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Patti Smith: Glória do punk abençoa Primavera

Se existe nobreza no rock and roll, Patti Smith é a sua personificação. O concerto no NOS Primavera Sound foi um exemplo de fé, de força e de alma. 28 mil pessoas terão passado pelo Parque da Cidade do Porto (números da organização).

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Sessenta e oito anos. Em palco, uma mãe ou avó. Mãe, certamente, de gerações de músicos e melómanos que acreditaram piamente no poder redentor do rock and roll. Se existir algum tipo de justiça poética no mundo, Patti terá acordado a sua canonização quando se encontrou com o Papa Francisco em novembro do ano passado. É que o rock, acredita ela, tem o poder de mudar o mundo. Terá, certamente, o poder de comover as pessoas. E foi nessa nota que o concerto no Porto terminou, primeiro com uma "Elegie" originalmente escrita como homenagem a Jimi Hendrix, mas que Patti explicou que é na verdade uma homenagem a todos os entes queridos que partiram e que ficaram simbolizados nos nomes dos Ramones tombados, no nome de Joe Strummer, no de Fred Sonic Youth ou no de Lou Reed, que também mencionou. Depois veio "People Have the Power" para despedida, como se ela dissesse que todos aqueles heróis fizeram o que lhes competia e que agora é a nossa vez. Para trás, uma hora de Horses. Este álbum, nascido de uma encruzilhada irrepetível no tempo e no espaço, quando em Nova Iorque ainda se sentiam os efeitos dos ventos poéticos que tinham soprado da geração beat, e ainda se pressentiam as sombras de heróis desaparecidos como Hendrix ou Jim Morrison, e um pouco antes - apenas um momento antes... - do turbilhão punk pegar fogo no Bowery e transformar o CBGB no epicentro de um terramoto criativo, este álbum, escrevia-se, fez história. No verdadeiro sentido da expressão: construiu um pedaço de tempo, inspirou gente, motivou mudanças. E Patti tornou-se uma espécie de deusa.Ou musa. Hoje, com Lenny Kaye ao seu lado, Patti começou por entoar as imortais palavras "Jesus died for somebody's sins but not mine" antes de se lançar num energético "Gloria" que é um daqueles temas eternos que nunca esmorecem, uma espécie de tema rock universal que mexe com qualquer pessoa de qualquer tribo de qualquer idade. Impossível resistir ao seu poder redentor. Patti percorreu o alinhamento do seu maior clássico com alma e nervo, ainda que sem a energia de outro tempo. Com dignidade. E com a tal nobreza que se lhe reconhece. Passou pelos temas todos, por "Birdland" e "Kimberly" e "Break it Up", e depois emoldurou a viagem com mais um regresso ao poder de "Gloria" antes de se entregar a "Elegy". Fez questão de lembrar o suporte original do álbum quando, no alinhamento, assinalou a passagem do lado A para o lado B. E agradeceu à organização do Primavera Sound por a ter trazido pela primeira vez ao Porto. Ainda passou, antes de se despedir, pela gigante "Because the Night", outro tema com um ADN muito particular, íntimo e épico, romântico e explosivo. Antes de sair de palco, Patti fez uma vénia ao público que, obviamente, lhe respondeu com um aplauso do tamanho do respeito que ela merece.

 

Sessenta e oito anos. A idade de uma mãe ou avó. E é impossível, mesmo, não nos sentirmos todos um pouco seus filhos, seus netos. Como as mães e avós, ela tem aquela sabedoria que parece ter nascido no início dos tempos e que nunca nos falha quando mais precisamos. E nestes eventos, de múltiplos estímulos e distracções é bom haver quem nos sintonize com o essencial. Obrigado Patti. Texto: Rui Miguel Abreu

Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos