço sentido entre El-P e Killer Mike, que dois dias antes vimos chegar, exaustos, ao aeroporto, diz bem do sucesso da apresentação e do entusiasmo dos norte-americanos com a mesma. À tarde, Julian Casablancas subiu ao palco Primavera com os Voidz, banda com a qual lançou, em 2014, o álbum Tyranny. Não obstante ainda contar, nas primeiras filas, com algumas fãs mais excitadas, o vocalista dos Strokes parece apostado em sabotar a sua reputação de pin up do indie rock e também o apelo pop que a sua banda-mãe sempre mostrou. Com os Voidz, Casablancas arrastou a voz impercetível sobre um som roufenho e sem ponta de melodia. Suicídio comercial ou genuíno desejo de experimentação? Quem vir o concerto do seu "day job", os Strokes, hoje, no mesmo festival poderá ter mais condições para deslindar o mistério. Já os Fumaça Preta montaram, à tarde, uma festa de múltiplas cores no palco Pitchfork: com músicos de várias nacionalidades e apetites sonoros - na bateria e voz está, trajando capa de super herói e óculos de sol, o luso-descendente Alex Figueira - a banda foi do rock vagamente pesado ao samba, passando pela festa cigana e por tiradas como "Recitando à toa/Meu nome Fernando mas não Pessoa". Imprevisivelmente divertido. Também à tarde, os Alt-J passaram pela zona de imprensa para uma conferência na qual garantiram não levar a mal as críticas negativas ao seu segundo álbum: "Até nos rimos muito com a da Pitchfork", responderam. "Tudo o que não seja um texto cheio de amor ou ódio acabamos por esquecer, por isso até gostamos de críticas dessas".