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Primavera Sound Barcelona: O estranho caso de Mark Kozelek

Houve fila para entrar no auditório onde o cantautor norte-americano ameaçou irritar as feministas com uma canção do novo álbum.

Mark Kozelek andou anos a penar na quase obscuridade para agora, com uma mãozinha da pitchfork e outra da sua própria queda para a provocação nonsense, se ver celebrado e procurado. Uma prova? A enchente no seu concerto no auditório que, apesar de situado no exterior do festival, acolhe parte da sua programação. Com lugares sentados e capacidade limitada, a sala rapidamente lotou, pelo que os primeiros candidatos a entrar viram-se impedidos de fazê-lo, reagindo com alguma frustração. A BLITZ insistiu e, à primeira levada de desistentes, conseguiu entrar no belíssimo e amplo auditório onde Mark Kozelek se apresentou em modo quarteto. Apresentando já temas novos, a incluir no vindouro Universal Themes, o ex-Red House Painters trilhou caminhos um pouco mais elétricos e até dissonantes, por vezes arriscando vir à frente do palco sem outra companhia que não a do microfone, outras tocando até um pouco de bateria. Curioso foi também ouvi-lo projetar a voz de forma mais contundente do que lhe é característico, com notável segurança: foi assim em "I Watched the Film The Song Remains the Same", um dos melhores temas de Benji, ontem apresentado com dose ultra letal de melancolia californiana via Ohio. O nonsense ficaria guardado para o final, com Mark Kozelek a levar a votação a última canção que apresentaria: "Dogs", segundo o próprio um tema "sobre fazer sexo oral no quinto ano", ou uma música do novo disco? Perante a excitação da plateia com a primeira hipótese, a resposta mais ou menos esperada: "Fuck you, I won't play Dogs!". E foi assim que ficámos a saber que Universal Themes terá um tema chamado "It's My First Day, I'm Indian and I Work at the Gas Station". "Um belo título", considera o seu autor, lembrando que, no sucessor de "Benji", se guarda também uma canção para irritar as feministas: "Vinyl is a Men's World". Porque, garante, em 23 anos de carreira nunca assinou um vinil a uma miúda.