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Pedro Ayres Magalhães: 'Somos espezinhados pelo Estado e recebemos menos por falarmos em português'

Em entrevista ao DN, o músicos de Madredeus, Heróis do Mar e Resistência nega que os músicos sejam "privilegiados".

Em entrevista ao Diário de Notícias, Pedro Ayres Magalhães, veterano músico português que esteve na génese de grupos como Heróis do Mar, Madredeus ou Resistência, falou sobre o seu trajeto artístico. À pergunta "Nunca se sente a viver uma vida paralela em relação à de muitos portugueses por ter direito a criar?", responde Ayres Magalhães: "Tenho direito? Ainda não percebeu? Não temos direitos nenhuns, somos espezinhados pelo Estado e recebemos menos por falarmos em português. É tudo ao contrário, não temos nenhuma benesse do Estado português, nem uma caneta, nem um obrigado. Não somos privilegiados". Para o músico, esta postura tem sido comum a todos os governos: "Todos e em diferentes ideologias. Mas não me vai apanhar aqui a falar das ideologias, que não são muitas, aliás. A ideologia é mandar. Por isso a ideologia do PS e do PSD é mandar". Pedro Ayres Magalhães fala ainda da "censura terrível" a que os Madredeus são sujeitos na rádio. "Diga-se que os Madredeus têm 200 canções e que venderam em Portugal um milhão de discos desses Madredeus e ninguém vende tanto. Sem dúvida que fui acarinhado por alguém, mas é estranho que só conheçam duas das muitas músicas dos Madredeus para passar na nossa rádio. Acho que é uma censura terrível, mesmo que não saiba de quem é". "Parece-me estar a perguntar se tínhamos noção de que éramos privilegiados porque fazíamos o que queríamos. Não somos nada privilegiados, somos perseguidos por fazer o que queremos", remata ainda.